O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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sábado, 26 de dezembro de 2009

Da Arte como libertação dos gregarismos patrióticos e religiosos

"A indifferença para com a Patria, para com a Religião, para com as chamadas virtudes civicas e os apetrechos mentaes do instincto gregario são não uteis, mas absolutamente deveres do Artista. Se isto é immoral, a culpa é da Natureza, que o mandou crear belleza e não pregar a alguem"

- Fernando Pessoa, "Os Fundamentos do Sensacionismo", in Sensacionismo e outros ismos, edição de Jerónimo Pizarro, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2009, p.185.