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domingo, 25 de outubro de 2009
Alegria
§19. Alegria (1). A alegria de viver nasce no interior mais íntimo da 'alma', nessa zona limite onde habita uma substância sem nome. A alegria de viver nada tem a ver com o cálculo do entendimento ou com a análise de custo-benefício da experiência mundana.
Aquele que transporta a alegria de viver vê-se muitas vezes a si próprio como que, involuntariamente, acometido por ela. A essência da alegria de viver é o transbordar. Transmite-se aos músculos, transforma-se num riso expansivo, num afago, numa voz de tom mais solto e vibrante.
A alegria de viver não causa a admiração que, por exemplo, as proezas físicas ou intelectuais suscitam. O tipo de sentimento causado junto de quem a testemunha está mais próximo da solenidade do respeito. Quem é alegre vive numa zona vizinha daquele que é bondoso até à fronteira da santidade. Ambos habitam no reino do dom e da graça.
Viriato Soromenho-Marques, Pontos de Vista
Aquele que transporta a alegria de viver vê-se muitas vezes a si próprio como que, involuntariamente, acometido por ela. A essência da alegria de viver é o transbordar. Transmite-se aos músculos, transforma-se num riso expansivo, num afago, numa voz de tom mais solto e vibrante.
A alegria de viver não causa a admiração que, por exemplo, as proezas físicas ou intelectuais suscitam. O tipo de sentimento causado junto de quem a testemunha está mais próximo da solenidade do respeito. Quem é alegre vive numa zona vizinha daquele que é bondoso até à fronteira da santidade. Ambos habitam no reino do dom e da graça.
Viriato Soromenho-Marques, Pontos de Vista
domingo, 4 de janeiro de 2009
Para o Platero
Não é uma fotografia brilhante, mas também não era esse o objectivo.
O post do Platero sugeriu-me... No fundo, era bom que todos tivessemos uma quinta assim, ainda que imaginária.
Obrigada, Platero, pela simplicidade.
Deixo aqui esta minha imagem simples e dedico-a a si mesmo.
Se me permite uma dedicatória tão simples que chega a nem ter graça nenhuma
:)
E, já agora, posso também dedicar a todos os Emplumados e Serpenteados deste espaço.
Aos que já encontraram essa quinta dentro ou fora de si mesmos,
Aos que ainda não encontraram, mas até gostavam de encontrar
Aos que ainda não procuraram e aos que nem querem procurar
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
A saudade no vasto oceano da mente
A saudade tem o seu quê de angústia. É amor, memória e desejo - isso já todos sabemos (se eu dissesse algo de novo é que seria de estranhar). Mas o que é a angústia? Não sei bem se é angústia, se a sensação de um vazio interior, a falta do sujeito amado. É tristeza, pela falta do sujeito amado, uma armadilha em que caímos ao querermos, continuamente, relembrar o objecto do nosso amor. Talvez não queiramos, mas sejamos espontaneamente impelidos a tal, tal como espontaneamente imaginamos o que quer que imaginemos. Sim, creio que a mente é como o vasto oceano e os pensamentos ondas que, a tempos, aparecem para perturbar a paz mais ou menos reinante. A saudade tem a particularidade de ser uma onda antagónica, na medida em que é, simultaneamente, prazer e sofrimento e, mesmo mas já não na antagonia, ilusão. Porque, por momentos, iludimo-nos ao pensarmos que estamos com o objecto amado, como quando saímos deste mundo para os imaginados, o que causa um prazer momentâneo, alegria, que tem como pano de fundo um desprazer, tristeza, que não é senão a consciência da falta do objecto amado. Isto não é nada de novo, mas apenas expressão do que estou a sentir - por causa do meu amor louco por um animal! Se nos ensinam...
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