O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Das Narrenschiff - A Nau dos Loucos



Somos a Nau dos Loucos. Navegamos a ilusão de ser.

Mundo: Festa do(s) Louco(s).

Tudo é uma Festa de Loucos. Maior demência do que não ver a sua profunda seriedade é levá-la a sério.

O mundo é a Dança dos Mortos-Vivos.

Loucura: "a inspiração caótica, tempestuosa, anterior ao Fiat divino" - Teixeira de Pascoaes, O Pobre Tolo.

E se a loucura não fosse uma fuga ou desvio da realidade, mas antes o sentimento de realidade um efeito da loucura ?

O mundo é a torre da fortuna que desaba. E só o louco ri de nem ele ficar de pé.

- in A Cada Instante Estamos a Tempo de Nunca Haver Nascido, Sintra, Zéfiro, 2008.