O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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domingo, 10 de janeiro de 2010

Poema bola de neve


Acaba de chegar um poema congelado
Como vem em bola, rola por cima da pele da serpente
A pele é lisa e a bola desliza, desfaz-se, e perde as letras
Escorrem pelo dorso da serpente alada a água de neve
Pinga agora um “s” ali um “o”…
O “l” congelou antes de chegar o Sol.
Chega a chuva em poema líquido
Entorna-se no corpo das plumas
Plumas nevadas, pela neve que não cai
Sobressai da pele verde um ”A” maiúsculo,
Forma-se um pequeno regato do “r”
Nesse regato pode brilhar a lua
Mas não brilha, porque o céu do poema é cinzento
Quase branco, quase neve
Chove agora tanto em cima do poema
Que o poema fica todo molhado, encharcado
Já quase não se vêem as letras
Do poema desbotado e “desletrado”
Está quase parado, parece um floco de neve
A cair devagar do céu abaixo
Tragam um casaco e um cachecol para tapar a Serpente.
Brrrrrrrrr!
(Agachem-se que o poema rebola...)