
Como vem em bola, rola por cima da pele da serpente
A pele é lisa e a bola desliza, desfaz-se, e perde as letras
Escorrem pelo dorso da serpente alada a água de neve
Pinga agora um “s” ali um “o”…
O “l” congelou antes de chegar o Sol.
Chega a chuva em poema líquido
Entorna-se no corpo das plumas
Plumas nevadas, pela neve que não cai
Sobressai da pele verde um ”A” maiúsculo,
Forma-se um pequeno regato do “r”
Nesse regato pode brilhar a lua
Mas não brilha, porque o céu do poema é cinzento
Quase branco, quase neve
Chove agora tanto em cima do poema
Que o poema fica todo molhado, encharcado
Já quase não se vêem as letras
Do poema desbotado e “desletrado”
Está quase parado, parece um floco de neve
A cair devagar do céu abaixo
Tragam um casaco e um cachecol para tapar a Serpente.
Brrrrrrrrr!