O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cântico de Azarias

[Nabucodonosor irou-se e decidiu lançar os três jovens na fornalha ardente. Mas... o que aconteceu? Vejamos:]

Então, passeavam no meio das chamas, louvando a Deus e bendizendo o Senhor. Azarias, de pé no meio das chamas, fez esta prece:

Bendito e louvado sejas, Senhor, Deus dos nossos pais!
Que o teu nome seja glorificado pelos séculos!
És justo em toda a tua conduta para connosco;
as tuas obras são rectas, os teus caminhos rectos, e os teus juízos equitativos.
Fizeste um juízo equitativo em tudo o que nos infligiste e em tudo o que infligiste à cidade santa de nossos pais, Jerusalém;
é por efeito dum juízo equitativo que nos infligiste tudo isto, por causa dos nossos pecados.
Pecámos, prevaricámos, afastámo-nos de ti;
em tudo temos procedido mal;
e não observámos os teus mandamentos.
Não os temos posto em prática, não temos observado as leis que nos deste e que eram para nossa felicidade.
Em todos os males que mandaste sobre nós, em tudo o que nos infligiste, foi uma sentença justa que aplicaste.
Entregaste-nos nas mãos de injustos inimigos, de ímpios encarniçados, sem lei, e a um rei, o mais iníquo e perverso de toda a terra.
Agora não ousamos mais abrir a boca.
Vergonha e infâmia acabrunham os teus servos e todos os que te adoram.
Pelo teu nome, não nos abandones para sempre, não anules a aliança.
Não nos retires a tua misericórdia, em atenção a Abraão, teu amigo, a Isaac, teu servo, aos quais prometeste multiplicar a sua descendência como as estrelas do céu, e como a areia das praias do mar.
Senhor, estamos reduzidos a nada diante das nações, estamos hoje humilhados em face de toda a terra, por causa dos nossos pecados.
Agora não há nem príncipe, nem profeta, nem chefe, nem holocausto, nem sacrifício, nem oblação, nem incenso, nem um local para te oferecer as primícias e encontrar misericórdia.
Que pela contrição de coração e humilhação de espírito, sejamos acolhidos, como se trouxéssemos holocaustos de carneiros e de touros e de milhares de cordeiros gordos.
Que este seja hoje diante de ti o nosso sacrifício;
possa ele reconciliar-nos contigo, pois não têm que envergonhar-se aqueles que em ti confiam.

É de todo o coração que agora te seguimos, te veneramos e procuramos a tua face;
não nos confundas.
Trata-nos com a tua doçura habitual e com todas as riquezas da tua misericórdia.
Livra-nos pelos teus prodígios e cobre de glória o teu nome, Senhor.
Que sejam confundidos os que maltratam os teus servos, que sintam vergonha ao verem-se sem poder e aniquilados na sua força.
Assim, saberão que Tu és o Senhor Deus único, glorioso em toda a superfície da terra!

Entretanto, os servos do rei, que os tinham lançado na fornalha, não cessavam de a aquecer com nafta, estapa, pez e lenha seca. As chamas, que então subiam a quarenta e nove côvados acima da fornalha, desviando-se, queimaram os caldeus que se encontravam junto dela.
O anjo do Senhor, porém, tinha descido até Azarias e seus companheiros e afastava o fogo da fornalha. Transformou o centro da fornalha num lugar onde soprava como que uma brisa matinal: o fogo nem sequer os tocou e não lhes causou qualquer mal nem a menor dor.

Dn 3, 24-50

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Condenação dos amigos de Daniel

Disse-lhes Nabucodonosor:

"Chadrac, Mechac e Abed-Nego, é verdade que rejeitais o culto aos meus deuses e a adoração à estátua erigida por mim? Pois bem! Estais dispostos, no momento em que ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da cítara, da lira, da harpa, do saltério e de qualquer outro instrumento musical, a prostrar-vos em adoração diante da estátua que eu fiz? Se não o fizerdes, sereis logo lançados dentro da fornalha ardente. E qual o deus que poderá libertar-vos da minha mão?"

Chadrac, Mechac e Abed-Nego responderam ao rei Nabucodonosor:

"Não vale a pena responder-te a propósito disto. Se isso assim é, o Deus que nós servimos pode livrar-nos da fornalha incandescente, e até mesmo, ó rei, da tua mão. E ainda que o não faça, fica sabendo, ó rei, que não prestamos culto aos teus deuses e que não adoramos a estátua de ouro que tu levantaste."

Dn 3, 14-18