O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A ajuda, o entrave e a meta


"Quando tivermos ido além de todo o saber, então teremos o conhecimento. Foi a razão a ajuda, a razão é o entrave.
Quando tivermos ido além de todo o querer, então teremos o poder. A vontade foi a ajuda, a vontade é o entrave.
Quando tivermos ido além de todo o prazer, então teremos a felicidade. O desejo foi a ajuda, o desejo é o entrave.
Quando tivermos ido além de toda a individualização, então seremos verdadeiramente pessoas. O ego foi a ajuda; o ego é o entrave.
Quando formos mais além da humanidade, então seremos o Homem. O animal foi a ajuda, o animal é o entrave.
Transforma a razão em intuição ordenada; que tudo em ti seja luz. Essa é a meta.
Transforma o esforço num fluxo regular e soberano de força de alma; que tudo em ti seja força consciente. Essa é a meta.
Transforma o prazer num permanente êxtase sem objecto; que tudo em ti seja felicidade. Essa é a meta.
Transforma o indivíduo dividido numa personalidade com a dimensão do mundo; que tudo em ti seja divino. Essa é a meta."

Sri Aurobindo (1872-1950)

(“Aperçus et Pensées”, in «De la Grèce à l’Inde», Albin Michel, Paris, 1976, pág. 93 e seg.)