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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
"Ich bin das Messer mit dem der Tote seinen Sarg aufsprengt" / "Eu sou a faca com que o morto abre o caixão"

Eu sou o anjo do desespero. Com as minhas mãos distribuo o êxtase, o adormecimento, o esquecimento, gozo e dor dos corpos. A minha fala é o silêncio, o meu canto o grito. Na sombra das minhas asas mora o terror. A minha esperança é o último sopro. A minha esperança é a primeira batalha. Eu sou a faca com que o morto abre o caixão. Eu sou aquele que há-de ser. O meu voo é a revolta, o meu céu o abismo de amanhã.
- Heiner Müller, "O anjo do desespero", in O Anjo do Desespero, tradução, posfácio e notas de João Barrento, Lisboa, Relógio d'Água, 1997, p.51.
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