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quinta-feira, 20 de maio de 2010
Aprender a fazer contas
"O amor acrescenta-nos com o que amamos. O ódio diminui-nos. Se amares o universo, serás do tamanho dele. Mas quanto mais odiares, mais ficas apenas do teu. Porque odeias tanto? Compra uma tabuada. E aprende a fazer contas"
- Vergílio Ferreira, Pensar, Venda Nova, Bertrand, 1993, p.243.
- Vergílio Ferreira, Pensar, Venda Nova, Bertrand, 1993, p.243.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Um texto sobre o apego e o amor
Realmente, o apego e a aversão são duas das maiores constantes nas nossas vidas. Pergunto-me se será possível viver sem ambas. Gostaria de viver sem aversão e, na verdade, que me lembre, tenho aversão por poucas coisas; não sou daquelas pessoas que dizem constantemente que adoram ou detestam isto ou aquilo.
Este texto surge a propósito da palestra sobre o Budismo, a que assisti ontem, proferida por Paulo Borges, o dono deste blogue. É que considero o amor uma das grandes libertações, se bem que tantas vezes nos prenda, a nós e aos outros, desta vida, porque algo intuitivamente bom... afinal, quem não gosta de se sentir acarinhado, um pouco de ternura, em suma, amado?
A minha questão, que deixo para o leitor e para os comentadores, é a seguinte: será o amor uma forma de apego? E, se todo o apego é mau, e sendo o amor uma forma de apego, o amor é mau? Ou nem todas as formas de apego são más, a saber, o amor, se for uma forma de apego?
A tese intuitiva e mais superficial é a de que não vale a pena odiar e que vale a pena amar. Mas a tese é superficial: afinal, não vale a pena odiar alguém como Hitler? Quem, no seu perfeito juízo, não odeia, detesta, sente aversão por, Hitler? Quanto a valer a pena amar, parece que é intuitivo que assim é, na medida em que, intuitivamente, é o amor que nos liberta da nossa condição de semi-escravos de um trabalho e subsistência tantas vezes desumanos.
Afinal, não seria muito melhor que a menina do texto de Ana Margarida Esteves fosse amada pela mãe ao invés de ser maltratada? O amor, o carinho, a ternura, não são intuitivamente bons? Penso que sim. Mas não serão também formas de apego? Poderemos amar alguém sem que nos apeguemos a essa pessoa? E esse apego, a existir, é mau? No fundo, estou apenas a repetir as questões do terceiro parágrafo.
Este texto surge a propósito da palestra sobre o Budismo, a que assisti ontem, proferida por Paulo Borges, o dono deste blogue. É que considero o amor uma das grandes libertações, se bem que tantas vezes nos prenda, a nós e aos outros, desta vida, porque algo intuitivamente bom... afinal, quem não gosta de se sentir acarinhado, um pouco de ternura, em suma, amado?
A minha questão, que deixo para o leitor e para os comentadores, é a seguinte: será o amor uma forma de apego? E, se todo o apego é mau, e sendo o amor uma forma de apego, o amor é mau? Ou nem todas as formas de apego são más, a saber, o amor, se for uma forma de apego?
A tese intuitiva e mais superficial é a de que não vale a pena odiar e que vale a pena amar. Mas a tese é superficial: afinal, não vale a pena odiar alguém como Hitler? Quem, no seu perfeito juízo, não odeia, detesta, sente aversão por, Hitler? Quanto a valer a pena amar, parece que é intuitivo que assim é, na medida em que, intuitivamente, é o amor que nos liberta da nossa condição de semi-escravos de um trabalho e subsistência tantas vezes desumanos.
Afinal, não seria muito melhor que a menina do texto de Ana Margarida Esteves fosse amada pela mãe ao invés de ser maltratada? O amor, o carinho, a ternura, não são intuitivamente bons? Penso que sim. Mas não serão também formas de apego? Poderemos amar alguém sem que nos apeguemos a essa pessoa? E esse apego, a existir, é mau? No fundo, estou apenas a repetir as questões do terceiro parágrafo.
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