O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 19 de março de 2010

"Está-se só com tudo o que se ama" - Novalis

contemplando




"Mesmo agora contemplando as tuas aguas pude ver petalas vermelhas descendo...

outro cravo laranja,

pedacos belos de oferendas.

Uma cinza.

Madeira que queimou corpos de quem ja' partiu. Uma borboleta tambem...

caida,

que desiste agora de lutar contra a corrente,

e uma semente,

que promete ser uma grande arvore depois de escolher o lugar onde parar"

Velvet - the dark side to a Rose

The Rose shines over her rose coloured shadows,
it's her velvet touch.

Cultura ENTRE Culturas: uma revista diferenTre (a sair em Abril)





Cultura ENTRE Culturas - Apresentação

Cultura ENTRE Culturas é uma revista semestral dedicada ao diálogo intercultural e a estabelecer pontes e mediações entre todas as disciplinas, saberes e tradições. Publica ensaio, poesia e fotografia e elege-se pelos seguintes propósitos:

1. Contribuir para o desenvolvimento de uma consciência-experiência integrais, multidimensionais, inter e trans-disciplinares do real e do que possa haver além-aquém do que como tal se designa, enriquecendo criativamente a vida e a existência mediante a compreensiva realização das suas supremas possibilidades.

2. Explorar antigas e novas possibilidades espirituais, mentais, éticas, artísticas, científicas, educativas, ecológicas, comunicacionais, sociais, políticas e económicas, alternativas à crise e declínio do paradigma civilizacional ainda dominante e que obedeçam ao soberano critério do melhor possível para todos os seres sencientes, humanos e não-humanos.

3. Promover o conhecimento e diálogo entre culturas, civilizações, religiões e espiritualidades, bem como entre estas, o ateísmo e o agnosticismo, no espírito da mais ampla imparcialidade e universalismo.

4. Contribuir para a harmonia e a não-violência na relação do homem consigo, com a natureza e com todos os seres sencientes, ou seja, capazes de sentir dor, prazer e emoções.

5. Despertar e orientar para estes fins a cultura e a sociedade portuguesas, bem como a comunidade lusófona, valorizando e promovendo as tendências nelas latentes que mais apontem neste sentido.

A revista Cultura ENTRE Culturas tem na Comissão de Honra alguns dos pensadores mais influentes e representativos do diálogo intercultural, integra no Conselho de Direcção destacadas figuras públicas e da academia portuguesa e internacional e conta no Conselho Editorial com alguns dos mais jovens valores da cultura portuguesa e não só.

ficha técnica

direcção
Paulo Borges

comissão de honra

François Jullien
Hans Küng
Jean-Yves Leloup
Raimon Pannikar
Matthieu Ricard
Agostinho da Silva (In Memoriam)

conselho de direcção

Pe. Anselmo Borges
Constança Marcondes César (Brasil)
Carlos João Correia
Frei Bento Domingues
António Cândido Franco
Markus Gabriel (Alemanha)
Dirk-Michael Hennrich (Alemanha)
Rui Lopo
Amon Pinho (Brasil)
Andrés Torres Queiruga (Galiza)
Miguel Real
José Eduardo Reis
Luíz Pires dos Reys
Adel Sidarus
Francisco Soares (Angola)

conselho editorial

João Read Beato
Fabrizio Boscaglia (Itália)
Duarte Drumond Braga
António Cardiello (Itália)
Paulo Feitais
Miguel Gullander
Cem Komürcu (Turquia)
José Lozano (Galiza)
Rui Matoso
Jorge Telles de Menezes
Rodrigo Petrónio (Brasil)
Romana Pinho (Brasil)
Cinzia Russo (Itália)
Isabel Santiago
Luís Carlos Santos
Maria Sarmento
Maurícia Teles da Silva
Ricardo Ventura

tradução e revisão de texto

Dirk-Michael Hennrich
Rui Lopo
Jorge Telles de Menezes
Luíz Pires dos Reys
Martina Weitendorf

comunicação e imagem

Sofia Costa Madeira
Tiago Lucena

direcção de arte

Luíz Pires dos Reys

design gráfico

Xénia Pereira Reys

edição

Âncora Editora

sede

Rua Carlos Ribeiro, 30 - 4º
1170-077 Lisboa

telefone + 351 918 113 021
(para lançamentos e apresentações)
mail: revistaentre2010@gmail.com
blogue http://arevistaentre.blogspot.com
facebook http://www.facebook.com/group.php?v=info&ref=ts&gid=230286389667


índice
entre portas
| editorial
a presentação
| enTre projecto
ensaio geral
| ensaios
paulo borges
a cultura entre ilusão e des-ilusão - para um nomadismo inter e trans-cultural

maria sarmento
uma cultura do ente face a uma cultura do entre - contributo para a compreensão de novos paradigmas interculturais

paulo feitais
a lusofonia não é lusófona, mas universal

rui lopo
contributo para a re-construção da ideia de universalidade - notas para um elogio crítico de Kant

ricardo ventura
conversão e conversabilidade: considerações sobre os relatos das religiões da Ásia na documentação do padroado português do Oriente (séculos XVI e XVII)

carlos silva
a vocação eremítica e diálogo intercultural – do único e sua diferenciação
fulgur acções | entre a sombra e a palavra: a luz

poesia | photo graphia

ilda castro felices radices
beat presser oásis de silêncio
adama tessituras
francisco soares simetrias
duarte braga os que presidem
rui fernandes natural draw
isabel santiago um Deus que diz a-deus
luiza dunas iniciação
dirk-michael hennrich aforismos
francisco soares oráculos
donis de frol guilhade antípoda rareza

éditos e
| inéditos

religião, filosofia e cultura raimon pannikar
crise global da economia e um ethos global hans küng
melquisedeque jean-yves leloup
os sujeitos culturais por vir françois jullien
da migração dos povos vilém flusser
apresentação dos inéditos de Agostinho da Silva amon pinho
aviso ao mundo agostinho da silva
sobre o “aviso ao mundo” de Agostinho da Silva miguel real
“de Pretérito mais que imperfeito”, diário inédito de Mateus-Maria Guadalupe agostinho da silva
sobre “De „Pretérito mais que imperfeito‟, diário inédito de Mateus-Maria Guadalupe” romana valente pinho

dest ‘ arte
| e da outra

o imperador do mundo miguel real
as Arquitecturas setecentistas de Piranesi, e a das Cidades Obscuras da BD de Schuiten do século XX: um elo artístico no trajecto do risco urbano inês do carmo borges

sobre escritos
|recensões

pós-colonialismo e estudos pós-coloniais em Portugal: três obras-chave (duarte drumond braga)
Daniel Coleman, “emoções destrutivas e como dominá-las, um diálogo científico com o Dalai Lama” (luis carmo)
a tradução do cânone budista tibetano (rui lopo)
Stephen Batchelor, “vivendo com o diabo, uma meditação sobre o bem e o mal” (josé eduardo reis)

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hoje sim amanhã não

Era terrível se não houvesse amanhã.
Se soubéssemos que isto tudo, pum.
E as bibliotecas em chamas.
E os heróis sem nada a fazer.
E os poetas com dores intestinais.
Eu chupava um rebuçado e aguardava serenamente o desfecho, saldando os pecados,
preparando duas mudas de roupa lavada,
uns quantos cigarros para o caso de a viagem para o outro lado ser longa.

Depois ligava a uns bons amigos e contava-lhes a última adivinha do século
ao mesmo tempo que lhes recomendaria calma.
Afinal de contas amanhã vamo-nos todos encontrar. Só que em outro lugar.
Despedia-me dos pássaros e das árvores,
olhava a terra com a leveza de uma música gregoriana,
aos meus vizinhos era um até já.
E, se ainda restasse um tempinho, terminaria um poema que anda comigo às voltas pelo mundo.
Algo sobre o amor de um peixe com uma gaivota.

Claro que tudo isto não passa de uma suposição já que ninguém vem cá dizer que esta loja universal vai encerrar para obras.
Divirto-me a calcular suposições, a tirar partido da minha ironia.
A fé está criando versões do original.
Os homens lamentam-se por saberem que a vida não é uma vida inteira.
Bem, já estou atrasado, já escuto um comboio a apitar que, por certo, fascinado em cortar os montes e os céus.
Se não houvesse amanhã acenderia um cigarro com os dedos,
dizia a deus: espera aí que já vou,
corria até ao mar para lhe dizer: sinto muito.
A dúvida é sim a maior certeza.
Amanhã pode estar calor mas o frio conserva melhor, até os pensamentos.
Portanto, antecipo a minha morte para amanhã,
porque hoje, ó porque hoje posso não estar aqui.

Que a Morte nos colha vivos, e não, como é de hábito, já meio mortos, aliás, suicidados.

- Agostinho da Silva

quinta-feira, 18 de março de 2010

MUITO OBRIGADO


Quanto mais endividados os países
mais altos juros pelos empréstimos
com que o altruista capital
diz AJUDÁ-LOS

P´RA PULAR


pelo mal que fez na vida
nada em morto há que o proteja
:
nem flores à Virgem na ermida
nem mil missas na Igreja

quarta-feira, 17 de março de 2010

sobre o que acontece (novo fascismo)

'a administração de uma grande segurança molar organizada tem como correlato toda uma microgestão de pequenos medos, toda uma insegurança molecular permanente, ao ponto que a fórmula dos ministérios do interior poderia ser:uma macropolítica da sociedade para e por uma micropolítica da insegurança'. gd

parece 'o ovo da serpente' do ingmar bergman(m).

é estranho mas cheira-se o retornar de algo velho/novo. pobreza, instabilidade, dividas e eis o fascismo. muito cuidado serpentinos que até vós os apolíticos serão condenados (e com o fascismo não é no espírito é na dor corporal).

à luta

terça-feira, 16 de março de 2010

variações sobre PEC


1 -Definição:
País em Estado Coma

2 - Quem nunca PECou - que atire a primeira pedra

"Era tão grande o seu amor por ela..."

"Era tão grande o seu amor por ela que teria conseguido levantar a tampa do caixão - se a flor que ela aí colocou não fosse tão pesada"

- Paul Celan, Contraluz, 1949.

ALQUIMIAS, de Ângelo Rodrigues

Introdução
Por Isabel Rosete

Erotismo, sensualidade, irreverência imagética, mesclados por um pensamento de fertilidade singular, que sempre tenta fugir à vulgaridade, ao ridículo do dizer comum das frases feitas, para isto ou para àquilo, tanto na presença dos temas ordinários, como perante a manifestação dos mais insólitos ou hilariantes, são os traços unificadores de Alquimias.

Entre a tanga e a treta ou a treta e a tanga (tanto faz!), entre Deus e o Diabo, ou qualquer outra silhueta do género, Ângelo Rodrigues caminha rumo a uma realidade realista (o pleonasmo é propositado) e quase-surrealista, num dizer marcado por uma poética da sensibilidade dos interstícios. Vai às entranhas do trivial e extrai-lhes o sumo e o miolo. Nada passa despercebido aos seus olhos microscópios inscritos numa alma de filósofo. Sim, de filósofo! Aquele que vê para além das aparências e que, tal como o poeta, que também é, sorve os pormenores das coisas-mesmas na sua essência primogénita.

Homens, mulheres, meninas, vampiros e outras criaturas que tais, estão, ao mesmo tempo que pairam e vagueiam, pelas páginas desta antologia policromática e multiforme. Mas, não são os únicos! Também há a Deolinda, os extra-terrestres, a vizinha do lado, o Sebastião e o Sócrates, o Soares e o Manel Feijão que, em competição ou não, partilham o mesmo “esperma sagrado” em qualquer “tourada à portuguesa”.

Espelhos e sonhos, bruxas e papas (sejam lá de quê!) envolvidos em estórias de incógnitas, mistérios, enigmas, por vezes esfíngicos, convidam o leitor a uma saga onde a Palavra – em poesia ou em prosa – fala mais alto, entre os anjos e os homens, entre o céu e o inferno. Mas antes, detenhamo-nos num passo intermédio: o Purgatório, onde os primeiros pecados são redimidos. E depois? Avança-se rumo ao infinito próximo da mortalidade a que estamos, irremediavelmente, sujeitos.

Todos os caminhos de bifurcam por entre o céu azul, a procura da verdade, algures por encontrar, no campo ou na cidade, em qualquer espaço deste mundo, ora visível, ora empoeirado ou enevoado, delimitado por um Tempo que sempre passa e só volta no ressurgimento das memórias do cantar e do celebrar.

Alquimias é, ainda, o esconderijo de muitos segredos onde o autor se revela, de um modo peculiar, também pelas letras das suas canções. Ao pensar e ao poetar, junta-se o musicar. A arte das musas, na sua linguagem universal, circunda o espírito do autor ávido do dito e do não-dito, acompanhado pelas aves do seu paraíso ou pelo cavaleiro das estrelas de um céu claro que lhe/nos indica um certo Destino.

Inventemos, exorcizemos…ousemos uma outra linguagem ou até uma meta-linguagem, de um certo ponto de vista, para dizer o aparentemente inefável, o que é encoberto por um pudor inexplicável, como se tudo no Homem e na Vida não fosse pura naturalidade. É este, seguramente, um dos grandes apelos de Ângelo Rodrigues, sempre para além ou para aquém de qualquer máscara ou dissimulação.

Um espírito sensível e sensibilizado, dialogante e afinado, como é o do autor, abrange e espalha-se por todos os lugares, até mesmo por aqueles que se mostram mais inacessíveis. Acompanha os passeios de Deus e os da Humanidade, bailando no centro das almas, nem sempre dispersas. Está, aí, em parte certa ou incerta, a escutar o Mundo na sua máxima exuberância ou esplendor, como Dionísio, em pleno estado de embriaguez, nas entranhas da Terra, sentindo com os instintos sem afastar a Razão, movendo-se pelo excesso (medido) de todas as hipérboles, ousadas ou não ousadas, mas sempre personificadas e presentificadas nas frontes de todas as noites iluminadas, esperando, expectante, na face oculta do Mistério.

Consagra-se como poeta, e como os poetas, aos silêncios falantes e à peregrinação, inevitável a todos os seres humanos, no campo da Verdade e da Imortalidade, num Éden, outrora perdido, que urge, agora, re-inventar.

Rejeita o tédio e a claustrofobia quotidiana para que não se lhe esgote a alma. Também busca o Amor, tomado como um propósito determinado e um fado (o fado fadado de todos os homens, sem excepção alguma), como uma força implacável que o move, consciente ou inconscientemente, sem eufemismos, na presença do perfume das rosas.

Aqui está, Ângelo Rodrigues, com as suas Alquimias, uma obra de um ecletismo incomparável – conto, poesia, prosa, canções, entrevistas, aforismos, filosofias e outras coisas que tais – acompanhado pelo desejo do Todo, da Plenitude, porém com impaciência, numa espécie de catarsis musical proporcionada pela linguagem das aves migratórias, tão errantes como ele próprio, que ao seu ouvido sussurram, iniciando-lhe e iniciando-nos uma espécie de terapia poética, rondante dos limiares do absoluto, entre os domínios da vida e da Morte, nem sempre em silêncio, nem sempre em oração.

E assim escapa às encruzilhadas paralelas do labirinto do Minotauro, pisando o fio de Ariana visível, quiçá, em qualquer noite de Lua cheia, de onde o nevoeiro se afasta, definitivamente. E porquê? “Porque sim!” Sem perplexão.

Bebamos mais um sonho possível na lúcida loucura das palavras inebriantes deste mago dos mais indecifráveis enigmas, entre o céu e a terra, os mortais e os divinos, num eterno-retorno do outro e do mesmo, por vezes, num certo lastro de dúvida metódica.

Isabel Rosete

Janeiro de 2009

Livro de Isabel Rosete "Vozes do Pensamento" - Uma Obra para Espíritos Críticos

Um livro intimista onde podem ler-me, integralmente, na mais pura transparência do meu
ser, existir, pensar e sentir. Também altruísta, no qual os actos ignóbeis dos homens são
condenados, dos pontos de vista ético, social e político, e os seus nobres feitos celebrados.

Exterioriza as vozes que há muito ecoam no meu pensamento, o qual viaja, por vezes hiperbolicamente,
por todos os lugares, na eterna busca pela Verdade, pela Sabedoria e pelas
essências das coisas-mesmas que, amiúde, se nos ocultam.

São pensamentos dispersos, vividos e por viver, projectados, sonhados ou recordados.Um
desabafo da minha Alma e do meu corpo sobre mim mesma e sobre o Mundo, tal como ele é
e se me apresenta em todas as suas dimensões.

Isabel Rosete

segunda-feira, 15 de março de 2010

país




“Com um coração de homem aqui lavra,
de certeza outro sangue e outro amor,
com um corpo de carne e outra maneira,
de lançar a carne com o vigor sobreposto dos dias,
em que abrimos os braços
e lá fora as armas,
se desfecham sobre a paz.

Conheço o mapa ,
amor,
conheço a história,
as salas sitiadas,
os teus ombros,
conheço o corpo,
amor,
conheço o rio onde se lava a carne,
que combate as ciladas,
os lagos, os jornais
as árvore, o fogo e a luz total!
conheço,
amor ,
conheço a tua carne
e o coração armado da cidade.”

Gastão Cruz
imagem: "Alice no País das Maravilhas", Tim Burton

DESAFORISMO

para pobre - sanção
e para rico>?
- Dalila?
Amor

peço-te que juntes todas as estrelas num monte
e mostra-me o pormenor do hálito do silêncio
Põe a escada pensativa para descer e vê quem sou
Abraça-me com modos às cegas
desse modo saberás então que em meu corpo o xisto brilhará

Escrevo porque o vinho é coisa muito
Se pensas que a Verdade não existe
Experimenta o diálogo com as águas
Os peixes virão à tona segredar-te
O que é o amor
Essa beleza predadora

Amor
O movimento de translação só é possível com a força do ódio
Mandemos parar o Tempo com um grito
Antes que a boca mastigue em vão
E o polvo que habita algures no corpo ressuscite

Não faças do silêncio uma eterna apólice
Recusa essa sábia beleza
Em minhas mãos terás o conhecimento da terra que fora revolvida
Onde o silêncio defeca com serenidade

Sei lá que montanha me dedica o seu desnorte
Sei lá que horizonte combina com o meu traje de poeta
Sabias que tenho vindo a adiar sucessivas mortes
E nada me deste

Lembro que em teu corpo perdi a consciência
Agora ando por aí como o fruto que não vai ter a mão nenhuma
Enrolado no útero da terra
Onde um bicho morde o ânus

Amor

Uma declaração censurada...

Movimento Outro Portugal e Jornal Outro




Actualização dos grupos de trabalho do Movimento Outro Portugal, um movimento para a criação de um país alternativo a um Estado dissociado da sociedade portuguesa. Um movimento com ideias verdadeiramente novas e onde se trabalha a sério, sem andar às cavalitas da actualidade política, sem manipular e se servir do nome de ninguém, sem falta de democracia e sem censura interna. Mais de 1300 adesões desde Novembro de 2009.

Consultem também a informação positiva do Jornal Outro, sobre tudo o que de novo e bom se faz no mundo: jornaloutro.blogspot.com

Grupo 1 – Comunicação
Ana Paula Germano
Ana Proença (apoio logístico a eventos) (mcunmani[at]gmail.com)
Ana Sofia Costa (asofcosta[at]sapo.pt)
Bernardo Almeida (nacibas[at]gmail.com)
Cristina Cabral (cristina-cabral2009[at]hotmail.com)
Helena Andrade (lenandrade555{at]gmail.com)
Luís Resina (luisresina[at]meo.pt)
Paulo Borges (pauloaeborges[at]gmail.com)
Sílvia Neto (sillnett[at]gmail.com)
Sofia Costa Madeira (coordenadora) (sofiacmadeira[at]gmail.com 
Tiago Lucena (tiagolucena[at]gmail.com)

Grupo 2 – Reconhecimento constitucional da senciência dos animais
Ilda Castro (coordenadora) (castro.ilda[at]gmail.com)
Marlene Dias (marl.ene[at]hotmail.com)
Pedro Sena (coordenador) (pedrosena[at]partidopelosanimais.com)
Pedro Taborda de Oliveira (plstno[at]yahoo.com)
Rui Almeida (mepc[at]sapo.pt)
Rute Pinheiro (pinheirorute[at]sapo.pt)
Vera Fonseca (vera.ff[at]gmail.com)

Grupo 3 - Economia/Energias alternativas
Carlos Ramos (coordenador) (carlos.silv.ramos[at]gmail.com)
João Alves Aguiar (joao.alves.aguiar[at]ist.utl.pt)
João Bolila (jbolila[at]gmail.com)
Rui Almeida (mepc[at]sapo.pt)
Tiago Lucena (tiagolucena[at]gmail.com)

Grupo 4 – Ecologia
Ilda Castro (castro.ilda[at]gmail.com)
Maribel Sobreira (maribel.sobreira[at]gmail.com)
Pedro Sena (pedrosena[at]partidopelosanimais.com)
Rui Almeida (coordenador) (mepc[at]sapo.pt)

Grupo 5 - Política
Bernardo Almeida (nacibas[at]gmail.com)
Carlos Ramos (carlos.silv.ramos[at]gmail.com)
David Amaral (coordenador) (david2002[at]sapo.pt)
Ethel Feldman (ethel.feldman[at]gmail.com)
Helena Caetano (helena.caetano[at]gmail.com)
José Serrão (jadserrao[at]gmail.com)
Mário Nuno Neves (MNNCMMAIA[at]hotmail.com)
Maria de Lourdes Alvarez (maria.lourd.alvarez[at]gmail.com)
Pedro Sena (pedrosena[at]partidopelosanimais.com)
Rita Uva (ritasuva[at]gmail.com)
Tiago Lucena (tiagolucena[at]gmail.com)

Grupo 6 - Educação e Cultura
Aldora Amaral (amaralaldora[at]gmail.com)
Cristina Castro (cristina.om.castro[at]gmail.com)
Cristina Moura
Duarte Braga (duartedbraga[at]gmail.com)
Duarte Soares (duarte.soares[at]gmail.com)
Dulce Alves (dulce.alves[at]gmail.com)
Fernanda Gil (fernanda.gil[at]gmail.com)
Fernando Emídio (fernandoemidio[at]gmail.com)
Helena Caetano (helena.caetano[at]gmail.com)
Helena Carla Gonçalo Ferreira
Henrique Areias (henriqueareias[at]hotmail.com)
Joana dos Espíritos
José Serrão (jadserrao[at]gmail.com)
Luís Resina (luisresina[at]meo.pt)
Luís Santos (lcsantos[at]netcabo.pt)
Manuel Fúria
Maribel Sobreira (maribel.sobreira[at]gmail.com)
Mário Nuno Neves (MNNCMMAIA[at]hotmail.com)
Paula Morais (paulamorais.mail[at]gmail.com)
Paulo Borges (pauloaeborges[at]gmail.com)
Paulo Feitais (coordenador) (paulofeitais[at]gmail.com)
Teresa Petrini Reis (theresapetrini[at]gmail.com)
Zé Leonel

Grupo 7 - Saúde
Ana Nogueira (ananogueira3[at]netcabo.pt)
Ana Paula Germano
Carlos Gonçalves (carloshomeopata[at]hotmail.com)
Celine Jacinto Rodrigues (celinejacinto[at]gmail.com)
Cristina Castro (cristina.om.castro[at]gmail.com)
Dulce Alves (dulce.alves[at]gmail.com)
Fernanda Vaz (sintra[at]portugraal.net)
Helena Andrade (lenandrade555[at]gmail.com)
Maria da Conceição Pinho
Marta Figueira (doulamarta[at]gmail.com)
Paulo Antunes (buenoantunes[at]gmail.com)
Paulo Ribeiro (sintra[at]portugraal.net)
Yara-Cléo Bueno (coordenadora) (yaradoulacleo[at]ymail.com)

Grupo 8 - Portugal, Lusofonia, diálogo entre culturas e religiões 
Ana Filipa Teles (filipateles[at]hotmail.com)
Cristina Moura
Dirk Hennrich (Dirk.Hennrich[at]gmx.ch)
Duarte Braga (duartedbraga[at]gmail.com)
Luís Resina (luisresina[at]meo.pt)
Moysés Gurgel (moyses.gurgel[at]gmail.com)
Paula Morais (paulamorais.mail[at]gmail.com)
Paulo Borges (coordenador) (pauloaeborges[at]gmail.com)
Rui Lopo (rui.lopo[at]gmail.com)
Sérgio Mago (sergio[at]sergiomago.com)

Paulo Borges (coordenação geral) (pauloaeborges[at]gmail.com)

Nota: nos emails a @ foi substituída por [at] para evitar o spam.

umoutroportugal.blogspot.com

No rescaldo do congresso do psd...


O país assemelha-se cada vez mais a um jogo de matraquilhos. (Isto não é uma piada de mau gosto sobre Paulo Rangel e a sua estatura política).

O Cavaco, quando só tinha cara de pau, não parecia tão mau.

Ao Santana ninguém engana, nem desengana.

João Jardim só perdoa quando a algibeira lhe doa.

Marcelo é fixe! O resto que se lixe!

Ministro dos Santos, falou no pavilhão Ministro dos Santos… Aqui está um homem que não precisa de GPS. E pode, de antemão, saborear a sua glória póstuma (coisa rara em Portugal).

Quem tem farelos? A Manuela? Nem vê-los!

O melhor era elegerem o José Sócrates como próximo líder do PSD. Escusavam de arranjar uma cópia pirata. Ainda por cima com a capa mal impressa, nota-se à distância que é artigo de feira.

- Ó Mendes! Bótas?

- Bóto!

- Olha: o Mendes Bota!

Há um boneco dos matrecos que tem excesso de massa consistente. (Isto não é uma piada de mau gosto sobre Marques Mendes e a sua estatura política).

Um dos candidatos escreveu um livro. Ou foi o livro que (d)escreveu o candidato? Não há problema desde que estejam impressos em papel reciclável.

Viva a lei da rolha! Há que salvar o sector da cortiça…

O futuro é daqui a duas semanas.

Se fores ao wc, puxa o autoclismo. Por algum buraco se entra no País das Maravilhas.

A crise está em crise. Os portugueses até isso conseguem estragar.

O PEC é mau. Pior seria se fosse bom, como é que um partido honesto chegava ao poder?

Aguiar Branco só vai lá se for Tinto.

Pedro Passos: Coelho à procura duma cartola. Jantar de gala ou jantar de galo: depende do resultado.

Dos quatro candidatos, não sei qual dos três é o pior…

O que nos fazia falta era termos só um Tino de Rãs. Ou rãs com tino!

O Capucho ficou vermelho de raiva porque a sua moção foi rejeitada. O Congresso é um lobo mau que papou a avozinha. Ou a avozinha veste-se com pele de lobo? Pelo menos não há cosméticos que lhe valham…

A maioria absoluta é o que nos vai salvar da depressão. Nas próximas eleições, as mesas de voto deveriam ser colocadas nas farmácias. Todos os votos deveriam ser genéricos. “Ganhou o género humano!”; “Bolas, assim não vamos lá!”.

domingo, 14 de março de 2010

Setembro dos Desgarrados

Sonhei com ela vezes sem conta. Lá o céu seguia colado ao meu coração. Os filhos eram de todos. E todos cuidavamos de todos. Era Setembro e eu sonhei com ela. A terra perdida - sempre a poente. O amor era salgado e salgava a nossa boca. Era Setembro e eu sonhei com ela. A terra dos desgarrados - de quem fugiu sempre a poente. Sonhei com ela tanto, que acreditei viver onde Canela e Petrónio descobriram como amam os casais apaixonados. Todos tinham filhos que eram de todos. Todos comiam o pão que era de todos. Em Setembro dos Desgarrados o céu segue colado ao coração - como se fosse um sonho.
Sonhei com ela - a terra onde existo.

Onde não se vai em busca de nada. Lá, onde tudo faz sentido.