quinta-feira, 20 de março de 2008
Distâncias
também, a atitude com que me aproximo de mim mesmo”.
Buber
quarta-feira, 19 de março de 2008
O vazio (2)
os fenómenos são contingentes
e, desse modo,
não existirem é uma possibilidade, tão real como a de existirem.
Por isso,
na visualização de um fenómeno, podemos negá-lo (mentalmente, com a outra possibilidade, a de ele não existir),
e ver o que se não pode ver, a saber, o vazio respeitante a esse fenómeno.
O fenómeno comporta, em si, a sua negação (e esta frase daria pano para mangas).
[edit: mas pergunto - serão os fenómenos realmente vazios ou inexistentes? Ou será que a realidade é plena? O que significa dizer que algo é substancial ou insubstancial, num sentido não lockeano de substância? O que é um sentido não lockeano de substância? Não sei a resposta a estas questões... mas penso, normalmente, que o mundo não é cheio/pleno, tal como apregoado nos textos taoístas - o vaso vazio - e que tudo assenta no vazio, isto é, no Nada... que chegamos a um ponto da nossa investigação em que nos deparamos com um Abismo que é coisa nenhuma e que dá para coisa nenhuma - falamos então do incriado, não só como nonada, mas como realmente Nada, Silêncio, Ausência, Não-Ser -, infinito... e isto caso queiramos manter o realismo e não um idealismo como parece ser o caso da doutrina Advaita Vedanta... uma grande questão é que tecemos e nos prendemos a elaboradas teorias que mais não são do que ilusões relativas a um mundo que é absolutamente fenomenal, como se de um sonho se tratasse - pergunto: haverá um mundo, uma existência, por mais ínfima que seja, para lá dos fenómenos? Ou tudo o que temos são fenómenos gerando fenómenos, sonhos gerando sonhos? Em que creio? Ainda não me decidi, mas creio, aparentemente e sem esforço meditativo, no Abismo... ligando este post ao anterior, qual será a melhor religião para mim? Eu, que tanto critiquei os monges, que até já pensei tornar-me num... Penso que tenho e temos de ter mais confiança nas nossas intuições, em busca de uma ontologia verdadeira... Paz.]
Religião - um remédio para a mente?
"As religiões são um remédio, no que diz respeito à relevância de seu papel na cura do sofrimento humano. Na prática da medicina, o que realmente importa não é o preço de determinado remédio, se é muito caro ou não, mas sim que ele cure a doença do paciente. De modo semelhante, há uma variedade de religiões com suas diferentes filosofias e tradições. O objetivo ou propósito de cada uma é curar as dores e a infelicidade da mente humana. Não é uma questão de indicar qual das religiões é superior. A questão é saber qual delas poderá curar com mais eficácia uma determinada pessoa."
petição internacional p/ Tibete
Esta é uma petição internacional pedindo ao governo chinês para respeitar os direitos humanos no Tibete e que procure dialogar com o Dalai Lama.Gostariamos que fosse assinada em todo o mundo pelo menos por 1 milhão de pessoas.Muito obrigado pela sua ajuda - basta clikar no link:
http://www.avaaz.org/en/tibet_end_the_violence/98.php/?cl_tf_sign=1
O bom de assinar uma petição é que tentamos mudar o mundo que nos rodeia.
Sileno Dançante
Mesmo quando ousa falar à multidão é com a alma que dança, o Sileno.
Sileno é o homem desterrado, ritmado pela profunda melodia do silêncio...Sileno silente que escuta o Nada...abre os braços para que ele se derrame como resposta à pergunta que não fazemos.
Sileno poeta, respondendo à pergunta que não formulamos…agora que partes, deixa que alguns te digam, Sileno:
há também os que dançam, como essa outra estátua que cobre o rosto e sozinha se dirige para o cais da partida, na Hora Absurda, e só não parte porque ainda escuta estes versos de uma tragédia que o não foi por lhe faltar a música e o coro…
"O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...
O teu silêncio recolhe-o [ao seu coração partido] e guarda-o, a um canto...
Ah, e o teu silêncio é um perfil de píncaro ao sol!
E o teu silêncio é uma cegueira minha..."
A cegueira com que contempla, a bailarina do Nada, as paisagens que não existem senão no interior das pálpebras fechadas. As paisagens da alma. Mas também ela chegará dançando e muda. A bailarina de rosto encoberto na vergonha e no medo.
terça-feira, 18 de março de 2008
O vazio
"Tentarei explicar a noção budista de sabedoria e seu tipo supremo: a concepção do vazio.
Entre os vários tipos, há a sabedoria de conhecer a variedade dos fenômenos e a de conhecer o modo de ser dos fenômenos. Entre essas duas sabedorias, a segunda - a sabedoria de conhecer o modo de ser ou a natureza final dos fenômenos - é mais importante. Essa é a sabedoria que compreende o vazio.
O que deve ser entendido pelo termo vazio? Há muitas maneiras diferentes de explicar o significado da palavra. Em certo sentido, significa compreender que a pessoa não é permanente, unitária e auto-suficiente. No budismo, todas as escolas concordam com esse tipo de compreensão do vazio. Então, em nível mais sutil, trata-se do vazio da auto-suficiência de uma pessoa, ou seja, a pessoa tem uma natureza, e a mente e o corpo têm naturezas outras além daquela da pessoa. É como um senhor e dois súditos; isto é, em sua natureza, o senhor (pessoa) é distinto dos súditos (mente e corpo). O vazio significa que não existe o estado de pessoa (senhor) separado da mente e do corpo (súditos); que esse tipo de estado é inexistente, ou vazio. Mas há também outro nível de noção errônea quanto à natureza de uma pessoa, no qual vemos a pessoa e a mente e o corpo como sendo da mesma natureza essencial, mas ainda concebemos a pessoa como o chefe, e a mente e o corpo como subordinados que recebem ordens.
Na Escola da Mente Única e na Escola do Caminho do Meio do budismo, também se fala sobre a noção errônea de um 'eu-dos-fenômenos' e sobre uma ausência (ou vazio) de um 'eu-dos-fenômenos'. Nesse sentido, a Escola da Mente Única fala de dois tipos de noções errôneas básicas. Uma é a de que sujeito e objeto são diferentes entidades. A outra noção errônea é a de que os fenômenos existem por meio de seu caráter próprio como referentes de nossas palavras e de nossos pensamentos conceituais sobre eles. Portanto, a Escola da mente Única ensina que há um vazio desses dois tipos de status.
Na Escola do Caminho do Meio, fala-se sobre a noção errônea de que os fenômenos existem de fato ou essencialmente. Como isso é considerado algo que se deve negar, fala-se também, nessa escola, de um vazio da verdadeira existência dos fenômenos. Dentro da Escola do Caminho do Meio, são feitas mais distinções. Uma tradição, a Escola da Autonomia, sustenta que os fenômenos que aparecem para uma consciência não imperfeita - uma consciência que não tem nenhum tipo superficial de erro - de fato existem convencionalmente. Mas então o que eles consideram como verdadeira existência quando dizem que os fenômenos são vazios de verdadeira existência? Para essa tradição, o falso status é que os fenômenos não são firmados à força de se tornarem aparentes para uma consciência não imperfeita, mas são estabelecidos por meio de seu modo exclusivo de ser. Esse status é a verdadeira existência que está sendo negada ou declarada vazia.
Na outra Escola do Caminho do Meio, chamada Escola da Consequência, o pensamento final de Nagarjuna é descrito por Buddhapalita, Chandrakirti e Shantideva. Nesse sistema final, a maneira como os fenômenos aparecem para a consciência não imperfeita - se é que eles existem - é o que deve ser negado no vazio. Na verdade, os fenômenos não existem daquela maneira; existem apenas nominalmente. Assim, o vazio é a ausência desse status exagerado dos fenômenos - como se existissem por conta própria. Portanto, o vazio de tal existência inerente aos fenômenos é a mais sutil não-essencialidade dos fenômenos. E, por fim, esse é o fato percebido pela sabedoria."
Mensagem privada a uma Camélia
E eu digo: “abrasa-me”. E tu fazes-te em braços.
É neste momento que a camélia, escondida, se ruboriza e a página tinge-se
sem perfume.

Contributos para uma Botânica Feminista:
Sei que tu tens um gineceu. Eu também tenho um androceu. Se fossemos coerentes, nem sequer falávamos. (L)íamos.
Leio-te em braile, cega de tanto te esperar.
Parafraseando as Especialistas:
Amo-te com as pontas dos dedos.
apud Tratado de Botânica, Quasi, 2007
Uma brisa primaveril do Norte
http://www.wardruna.com/home/index.html
Ando a ver se convenco o artista a participar neste blogue e a escrever um artigo para a Nova Aguia.
Espero que gostem, ja;)?
Dia 19, Vigília - Boicote à compra de produtos chineses !
Perante a gravíssima situação de opressão, violência e violação dos direitos humanos no Tibete e na própria China pelo governo chinês, e perante a passividade real dos governos mundiais, para os quais só contam as questões económicas, tem de ser a comunidade civil a tomar medidas efectivas que obriguem o governo chinês a recuar.
Exortamos assim a que se inicie e divulgue um boicote sistemático à compra de produtos chineses em Portugal e em todas as partes do mundo. Deixemos de ser cúmplices com a construção de uma grande potência económica à custa da opressão e exploração do seu próprio povo, do genocídio do povo tibetano e do apoio a regimes ditatoriais como o da antiga Birmânia !
Passem, divulguem e pratiquem !
Amanhã, 4ª feira, dia 19, 19.00, Vigília em frente à Embaixada da República Popular da China (Rua de São Caetano à Lapa, Lisboa).
Não faltes ! Traz uma vela e um Amigo !
Divulguem !
Subscreve a petição on line:
http://www.PetitionOnline.com/Tibete08/petition.html
ORGANIZAÇÃO:
Grupo de Apoio ao Tibete http://grupodeapoioaotibete.blogspot.com/
União Budista Portuguesa Tel: 21 363 43 63 ( www.uniaobudista.pt)
CONTACTO (Media):
Tm: 91 811 30 21
segunda-feira, 17 de março de 2008
abelha do bem me traga o mal
mel doce com carne de sol
o bem não tem gosto, falta o sal
o mal é o ultimo arrebol
no céu, ai tem tanta bondade
na terra, não sinto nenhuma verdade
quem ama as nuvens, sente o bem
minhoca na terra a gente tem
tem tudo de tudo no mundo fatal
a mente é nu e matinal
cola o bem na cabeça do mal
quem gosta serpente-coral
quem ama veneno nas veias
quem ama as grande sereias
a odisseia é minha e tua
gosto o dia e gosto a lua
Tao?
"Há uma realidade mesmo anterior ao Céu e à Terra.
Evidentemente, ela não tem forma, muito menos um nome;
Os olhos falham em enxergá-la,
Ela não tem voz que os ouvidos possam captar.
Chamá-la Buda ou Mente viola sua natureza,
Pois ela então se torna uma ilusória flor no espaço;
Ela não é mente, nem Buda;
Absolutamente tranquila e ainda brilhando de misteriosa maneira,
Ela só se deixa perceber por um olhar puro.
Ela é o Darma completamente além da forma e do som.
Ela é o Caminho que nada tem a ver com palavras.
Querendo atrair o cego,
O Buda divertidamente deixou palavras
Escaparem de sua boca dourada;
Céus e terra então se emaranharam em ramos de roseira brava.
Ó meus bons e respeitáveis amigos aqui reunidos!
Se desejardes ouvir a estrondosa voz do Darma,
Esgotai vossas palavras, esvaziai vossos pensamentos,
Só então podereis reconhecer essa Essência Una,
Pois assim diz o irmão Hui: - 'A Lei de Buda,
Não é para ser abandonada aos meros pareceres humanos.'"
Ressurreição
Agora já está tudo melhor, tal é a efemeridade das crises e das não-crises.
É verdade que disse adeus, mas a vontade de continuar neste espaço é maior.
Assim, com a vossa permissão, agora ressuscito e aqui continuarei, embora de forma mais ponderada e diferente - mais calma.
Espero que a minha contribuição seja interessante.
Um bem haja para todos.
domingo, 16 de março de 2008
Manchester, Inglaterra
Os urros de dor de todas as almas castradas pela razao predadora que governa o mundo.
Velha Albion, gasta pela tua corrida sem fim na Roda da Fortuna ... Que julgavas ser um caminho recto que te levaria ao Santo Graal, mas acabou aprisionando-te num circulo que se estreita cada vez mais na tua garganta ...
Tu que tantas vezes olhas para nos com desdem, levanta os teus olhos cansados: Nao estaremos a espera do mesmo Encoberto?
Nao seria D. Sebastiao o teu velho Artur rejuvenescido pelas brisas do sul e o amor das Tagides?
Nao serao as chuvas do teu ceu as lagrimas de um coracao que se calou a si mesmo para sobreviver a ilusao do real?
Não à Violência, Sim à Paz
Repudiamos os actos opressivos e violentos de todos os governos que visam estrangular aquilo que é mais precioso no ser humano, a vida, a liberdade de ser, a identidade cultural de um Povo.
Senhores tiranos deixem em paz quem sempre contribuiu para a harmonia universal! Aprendamos a lição do Tibete, escutemos a voz dos oprimidos e dos verdadeiros Mestres!
Reconhecemos a pertinência e urgência das iniciativas empreendidas pelo M.I.L. no sentido do restabelecimento da Paz.
Quem com ferros mata com ferros morre, assim diz o provérbio. Que a revolta não seja violenta, mas que a História se encarregue de devolver a Paz.
“O reino que virá é o reino daqueles que foram crucificados em todas as épocas, por todas as políticas e por todas as ideologias, apenas porque acima de tudo amavam a liberdade e a consideravam, não ao medo, às restrições e à força, como o grande motor do mundo”
Agostinho da Silva, Textos Pedagógicos II, Educação de Portugal,
Âncora Editora, p.93
free tibete

o Dalai Lama está neste momento a fazer uma declaração na India em directo na CNN
