O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Caminho da Santidade

«Permite, Senhor, que vá primeiro sepultar o meu pai.» Tornou-lhe Jesus: «Deixai os mortos sepultar os seus mortos. Tu, porém, vai e proclama o Reino de Deus.»
»Seguir-te-ei, Senhor, mas primeiro, permite que vá a casa despedir-me.» Respondeu-lhe Jesus: «Quem empurra o arado e torna a olhar para trás, não é idóneo para o reino de Deus.»
Lucas, IX; 62
José Flórido, Reencontrar Agostinho da Silva o Poeta e o Poema, Zéfiro, p.89
(...)

Segunda Velha:
Eu tinha um marido muito bom, cumpridor, amigo da sua família. Bem me custou educá-lo na obediência, no dever e na regra, a trabalhar para que nada faltasse. Mas, depois que o ouviu [Jesus], fez-se santo e ninguém o pode aturar. Exaltando-se: Quem é que pode aturar um santo? Um santo é um desastre para uma família; pelo menos, enquanto está vivo. Um homem que nã tem costumes, que dá tudo o que tem, que dá o ordenado, que sai e entra a toda a hora, diz o que sente e não quer saber da família!
Um Homem:
A verdade.
Segunda Velha:
Que é santo e que depois que é santo se tornou o escândalo do meu bairro e se dá com a canalha da rua! Um chefe de repartição! E falta à repartição, falta a tudo, até falta aos seus deveres conjugais, depois que é santo!
Raul Brandão e Teixeira de Pascoaes, Jesus Cristo em Lisboa, tragicomédia em sete actos, Assírio e Alvim, 2007, pp.42-43
(...)
Será o amor imparcial/objectivo pela humanidade compatível com o amor parcial/subjectivo pela família? Não serão as obrigações conjugais um entrave para o pleno cumprimento do homem/humanidade? Implica a renúncia o abandono de entes familiares e amigos?