O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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terça-feira, 2 de março de 2010

mais uma vez (para lembrar que é preciso clarear)

'nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é portugal a entristecer-
brilho sem luz e sem arder,
como o fogo-fátuo que encerra.

ninguém sabe que coisa quer.
ninguém conhece que alma tem.
nem o que é o mal nem o que é o bem.
(que ânsia distante perto de chorar?)
tudo é incerto e derradeiro.
tudi é disperso, nada é inteiro.
ó portugal, hoje és nevoeiro...

é a hora!

valete, fratres


fernando pessoa, mensagem,iii os tempos, quinto, 'nevoeiro'