Salvador Dali,"Galatea de las Esferas"(1952)
“Como a nossa época está à procura da palavra que exprima o espírito que a habita, numerosos são os nomes que invadem o proscénio, pretendendo todos serem os melhores. Por todos os lados se manifesta o mais diverso fervilhar de partidos e em torno da herança apodrecida do passado reúnem-se as águias do momento. Os cadáveres políticos, sociais, religiosos, científicos, artísticos, morais e outros, abundam por todo o lado e, enquanto não forem todos consumidos, o ar não se purificará e a respiração dos viventes continuará opressa.
Sem a nossa participação, a nossa época não achará a palavra justa, pelo que todos deveremos trabalhar nesse sentido. Mas, se é certo que esta é a nossa tarefa, poderemos com razão perguntar o que se fez e se conta fazer connosco. Teremos de nos interrogar acerca da educação que nos deverá tornar capazes de sermos os criadores dessa palavra. Procura-se desenvolver conscienciosamente a nossa disposição para nos tornarmos criadores, ou antes, somos tratados como criaturas cuja natureza apenas admite a amestração? Esta questão é tão importante quanto qualquer das nossas questões sociais; na realidade, é mesmo mais importante, visto estas repousarem nesta base decisiva. Sede completos, e assim efectuareis algo de realizado. Sê 'em ti mesmo o teu próprio culminar' e dessa maneira, também a vossa comunidade e a vossa vida social alcançarão a culminância”.
Max Stirner, “O falso princípio da nossa educação”, in “Textos Dispersos”, Via Editora, Lisboa, 1979, pág. 63 e seg.