O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Caça

«Não será coisa mais fatigante do que agradável ouvir latir a ladrar os cães? Será mais agradável ver um cão correr atrás de uma lebre do que vê-lo correr atrás de outro cão? Se é a corrida que dá prazer, ela existe em ambos os casos. Não será antes a esperança de ver o morticínio e a carnificina que tornam a caça apaixonante? Como não preferir abrir a alma à piedade, como não ter horror dessa carnificina em que o cão forte, cruel e ousado, dilacera a lebre fraca, tímida e fugitiva?
Tomás Morus, A Utopia, tradução de José Marinho, Guimarães editores, Lisboa, 2009, p.112