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terça-feira, 8 de setembro de 2009
Ouro Mundano

«Espantam-se os utopianos de que seres razoáveis possam deleitar-se com o fulgor incerto e vário de uma pedra preciosa, quando lhes é dado fruir da luz das estrelas e do Sol. Consideram louco o que se julga mais nobre e mais digno de apreço por se cobrir de lã mais fina. Admiram-se de que o ouro, de sua natureza inútil, tenha adquirido valor fictício tão considerável, chegando a ser mais estimado que o próprio homem, embora tenha sido este que lhe deu aquele valor e o utiliza segundo lhe apraz.
Tomás Morus, A Utopia, tradução de José Marinho, Guimarães editores, Lisboa, pág.103
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Orgulho
«Mas o orgulho, essa paixão feroz rainha e mãe de todas as chagas sociais, opõe invencível resistência a essa conversão dos povos. O orgulho não mede a felicidade pelo bem-estar pessoal mas pela extensão dos sofrimentos que causa aos outros homens. Nem o orgulho seria o que é se não houvesse desgraçados a insultar e a tratar como escravos, se o luxo e a felicidade não fossem fruto das angústias da miséria, e se a exibição das riquezas não torturasse a indigência e lhe acentuasse o desespero. É o orgulho uma serpente do Inferno que se introduziu no coração dos homens, os cega com o seu veneno e os faz abandonar o caminho de uma vida melhor. E este réptil liga-se de muito perto à carne do homem para que seja possivel arrancá-lo.
Tomás Morus, A Utopia, Tradução de José Marinho, Guimarães editores, Lisboa
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