
- Hoje não vamos à escola porque houve uma revolução!
Estremunhada pela emoção que lhe sentia na voz, que carregava aquela palavra desconhecida de uma carga mágica, sentei-me na cama e perguntei-lhe:
- O que é uma Revolução, Mãe?
Não fiquei muito entusiasmada com a explicação. Porque haveriam de querer afastar o senhor mais lindo da RTP ( logo a seguir ao Eládio Clímaco, claro está)?
Aprendi muito nos anos que se seguiram mas, aquela não foi a minha Revolução! Contudo, a poesia da música que deu o sinal aos Coronéis de Abril ainda continua a fazer sentido, ecoa profundamente dentro de mim. Ainda choro quando oiço a raça da canção. Desculpem este desabafo; é mais forte do que eu! Lamento também, se vos incomodo mas vou obrigá-los a ouvir as palavras de José Niza, que o Paulo de Carvalho canta, inflamado pela música de José Calvário:
Era uma Saudade extrema que me rasgava, uma ausência sem fundo, como se aquela letra contivesse uma mensagem que me era dirigida pessoalmente, por alguém de quem me havia esquecido. Assim começou a minha demanda, a pior das Sedes: - Perguntar: Quem sou? O que faço aqui? De quem me esqueci?
( continua...)