
Ela trazia romãs para saudar a manhã
Não. Ela era a romã saudada
A manhã trazida nos lábios
Os lábios segredam
O invisível correr dos rios fundos.
O rumor da língua indizível dos astros.
Não digo o rumor visível
Oiço a imaginação dos frutos
Frutifico na língua a romã
Imagino o ninimaginável:
A língua abrasadora da manhã
Desdobra o vento em véu
O oiro nasce
Na matéria original do fruto
Maria Sarmento