O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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terça-feira, 16 de junho de 2009

Comunhão



Um poema
que se dissolvesse
em silêncio na boca
como uma hóstia
Um poema de quem se dissesse
como se diz de Jesus:
“Eu sou a Verdade e a Vida.”
Nesse poema me faria atar
como Cristo
pelos pés e pelas mãos
e pela boca
ao Silêncio que me nasceu
Como rosa no mar.
Boca de espuma.


Rosa em ondas levada
Ofélia de mim
Amor lavado em sal
Purificado, Amor de Marear
de mareado: de (A)marar
exaltado de vinho e de jejum.
Rosa de Sharon
Amor divino,
brilho, Luz, beleza
Rosa de morrer
Viventes penas
De luzente mar
De me dissolver:
em ardente rosar.


Um poema silente
como um beijo
de Amado,
Ó meu Amigo sonhado.