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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Laboratório do Alquimista,
(in Amphitheatrum Sapientiae Aeternae, de Heinrich_Khunrath, 1595)
Se houver um palácio sem porta, talvez seja a porta.
Se houver uma casa sem tecto, talvez seja a casa.
Natália Correia, "Elegia dos Amantes Lúcidos",
in Poesia Completa, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2000, pág. 159.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
O anjo do Ocidente

“No topázio mais triste da minha clarividência, apareceu-me o anjo do Ocidente. Tropeçava de sombra em sombra e a espada com que guardava os jardins com buxos de livros da Europa despedaçara-se em números que espavoridos fugiam uns dos outros. Um horizonte de canções blindadas cantava a parábola das cidades brancas cobertas por noites laboriosas de formigas. As estátuas cambaleavam no alto de temerosos pensamentos. As catedrais eram levadas por um vento de elevadores endemoninhados. Mulheres a arder em revistas ilustradas faziam strip-tease para latas de conserva boquiabertas. E a Europa fugia para trás. Fugia parada na louca pulsação do seu movimento estático. E a Europa era a triste viuvinha no meio de uma roda de crianças que matavam índios num filme americano.
Desatei então a correr para o sítio onde se chora. O sítio onde se chora é na penumbra pensativa. No quarto de estalactites da alma onde se fazem poemas. Mas notei que no meu pranto faltava uma lágrima e essa lágrima era Portugal. Percebi finalmente que Portugal era eu a chorar trevos de cinza pela Europa.”
Natália Correia, “O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro”, in “Poesia Completa”, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2000, 2ª edição, pág.361.
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