O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


Mostrar mensagens com a etiqueta José Angél Valente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Angél Valente. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"De amigo"

E olla meu amigo.
Agora
perante nós
o nada xurde derradeiro
coma toda orixe.

Olla no valeiro do ver.

Aonde, dime, agora, ou en cal peito
baixaría a mañán
para alumear os páxaros
que endexamáis voaron
das miñas maus ao dia.

Imaxe de ninguén
em tódollos espellos.

A ponla do mencer
esmoreceu na noite
e ti no irse
meu eu de min.
O nada.

E olla meu amigo.

- José Angél Valente [Orense, 25.4.1929-Genebra, 18.7.2000], Cántigas de alén, in El Fulgor, Antología poética (1953-2000), Barcelona, Galaxia Gutenberg/Círculo de Lectores, 2001, p.342.