O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Eros-Saudade

Dizem-me que a primavera é o tempo do amor e que o amor (se) entrega ao cavalo lustroso, inocente e selvagem que entra na alma como em casa própria… E que o amor é o corpo dessa face selvagem. Eu acredito que o tempo vem às estações da alma, para lembrar que o não somos. Mas em fé, por dentro da alma aberta em vento: passagem, paragem, e poisagem, eu tenho para mim outro mês para a paixão, outra estação para o Amor. È com tristeza alegre, alegria triste que o cocheiro conduz os cavalos para além do Hades, para além do Fado. Eros-Saudade há-de ser a face exultante, o músculo e o nervo desse cavalo de fogo. Mas ai, alma do mundo! a sombra nos meus olhos há de ser a fonte eterna onde ele bebe a Divina Saudade, o Paraíso. É outono nessas águas e amo essa flor que bebe águas tão fundas que de mim me esqueço para encontrá-lá. E em mim exulto para recebê-la em sombra e em luz.