O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Haiku

Nuas por fora
prenhes de verde por dentro
as árvores esperam.


David Rodrigues
Estações Sentidas. 111 Haiku, 2007
Indícios de Oiro, Edições, Lda


como nos diz o próprio poeta "Talvez a grande sedução do haiku seja o seu carácter conciso. Ainda que sem uma fórmula rígida, espera-se que o haiku tenha aproximadamente cinco sílabas no primeiro verso, sete no segundo e, de novo, cinco no terceiro" (Rodrigues 2007, cit. in Estações Sentidas. 111 Haiku, p. 9)

ainda no dizer do poeta "hacaísta" brasileiro Paulo Franchetti "Haikai não é a síntese, no sentido de dizer o máximo com o mínimo de palavras. É antes a arte de, com o mínimo, obter o suficiente"

Segundo Gonçalo M. Tavares "Se pensarmos com a fita métrica na cabeça diremos que há pouco para ler, no entanto a leitura de um Haiku É muito mais lenta do que o normal. Ler um Haiku é, de certa maneira, voltar de novo à experiência de aprender a ler, de ler como uma criança -letra a letra - como se a visão fosse menos ver do que tocar" (cit. in prefácio Estações Sentidas. 111 Haiku, 2007)