O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 1 de abril de 2008

Resposta ao Paulo Borges

É mesmo verdade: Tudo nos beija e abraça mas nós, na nossa visão e sentir limitados, recusamos todo o Amor que o Universo nos dá. Com muita frequência, aprendemos cedo demais a não gostarmos de nós mesmo, a imaginarmo-nos “menos que” e por isso obrigados a mostrarmos que somos “tanto quanto” para nos sentirmos merecedores de viver.

Á custa do desamor de nós mesmos e das desilusões com a vida que tal desamor propicia, aprendemos a rejeitar, por vezes de forma violenta, todos os “mimos” que o Universo nos oferece, pois no fundo de nós mesmos temos medo de que sejam condicionais, que tragam consigo a expectativa de que nós tenhamos de provar que somos “tanto quanto”, ou então que nos sejam tirados da mesma forma inesperada e incontrolável como nos foram oferecidos.
Por isso, com muita frequência preferimos nos acomodar a um cinzentismo sem grandes sobressaltos do sentir do que correr o risco de entrar na montanha russa que é a aceitação dos “mimos” que o universe nos oferece.

Digo isso pois eu própria padeço (e quanto) desse pecado. Que vocês e o Universo inteiro me perdoem.

“Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procure.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Esta da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacaia.”

Hilda Hilst (Do Desejo, 1992)

A Criança Mística


[Olhar analogicamente, como faz a criança, é viver em estado continuado de mística relação com o mundo …A criança não tem crenças: descobre presenças e pertenças]

I e D, junto ao Mar, esperando a última onda e o nascimento de Margarida descobrem que será urgente ensinar-lhe, primeiro pela formação da impressão no olhar, depois pela palavra e pelo silêncio, como é que o Mar fala com o Céu. O que se aproxima do Mar pode conseguir chegar ao Céu. Porque o que quer que seja que se possa dizer sobre um e sobre outro, é pouco mais do que a relação entre silêncio e linguagem e é preciso que se aprenda essa relação ainda antes de aprender a Língua, uma Língua. A relação entre silêncio e linguagem só pode ser clarificada à luz da relação e da experiência que o verdadeiro religioso, o verdadeiro contemplador, sente quando, no silêncio, pressente a mudez de Deus e torrentes refluxivas de palavra o convocam para a profecia inaudita da sua existência. Só o religioso, só o contemplador pode, pelo pensamento analógico mais do que lógico ou judicativo, descobrir na expressão e na comunicação entre o Mar e o Céu, a via para a sua particular e universal comunicação com o Ilimitado. E também entre os outros elementos da natureza: o olhar religioso – todo o contemplativo é religioso – conhece afinidades que o estudioso das morfologias não desoculta. O religioso pensa que o Mar fala para e com o Céu, na medida em que o que é numinoso reconhece o que é numinoso e que entre um e outro há agentes do Silêncio. A relação meramente morfológica das coisas esconde a relação criacional ou sequencial com que o Sem Nome ditou o aparecimento das mesmas. Olharão, como repetirão com ela, nas horas que precedem a dor – essas são de impossível leitura, as páginas da Vida tingem-se de uma cor ilegível para o olhar e são impermeáveis aos fluxos do coração – a frequência das ondas e a formação das nuvens. A formação das ondas e a destruição das nuvens. Seguirão o rastro do pintor e do músico que, escondido, compõe o efémero e, todavia, irreproduzível e inimitável pelo artista humano. Deixaremos, concordam, que aprenda, antes do caderno dos desenhos, o quanto é tudo possível antes da imaginação humana. Demoraremos, pensam, as horas que a Necessidade demorar para preencher os seus sentidos internos e externos com as paisagens visíveis e invisíveis. I e D acreditam que Margarida se concentrará no diálogo, com tradutor, entre a cor do Mar e do Céu, e decifrará a relação entre a pontuação dos sons exclamativos do Mar e os reticentes e interrogativos do Céu, para então, depois da lenta iniciação aos movimentos e aos sons da Natureza, do olhar e só depois de escutar, aprender a ler.
Talvez um dia, pensam com aquela parte da alma em que florescem desejos que são meras aspirações à Beleza, ela perceba que o Mar é tão numinoso quanto o Céu, que na espuma do Mar, nas ondas que se revoltam em confusão de branco e água em agitada convulsão, há uma espécie de vento falante, inquietante, lamuriante, proveniente do Céu mas que também contém a oração dos aflitos. Desejam, também, que ela não tema orá-la nem tema senti-la. Se ofereça aos dias e às horas da Vida em que se forma no humano a Grande Aflição. Nesses dias, como nas paisagens afins às de Mar e Céu, Homem e Sofrimento, a onda ergue a sua água esbranquiçada e revolta e, acima do audível do Mar, como a mão do aflito que acima do rosto reza, implora, entregando a aflição às agentes silenciosas do Céu, nesses dias, em que o Mar submerge as preces excessivas e incontivéis da linguagem humana e as eleva ao Céu, Margarida entenda que há seres criados que desfazem o enigma do nó pré-lógico dos soluços e dos suspiros. Que entenda que essa decifração do som da dor, não o podendo fazer o Mar sozinho, o faz invocando as agentes do Silêncio. As gaivotas. As gaivotas chegando de zonas inomeáveis e antiquíssimas, do branco com que o Tempo veste o que é de outrora, e regressando indistintamente ao Mar e ao Céu, do Mar e do Céu num grande bailado orquestrado pelos acordes da alma lacrimosa, essas agentes de asas muito brancas, pintadas aqui e ali de uma cor indefinida como a dor, entregam traduzido o indiscernível que a linguagem humana emite em tom plangente à linguagem divina igualmente plangente ao que é o Silêncio, ao que é Sem Nome. E, se um dia Margarida perguntar como se traduz o inumano da linguagem na linguagem sem nomes do Sem Nome, I e D, pensam responder-lhe o que por ora sabem: as agentes do Silêncio, inversamente aos homens que são agentes do ruído, sabem a Língua única que a tudo une.
Neste momento da sua espera em frente ao Mar e ao Céu, I e D lembram-se de uma frase velha de Agostinho, rezar é chorar, as confissões são um livro de lágrimas. I e D sabem que não têm uma forma comum de rezar nem de chorar. Mas que esta espera é uma confissão: sentem que é possível a explicação dos pássaros. Prometem explicar à Margarida os pássaros, os agentes do Silêncio, as agentes eleitas do Mar e do Céu. Pensam, com o coração enternecido, que Margarida receberá deles uma verdade invisível aos olhos. Pensam que em cada dia é urgente descobrir uma verdade sem contornos lógicos, para além da crença, para educar uma criança, visto que Margarida, apesar de tudo, vai ser humana. Margarida deverá ser ensinada a olhar a Natureza, anterior à sua espécie, mas mais próxima do grande Mito. Explicar-lhe-ão, visto que foi gerada no Mar, as gaivotas. Com efeito, quando sobre ela, como sobre todos os humanos caírem os dias aMARgos e, dias naturais sem palavras lhe secarem a água viva da voz, sem viva voz chorar e desejar comunicar, I e D esperarão que ela consiga a proximidade com as que no Silêncio agem e entregam ao grande Descodificador da dor o seu incomunicável sentir. Explicar-lhe-ão, nos dias de aprendizagem dessa aproximação, a importância de ver as Ideias sem as palavras e da propedêutica dessa aprendizagem na especial contemplação das gaivotas. No seu bailado. É preciso que aprenda que não devemos dizer senão o que ocupa primeiro um espaço rítmico na alma, depois que não devemos lamentar senão o que for incomunicável quer ao humano quer ao divino. Gostariam, pensam, na contemplação da espera, que a Margarida se sentisse uma flor do Mar, margarida, do jardim submerso do Mar. Gostariam, desejam na contemplação de um sonho, que a Margarida aprenda a cantar com os pássaros e com eles a tarefa mais difícil do tradutor, escutar nas diferenças a unidade, o mesmo. Gostariam, sem porquê, na contemplação do mundo que esta criança por vir não tema brincar às escondidas com o Sem Nome e o procure seguindo as pistas dos pássaros ou das agentes do Silêncio.
Nesta fase I e D terão de acompanhar a contemplação das gaivotas com as narrativas bíblicas e do arcaico livro sumério de Gilgamesh em que se diz que o único homem imortal recolhia todos os bichos que mereciam ser salvos do ruído.
Margarida perguntará o que é o ruído. Por nunca o ter ouvido no vente, nas paisagens. Responder-lhe-ão que o “ruído” é a maior distância possível a Deus, a incalculável distância ao divino. Margarida não perguntará quem é Deus. As crianças conhecem bem não só essa distância dos adultos ao Sem Nome, como intuitivamente sabem todos os caminhos para encontrá-Lo(s) e assim desfazerem a distância. Estar directa e imediatamente com Ele. Sendo que as crianças são místicas criaturas entre as criaturas e procuram Deus no Universo com mais atenção do que os adultos a pérola na ostra. Então, talvez Margarida conclua:
- As ondas são as mãos do mar.
É possível que lhe respondam:
- Com efeito, filha, na espuma do mar, no marulhar das ondas que se revoltam ou somente se voltam para nós, há uma espécie de vento falante, inquietante, lamuriante, que torna as ondas as mãos do crente numa oração de aflitos. A onda ergue a sua água espumosa e revolta acima do nível do mar como a mão acima do rosto que reza, que implora. Agostinho disse que rezar é chorar.
Margarida poderá dizer:
- Das ondas saltam lágrimas grossas, como nos homens muito felizes ou muito tristes. Mãe, pai, mas e as gaivotas? - perguntarão em coro.
- Há sempre gaivotas quando o mar chora…Mãe, as gaivotas podem ser os anjos? Atrás dos homens que sofrem não estão anjos invisíveis? Não tendo corpo, os anjos não podem escolher todos os corpos permeáveis ao Bem e à anunciação? O Mar numinoso, sagrado, perigoso tem mais gaivotas a acompanhá-lo do que todas as paisagens da Terra. Deus confessa-se às gaivotas. Por meio delas lembra-lhes que há inumano na linguagem…
[Provavelmente I e D entreolhar-se-ão] Ela continuará na inesgotável via das analogias. - As penas dos anjos são as penas dos homens. Não haveria anjos se não houvesse homens que sofrem. Nesse sentido, I e D responderão com assentimento feliz:
- Sim Margarida. As gaivotas são como corpos de anjos. Essas são as criaturas que substituem a voz directa de Deus no Paraíso. Mas os homens não escutam as penas do mundo. São indiferentes às gaivotas.
Inquieta com a observação perguntará:
- Mas no Paraíso não haveria Mar, nem gaivotas?! O Paraíso era um jardim com duas árvores ancestrais…como pode o Mar ser Deus e Deus escutar o que provém do Mar?
- Margarida – dirão I e D – depois de Deus ter atravessado desertos, ter enviado os profetas, dos profetas terem regressado sem cabeça, como João, de ter escutado o lamento de Job, Deus chorou. O Jardim do Paraíso está submerso no Mar. No céu Deus terá chorado, criado, sem a tarefa nomeadora de Adão, o Mar. Mas o Homem não lhe aprendeu o som, nem visitou o seu Jardim.
Compreendendo que Deus tem muitas razões para chorar de infelicidade, porque os homens são criaturas impacientes e desligadas do seu fundo, de tudo o que é fundo, Margarida percebeu como as gaivotas mais não são do que anjos e as agentes privilegiadas do Silêncio. Os anjos posteriores ao desgosto de Deus perante a humanidade. As Gaivotas terão vindo depois das lágrimas incontidas de Deus ou do Sem Nome.

- Mãe – indagou desfeita em lágrimas – por que contemplam e rezam tão pouco os homens?
- Pouco…como pouco? – perguntará a mãe.
- Olho o Mar mãe, olho sempre o Mar, e o jardim não se vê. Os anjos não param de esvoaçar, mas nenhum Homem lhes entrega nada para além da sua desatenção…
- Vêem-nas mãe?
Não sabendo que responder, mas tendo percebido, I e D, que Margarida sabia olhar, tomaram-na nua nos braços e contaram-lhe a canção da justiça de Rilke. Para que as analogias fossem a sua esplendorosa e ilimitada forma de olhar. Que fosse sempre o olhar a guiar a pergunta, para não se fechar nela e descobrir mais horizontes do que caminhos.

Para a Inês, a Mariana, o Fábio que regressam hoje da neve, do jardim branco em que brincaram com o Anjo da História e encontraram vestígios do mundo intacto e também para o Obscuro, que sendo da luz, prefere aparecer à noite. Mas para nós, que não somos estudiosos das ciências, também a neve branca do que escreve, mesmo sendo escura no abscôndito da noite negra, é clar(o/i)vidente e alva como ao alvor. Para o João, para quem nunca preparei uma aula de Filosofia da linguagem a partir de Benjamin, e a quem devo o raio do sol abrasador com que acende luz na minha esperança apagada. E, porque gostaria que escrever fosse, como pensar, uma forma de agradecer e agradecer procurar os frutos desconhecidos para entregar aos que semeiam no nosso espírito desejos de pensamentos raros, que a esses este texto também chegue. Esse, ou esses, não tendo nome sentem que estão no âmago desta dedicatória. Entre eles também os que ainda não nasceram e são esperados ou são ou estão encobertos mas ajudam a pensar.








segunda-feira, 31 de março de 2008

Tudo te beija, envolve e abraça. Tudo rejeitas. Queres imaginar-te só quando a cada instante estás na cama com o universo.

Olá, como estás companheira?

Olá, como estás companheira?
Anda, vem-te sentar
Senta-te à minha beira
Temos tanto para falar.

Companheira, então, que me contas?
Que tens tu aprontado?
Temos as malas já prontas?
Ou está tudo desarrumado?

Calma, estou na brincadeira
Espera, não te vás embora
Vá... senta-te à minha beira
Conta-me coisas agora:

"O que queres que te diga?
Que vimos um mundo a dois?
Toma o meu beijo, amiga
Hmm... abres os olhos depois."

Próximas Actividades

Caros Amigos,

De regresso do VI Encontro Agostiniano na Ilha da Graciosa (Açores), e ainda sob a inspiração da antecipação das Festas do Espírito Santo neste lugar, com quase todas as Irmandades e Foliões da ilha reunidos e a coroação das crianças, chamo a atenção para algumas actividades muito próximas: 1 - hoje mesmo, consoante a notícia a seguir, mais uma concentração pela causa tibetana; 2 - no dia 2, o 4ª Encontro Inter-Religioso de Meditação, desta vez na Comunidade Hindu de Lisboa; 3 - o Colóquio inaugural da APER, sobre Religião e Religiões, em 4 e 5 de Abril; 4 - o novo ciclo de cursos livres na Associação Agostinho da Silva, sendo o primeiro o meu curso sobre o V Império (em Camões, Vieira, Pessoa e Agostinho da Silva), no dia 4, pelas 18 h 00 m (para mais detalhes ver a coluna de "Actividades", no lado direito do blogue).

Sejam bem vindos !

Concentração e Vigília frente ao Comité Olímpico de Portugal
Travessa da Memória, 36 – Ajuda, Lisboa

2ªfeira – 31 de Março – 19h00

Protestos, vigílias e cerimónias de oração pelo Tibete terão lugar em todo o mundo, no dia 31 de Março, quando a Tocha Olímpica chegar a Pequim, de modo a focar a atenção no sofrimento do povo Tibetano, na sequência da recente repressão Chinesa.

Tibetanos no exílio e apoiantes do Tibete apelam à retirada das áreas Tibetanas do percurso da Tocha Olímpica, afirmando que celebrar a Tocha Olímpica Chinesa e sua respectiva "Viagem de Harmonia" no Tibete, enquanto o povo Tibetano é esmagado pelas forças militares Chinesas, é uma abominação que deve cessar.

Mais de 150 organizações de apoio ao Tibete apelaram ao Presidente do Comité Olímpico Internacional, mediante carta enviada há duas semanas, solicitando o cancelamento da passagem da Tocha Olímpica por áreas Tibetanas. As organizações enviaram também cartas aos patrocinadores do percurso da Tocha – Coca-Cola, Lenovo e Samsung - apelando à retirada do patrocínio, até o Tibete deixar de constar no percurso da Tocha, e apelará agora aos Comités Olímpicos Nacionais de modo a que apoiem este apelo.


ORGANIZAÇÃO:
Grupo de Apoio ao Tibete - http://grupodeapoioaotibete.blogspot.com/ grupodeapoioaotibete@gmail.com

União Budista Portuguesa –
http://www.uniaobudista.pt/ Tel: 21 363 43 63

APOIO: Amnistia Internacional – Secção Portuguesa

CONTACTO (Media) - Tm: 91 811 30 21

Que é feito do resto da malta?

domingo, 30 de março de 2008

Vaishnava Janato (Narasinh Mehta) - Em memoria de Mahatma Ghandi

Esta era a oracao favorita de Mahatma Ghandi.
Quem sabe se ela nao concentra a essencia da "libertacao" que nos tao ardentemente procuramos?
Aqui esta uma interpretacao magnifica no filme "Water" de Deepa Mehta:
http://www.youtube.com/watch?v=PGSf5SIWi1E 
Vaishnav jan to tene kahiye je         
[One who is a vaishnav]            
PeeD paraayi jaaNe re         
[Knows the pain of others]          
Par-dukhkhe upkaar kare toye         
[Does good to others, esp. to those ones who are in misery]           
Man abhimaan na aaNe re         
[Does not let pride enter his mind]          
Vaishnav...                  
SakaL lok maan sahune vande         
[A Vaishnav, Tolerates and praises the the entire world]          
Nindaa na kare keni re         
[Does not say bad things about anyone]          
Vaach kaachh man nishchaL raakhe         
[Keeps his/her words, actions and thoughts pure]          
Dhan-dhan janani teni re         
[O Vaishnav, your mother is blessed (dhanya-dhanya)]                  
Vaishnav...          
Sam-drishti ne trishna tyaagi         
[A Vaishnav sees everything equally, rejects greed and avarice]           
Par-stree jene maat re         
[Considers some one else's wife/daughter as his mother]         
Jivha thaki asatya na bole         
[The toungue may get tired, but will never speak lies]         
Par-dhan nav jhaalee haath re         [
Does not even touch someone else's property]         
Vaishnav...          
Moh-maaya vyaape nahi jene         
[A Vaishnav does not succumb to worldly attachments]         
DriDh vairaagya jena man maan re         
[Who has devoted himself to stauch detachment to worldly   pleasures]         
Ram naam shoon taaLi laagi         
[Who has been edicted to the elixir coming by the name of Ram]         
SakaL tirath tena tan maan re         
[For whom all the religious sites are in the mind]         
Vaishnav...          
VaN-lobhi ne kapaT-rahit chhe         
[Who has no greed and deciet]         
Kaam-krodh nivaarya re         
[Who has renounced lust of all types and anger]           
BhaNe Narsaiyyo tenun darshan karta         
[The poet Narsi will like to see such a person]          
KuL ekoter taarya re         
[By who's virtue, the entire family gets salvation]         
Vaishnav... 

sábado, 29 de março de 2008

A Fraternidade da Rosa-Cruz

O Encoberto

Que símbolo fecundo
Vem na aurora ansiosa?
Na Cruz morta do Mundo
A Vida, que é a Rosa.

Que símbolo divino
Traz o dia já visto?
Na Cruz, que é o Destino,
A Rosa, que é o Cristo.

Que símbolo final
Mostra o sol já desperto?
Na Cruz morta e fatal
A Rosa do Encoberto.



Convido-vos a lerem, através do link abaixo, o 4ºManifesto da Antiga e Mística Ordem da Rosa-Cruz.
Muitas das suas posições são bastante semelhantes, e algumas até idênticas, ao ideal agostiniano.

http://www.amorc.org.br/manifesto.pdf


«Pouco importam as ideias políticas, as crenças religiosas, as convicções filosóficas de cada um. Os tempos não estão mais para divisão, qualquer que seja sua forma, mas para união; para a união das diferenças, a serviço do bem comum. Nisso, nossa Fraternidade conta em seu quadro com cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, hinduístas, animistas e mesmo agnósticos. Reúne também pessoas que pertencem a todas as categorias sociais e representam todas as correntes políticas clássicas. Homens e mulheres nela têm um status de total igualdade e cada membro goza das mesmas prerrogativas. É essa unidade na diversidade que faz a pujança do nosso ideal e da nossa egrégora. Assim é porque a virtude que mais prezamos é a tolerância, isto é, precisamente, o direito à diferença. Isto não faz de nós sábios, pois a sabedoria abrange muitas outras virtudes. Consideramo-nos antes filósofos, ou seja, literalmente, “amantes da sabedoria”.»

sexta-feira, 28 de março de 2008


Deitado aqui neste leito

Deitado aqui neste leito
Para ti estendo a mão
Toca-a bem junto ao teu peito
Ouve a sua canção.

Que te diz minha jóia?
Que estás a imaginar?
Não percas o senso da história
Pois com ela vais-me beijar:

"É uma mão bem vivida
A mão que seguro e vejo
Em mim está bem acolhida
Aceita, amor, o meu beijo."

Ah... como é doce o sabor!
Do beijo que me beijou
Quão longe me leva, amor
Tão leve... não sei onde estou.

Experiências místicas, sujeito e vacuidade

Segundo o que me parece, a descrença absoluta na realidade é na maioria das vezes mais uma crença do que propriamente um verdadeiro conhecimento (gnose). Concordo com a afirmação do Paulo Feitais: se dissermos simplesmente que a realidade é uma ilusão ficamos aprisionados "do lado fora" da gaiola. É uma crença muito aliviadora e libertadora, sem dúvida, mas não deixa de ser uma crença. Quem lê e compreende intelectualmente, por exemplo, o nono capítulo do "Caminho do Bodhisattva" de Shantideva, alcança um grande alívio e libertação, sem dúvida. Mas há uma grande diferença entre uma compreensão conceptual de que a realidade é ilusória e o conhecimento gnósico dessa mesma questão. Se todos vivemos experiências místicas viradas do avesso que havemos de fazer? Alguém sabe virá-las para o lado certo? Se sabe, que nos ensine. O que sei é que enquanto houver um sujeito que "sente" e que pode dizer "eu sinto" e "eu experimento", a experiência é subjectiva, e por mais que eu tenha compreendido os argumentos que me convenceram de que o "eu" e a realidade não existem, eu continuo a experimentar uma forma de subjectividade. A insubstancialidade da realidade começa por ser uma crença; à medida que se vai aprofundando o processo de des-subjectivização, a crença vai-se tornando aos poucos em gnose, o que exige um trabalho de investigação sobre a natureza da mente e da percepção dos fenómenos, inclusive o fenómeno do sentimento. Se depois da compreensão da vacuidade determinados sentimentos deixaram de me fazer sofrer e até acabaram por desaparecer, então deu-se gnose, diluiu-se parte da subjectividade, desligou-se, nalgum lado, a ligação corpo-mente, o que implica questões neuro-químicas, psíquicas e psicológicas (e não há psicologia sem símbolos, e não há símbolos sem hermetismo e misticismo). Mas se eu espetar uma agulha no braço e sentir dor, então essa ligação, nesse ponto, está intacta, há ali um sujeito, portanto estou ao nível da crença quanto à insubstancialidade do real, pois se houvesse gnose não sentiria qualquer dor. E se alguém cortar a mão a um ser iluminado como Buda, o que acontece? A mão cai ou continua presa ao braço como se esse ser fosse um holograma totalmente insensível e insubstancial? Até onde actua o conhecimento da vacuidade sobre aquilo que conhecemos como as leis físicas da realidade?
A ligação corpo-mente é onde reside a subjectividade, é a partir da relação com o corpo que se cria a noção mental de "eu" ou "sujeito". A relação corpo-mente (sentimento e sensibilidade) é simbólica, parece-me difícil que se consiga explicar como se dilui o sujeito psíquico sem o recurso aos símbolos, e aí entramos na estética e no mistério (experiências místicas) da criação: criação da vida pela sexualidade, criação de prazer e beleza pelo erotismo, mas também pela arte (e aqui entramos no Orfismo e na relação Diónisos/corpo/êxtase--Apolo/mente/ascese). Se concebermos a realidade como um poema, como uma obra de arte, tudo é simbólico, a História é simbólica, mesmo as ciências são simbólicas, ou seja, a realidade é simbólica, a realidade é um mito, tudo é Mito (o que acaba por ser uma forma de "nadificação"). Fica por resolver, contudo, a questão ética: se tudo é mito, por que temos que passar por esta existência ilusória? O que nos motiva para a acção? Por que motivo a nossa missão é a de criarmos condições neste planeta (inexistente?) para a instalação de um Quinto Império? (providencialismo?) Não acho que esta existência terrestre seja a única experiência existencial (ilusória ou semi-ilusória ou ilusória só até certo ponto); tal como Giordano Bruno, acho que há muitos outros mundos existenciais, infinitas dimensões existenciais. A vacuidade é só mais uma peça do puzzle, não creio que tudo se fique por aí.

quinta-feira, 27 de março de 2008



"Todas as pessoas têm a sua própria estrada viva para o céu. Até que caminhem nessa direcção, são como bêbados que não sabem dizer qual e o caminho.
Então, quando começam a caminhar nesta estrada e deixam para trás a sua confusão, é com eles a escolha do caminho a tomar - já não estão sujeitos às orientações arbitrárias dos outros."

Mestre Zen Mi-An

"[B]e kind to nerds, chances are you'll end up working for one." (Bill Gates)

E os resultados estão à vista ...

"White & Nerdy"

"Weird Al" Yankovic - White & Nerdy:

http://www.youtube.com/watch?v=-xEzGIuY7kw

Tenho notado uma coisa interessante neste blogue: Um desejo, partilhado por várias pessoas, de transcender a humanidade, os espartilhos da carne, da emoção, do desejo, da falta e do pensamento e de serem só voz, só palavra, só energia. Não terem rosto, não terem nome, não terem idade, não terem nacionalidade, não terem casa, não terem país, não terem laços.

Relacionarem-se apenas através do verbo, abstraindo-se de tudo o que os/as possa identificar com uma forma humana.

Tudo bem, quando já se viveu plenamente tudo o que a condição humana tem para oferecer e se deparou com a sua insubstancialidade.

Tudo mal, quando ainda não se viveu até ao fim o que ainda temos de viver.

Ainda pior quando não é uma escolha, mas sim o resultado de uma imposição. Espero que nenhum de vocês tenha vivido a experiência de ser obrigado a ser apenas palavra, apenas intelecto, apenas abstracção, por o meio que vos rodeia não reconhecer o vosso direito a ser plenamente humano, e por os nossos delírios cerebrais e pseudo-mistico-poéticos alimentarem o ego das pessoas que mais importam para nós, e o nosso ego também, por "procuração".

Porque valorizamos tanto a palavra? O que é que a palavra, seja ela em poesia ou em prosa, tem assim de tão místico ou tão transcendente que não tem o tacto, a visão, a audição? Será a palavra assim tão mais valiosa do que uma carícia? do que uma gargalhada? Do que o contemplar a visão de um belo ser? Do que partilhar uma refeição? Do que alimentar alguém? Enxugar as suas lágrimas? Limpar os seus dejectos? Aturar as suas birras? Segurar os seus cabelos quando vomita na retrete? Curar as suas ressacas?

Porque insistimos tanto em nos projectarmos para uma dimensão o mais abstracta possível? Do que temos medo? Que condicionalismos nos levam a tal?

Vários de vocês são professores e estão conscientes do quanto o sistema de ensino, que ganha corpo na vossa voz - sim, na vossa voz, nas vossas palavras! - e nos vossos gestos contribui para reprimir, para destruir a criatividade dos vossos alunos, para os formatar em peças úteis ao sistema que, como disse o Paulo Feitais, têm um prazo de validade, tornado cada vez mais curto pela governabilidade neo-liberal?

Seremos nós o produto acabado da mesma máquina repressiva que tanto criticamos?

Será a nossa ânsia de ir além da mente, dos conceitos, das palavras, através do uso os próprios instrumentos que tanto vilificamos, a espressão acabada da nossa alienação, da nossa distorção enquanto seres humanos?

Então o descalabro acontece quando essa pantomina se transforma numa forma de vida e acaba por se tornar uma forma de pagarmos as nossas continhas ao fim do mês.

Sim, quando recebemos as nossas bolsinhas de estudo para escrevermos teses escaganifobéticas que mais fazem do que distorcer ainda mais a realidade e só serão lidas por mais meia dúzia de cópias de toscos como nós.

Quando damos as nossas aulinhas, orgulhosos diante do quadro ou do projector e injectamos os nossos alunos com uma dose mortal de tédio que irá destruir toda a energia que eles deveriam estar a consumir no relvado, na praia, na montanha.

Quando publicamos os nossos livrinhos, amontoado de papel que na maioria das vezes pouco mais servirá do que para confirmar o complexo de superioridade que meia dúzia de seres igualmente distorcidos têm em relação ao resto da humanidade.

Ao olhar para os bichos-caretas que se congregam nas universidades, principalmente ao nível de pós-graduações (coitada da muidagem que tem de aturar isto por pensar que é a única maneira de arranjar um emprego decente), dou 100% de razão aos meus colegas de liceu que me achavam um bicho-careta por me embrenhar tanto em política internacional, economia e literatura quando tinha à frente do meu nariz o esplendor do mar, do céu e da sensualidade do viver Algarvio.

Quem no seu juizo perfeito vai deixar de viver tudo isso pelas promessas vãs da "cultura", da "carreira" e do "reconhecimento" proporcionados por uma vida construida sobre os frágeis alicerces da verbosidade? De graus académicos, de convívio com intelectuais e artistas igualmente verbosos, narcisistas e desencarnados, por ver o seu nome impresso em algum lugar, por ter o prazer sádico de ver jovens vidas passar pelo mesmo processo de alienação do corpo, da natureza e da essência da humanidade que nós passamos faz alguns anos ...

E ainda por cima continuando nisso, tendo plena consciência da loucura que isso implica. É loucura mesmo ... Ou um caso extremo de alienação do que realmente importa ...

Se trabalho numa universidade, afogando o meu ser em enxurradas de palavras todos os dias, é por ter plena consciência de que não sei fazer mais nada.

Um dia parti sem saber

Um dia parti sem saber
Que estava então a partir
Foi quando te sorri ao escrever
A vida que urgia florir.

Um dia parti sem saber
Que estava então a guardar
Lembranças para o entardecer
Que nele far-me-iam chorar.

Um dia parti sem saber
Aquilo que não saberei
Se passaste por mim a correr
Se fui eu que parei.

Um dia parti sem saber
Estranho... sinto que não parti
Mas como se estou a morrer?
A morrer de saudade de ti.

O pensamento do homem é falível
mas tu, errante de estrelas
conheces o arcano caminho
pois não sendo ele um só
é o reenchente de todos.

O pensamento do homem é variável
tal estrela cadente de céus infindos
no entanto alteias a lança furtiva
estandarte cantante face ao inimigo
ao enganador de evoluções.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Friendly Feudalism - The Myth of Tibet

Um amigo iconoclasta envio-me este artigo:

http://www.michaelparenti.org/Tibet.html

Gostaria de saber a vossa opinião.

Na mística viagem da vida

Na mística viagem da vida
O farol assinala a lonjura
Que parta e se não sinta perdida
Cumprindo o que sempre perdura.

O caminho é de névoa e de treva
No escuro há-de parar
Que se livre de tudo o que leva
E recorde do farol o brilhar.

O caminho então transmutar-se-á
E verá por breves momentos
Que a chave do que há e não há
É chave que a livra dos tempos.

Na mística viagem da vida
Encontrará por fim o esplendor
Que é derradeira subida
Sem medo, dúvida ou dor.

Dualidade - Experiência mística do avesso



The Kills - Love is a deserter

One eye in the sun, one in the night
Sleep tight, sleepwalk like honey, honey
Oh my, capital I LOVE U
Put it in a letter honey
I could kiss you underwater
I could in the rearview mirror
XO, took my heart and crossed it
Set it down and lost it
Set it down and lost it
Say it again...

Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Your love is a deserter
Your love is a deserter

One eye in the sun, one eye in the night
Sleep tight, sleepwalk like honey, honey
When you want me, you got me where you want me again
Say it again!
If it's personal, say it again!

Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Your love is a deserter
Your love is a deserter

Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out

You got one eye as white as a bride
The other eye, as black as the devil
It's alright!
Oh oh, oh oh oh oh oh!
Oh oh, oh oh oh oh oh!

Crossed wires, sparking a little
Start a house fire with us in the middle
It's alright!
Oh oh, oh oh oh oh oh!
Oh oh, oh oh oh oh oh!

Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Your love is a deserter
Your love is a deserter

Your love is a deserter
Your love is a deserter

Não sei se gostam mas eu ainda não parei de gingar.