sábado, 5 de abril de 2008
O que não vacila...
Sem estados de alma
Tronco de aço
Braços em brasa, em asa
Voa a direito, sem vacilar
Para Ele, os ventos são apenas sons
Com eles compõe a sua valsa
Para Ele, não há marés
Apenas o Azul, o Silêncio, o Horizonte
Ergue-se indiferente às vagas
Na Dança, unívoca, da Vontade
Em eterno retorno, em eterno tornar-se
Focado, tão-só, na Visão
Não vacila, simplesmente é-o...
É o...
sexta-feira, 4 de abril de 2008
aceno
Passo a passo
Companheira
Nos aproximamos
Da infinita câmara
Para o repouso
Também ele
Partilhado
E sem fim
Com seus silêncios de pedra.
Lá
No oriente eterno
Em que dormimos
Estaremos apenas quietos
Camarada.
Por breves instantes
Os nossos passos
Se acompanharam
Lado a lado
No fulgor encarnado por encantos
Na partilha alegre das montanhas
Na extensão dos vales e dos mares
Na consentida presença
Companheira
No mesmo pão mastigado
Sobre as duras pedras
E as flores
Do caminho
Também ele
Interminável
Também ele
Animado –
E, ele também, solitário
Com seus cantos de cigarras.
Só mais um, antes de te silenciar
-Charles Bukowski-
Genius of the Crowd
there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average
human being to supply any given army on any given day
and the best at murder are those who preach against it
and the best at hate are those who preach love
and the best at war finally are those who preach peace
those who preach god, need god
those who preach peace do not have peace
those who preach peace do not have love
beware the preachers
beware the knowers
beware those who are always reading books
beware those who either detest poverty
or are proud of it
beware those quick to praise
for they need praise in return
beware those who are quick to censor
they are afraid of what they do not know
beware those who seek constant crowds for
they are nothing alone
beware the average man the average woman
beware their love, their love is average
seeks average
but there is genius in their hatred
there is enough genius in their hatred to kill you
to kill anybody
not wanting solitude
not understanding solitude
they will attempt to destroy anything
that differs from their own
not being able to create art
they will not understand art
they will consider their failure as creators
only as a failure of the world
not being able to love fully
they will believe your love incomplete
and then they will hate you
and their hatred will be perfect
like a shining diamond
like a knife
like a mountain
like a tiger
like hemlock
their finest art
A condição humana
May, chorando Kyo morto:
«Aquela morte esperava qualquer coisa, uma resposta que ela ignorava, mas que nem por isso existia menos. Ó sorte abjecta dos outros, com as suas rezas, as suas flores fúnerbres! Uma resposta que superasse aquele desespero que arrancava às suas mãos carícias maternais que nenhuma criança recebera dela, o espantoso apelo que faz falar aos mortos pelas formas mais ternas da vida.»
André Malraux, A condição humana (sublinhado meu).
Bukowski: The Secret of My Endurance
http://www.youtube.com/watch?v=iCrn1LDDoRc&NR=1
I still get letters in the mail, mostly from cracked-up
men in tiny rooms with factory jobs or no jobs who are
living with whores or no woman at all, no hope, just
booze and madness.
Most of their letters are on lined paper
written with an unsharpened pencil
or in ink
in tiny handwriting that slants to the
left
and the paper is often torn
usually halfway up the middle
and they say they like my stuff,
I've written from where it's at, and
they recognize that. truly, I've given them a second
chance, some recognition of where they're at.
it's true, I was there, worse off than most
of them.
but I wonder if they realize where their letters
arrive?
well, they are dropped into a box
behind a six-foot hedge with a long driveway leading
to a two car garage, rose garden, fruit trees,
animals, a beautiful woman, mortgage about half
paid after a year, a new car,fireplace and a green rug two-inches thick
with a young boy to write my stuff now,
I keep him in a ten-foot cage with a
typewriter, feed him whiskey and raw whores,
belt him pretty good three or four times
a week.
I'm 59 years old now and the critics say
my stuff is getting better than ever.
Charles Bukowski: Poetry and Motion
http://www.youtube.com/watch?v=r1e5Jeh2Fk0&NR=1
Há indícios de que, não obstante os excessos cometidos durante toda a sua vida e a atitude irónica em relação a tudo o que existe (ou talvez por causa dela), Bukowski tornou-se Budista nos últimos anos da sua vida:
http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Bukowski
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Sabes, às vezes queria
Que fosse sempre noite
"Porquê?". Porque de dia
Não tenho onde me acoite.
Não tenho onde me acoite
Sinto-me desprotegida
Que fosse sempre noite
A minha única amiga.
A minha única amiga
Sem ela não posso viver
Sinto-me desprotegida
Em constante morrer.
Em constante morrer
Será para sempre assim?
Sem ela não posso viver
A vida que não mais tem fim.
Diário da Manhã
Um horizonte mais claro e luminoso
Fácil será dizer que somos bons, compreensivos, tolerantes, mais fácil ainda será acusar, julgar e punir. Mas é nesses momentos em que a prova chega, nesse doloroso confronto com a perda, a ameaça e outros vislumbrados caudais lamacentos, que se revela a genuína essência e o Ser autêntico se impõe e manifesta.
Sempre que o perdoador e o perdoado se entregam ao mesmo gesto, um Sol mais alto se levanta e o horizonte do mundo fica mais claro e luminoso.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
3 de Abril - 18.00 - Encontro informal do MIL e lançamento de "Perspectivas sobre Agostinho da Silva", de Renato Epifânio
Vimos por este meio convocar-vos para um primeiro encontro informal na nossa sede, na Associação Agostinho da Silva, Rua do Jasmim, 11, 2º (junto ao Príncipe Real, em Lisboa, na próxima quinta-feira, dia 3 de Abril, às 18h00. Será na ocasião lançado o livro Perspectivas sobre Agostinho da Silva (Zéfiro), da autoria de Renato Epifânio, com apresentação por Paulo Borges.
Estarão igualmente disponíveis os primeiros prospectos da secção portuguesa do MIL, já visualizáveis no nosso site: www.movimentolusofono.org
Estes prospectos, auto-colantes, serão o nosso cartão de apresentação e pedimos a todos que os distribuam (caso não possam vir levantá-los à Associação, poderão enviar-nos um pedido para que os entreguemos por correio).
Nota de apresentação: O MIL - MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO - é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, projecto que conta já com cerca de meio milhar de adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida por Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar no nosso blogue (novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, dos mais diferentes locais do país e de fora dele.
Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.
--
NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI/ ÓRGÃO DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
http://www.novaaguia.blogspot.com
--
MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
ÓRGÃO: NOVA ÁGUIA, REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)
Vá que é de borla.
Gute Nacht
Franz Peter Schubert (1797-1828)
Wilhelm Müller (1794-1827)
Fremd bin ich eingezogen,
Fremd zieh' ich wieder aus.
Der Mai war mir gewogen
Mit manchem Blumenstrauß.
Das Mädchen sprach von Liebe,
Die Mutter gar von Eh', -
Nun ist die Welt so trübe,
Der Weg gehüllt in Schnee.
Ich kann zu meiner Reisen
Nicht wählen mit der Zeit,
Muß selbst den Weg mir weisen
In dieser Dunkelheit.
Es zieht ein Mondenschatten
Als mein Gefährte mit,
Und auf den weißen Matten
Such' ich des Wildes Tritt.
Was soll ich länger weilen,
Daß man mich trieb hinaus?
Laß irre Hunde heulen
Vor ihres Herren Haus;
Die Liebe liebt das Wandern -
Gott hat sie so gemacht -
Von einem zu dem andern.
Fein Liebchen, gute Nacht!
Will dich im Traum nicht stören,
Wär schad' um deine Ruh',
Sollst meinen Tritt nicht hören -
Sacht, sacht die Türe zu!
[Ich schreibe nur im Gehen
An's Tor noch gute Nacht]1,
Damit du mögest sehen,
An dich hab' ich gedacht.
terça-feira, 1 de abril de 2008

Oh, noite de luar coroada,
Não fora a obscena alvura,
Desflorada pela alvorada.
Generoso é teu negrume,
Esplendoroso teu apagar,
Que a própria luz traz velada,
Pr’ à das estrelas exaltar.
