O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 4 de abril de 2008

Uma Homenagem a Gabriela Llansol

aceno

Passo a passo

Companheira

Nos aproximamos

Da infinita câmara

Para o repouso

Também ele

Partilhado

E sem fim

Com seus silêncios de pedra.

Lá

No oriente eterno

Em que dormimos

Estaremos apenas quietos

Camarada.

Por breves instantes

Os nossos passos

Se acompanharam

Lado a lado

No fulgor encarnado por encantos

Na partilha alegre das montanhas

Na extensão dos vales e dos mares

Na consentida presença

Companheira

No mesmo pão mastigado

Sobre as duras pedras

E as flores

Do caminho

Também ele

Interminável

Também ele

Animado –

E, ele também, solitário

Com seus cantos de cigarras.

Sendeiros sem glória do fiel hússar



Qual Condição Humana?

http://youtube.com/watch?v=J0yVoxUQ7Q8

Só mais um, antes de te silenciar

-Charles Bukowski-

Genius of the Crowd

there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average
human being to supply any given army on any given day

and the best at murder are those who preach against it
and the best at hate are those who preach love
and the best at war finally are those who preach peace

those who preach god, need god
those who preach peace do not have peace
those who preach peace do not have love

beware the preachers
beware the knowers
beware those who are always reading books
beware those who either detest poverty
or are proud of it
beware those quick to praise
for they need praise in return
beware those who are quick to censor
they are afraid of what they do not know
beware those who seek constant crowds for
they are nothing alone
beware the average man the average woman
beware their love, their love is average
seeks average

but there is genius in their hatred
there is enough genius in their hatred to kill you
to kill anybody
not wanting solitude
not understanding solitude
they will attempt to destroy anything
that differs from their own
not being able to create art
they will not understand art
they will consider their failure as creators
only as a failure of the world
not being able to love fully
they will believe your love incomplete
and then they will hate you
and their hatred will be perfect

like a shining diamond
like a knife
like a mountain
like a tiger
like hemlock

their finest art

A condição humana


May, chorando Kyo morto:

«Aquela morte esperava qualquer coisa, uma resposta que ela ignorava, mas que nem por isso existia menos. Ó sorte abjecta dos outros, com as suas rezas, as suas flores fúnerbres! Uma resposta que superasse aquele desespero que arrancava às suas mãos carícias maternais que nenhuma criança recebera dela, o espantoso apelo que faz falar aos mortos pelas formas mais ternas da vida.»

André Malraux, A condição humana (sublinhado meu).

Bukowski: The Secret of My Endurance

http://www.youtube.com/watch?v=iCrn1LDDoRc&NR=1

I still get letters in the mail, mostly from cracked-up

men in tiny rooms with factory jobs or no jobs who are

living with whores or no woman at all, no hope, just

booze and madness.

Most of their letters are on lined paper

written with an unsharpened pencil

or in ink

in tiny handwriting that slants to the

left

and the paper is often torn

usually halfway up the middle

and they say they like my stuff,

I've written from where it's at, and

they recognize that. truly, I've given them a second

chance, some recognition of where they're at.

it's true, I was there, worse off than most

of them.

but I wonder if they realize where their letters

arrive?

well, they are dropped into a box

behind a six-foot hedge with a long driveway leading

to a two car garage, rose garden, fruit trees,

animals, a beautiful woman, mortgage about half

paid after a year, a new car,fireplace and a green rug two-inches thick

with a young boy to write my stuff now,

I keep him in a ten-foot cage with a

typewriter, feed him whiskey and raw whores,

belt him pretty good three or four times

a week.

I'm 59 years old now and the critics say

my stuff is getting better than ever.

Charles Bukowski: Poetry and Motion

Interessante, o que este poeta tem a dizer sobre a poesia:

http://www.youtube.com/watch?v=r1e5Jeh2Fk0&NR=1

Há indícios de que, não obstante os excessos cometidos durante toda a sua vida e a atitude irónica em relação a tudo o que existe (ou talvez por causa dela), Bukowski tornou-se Budista nos últimos anos da sua vida:

http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Bukowski

Que e feito das Joanas?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sabes, às vezes queria

Sabes, às vezes queria
Que fosse sempre noite
"Porquê?". Porque de dia
Não tenho onde me acoite.

Não tenho onde me acoite
Sinto-me desprotegida
Que fosse sempre noite
A minha única amiga.

A minha única amiga
Sem ela não posso viver
Sinto-me desprotegida
Em constante morrer.

Em constante morrer
Será para sempre assim?
Sem ela não posso viver
A vida que não mais tem fim.

“Darum bitten wir Gott, dass wir “Gottes” ledig werden” [“Por isso rogamos a Deus que de “Deus” sejamos livres”] - Mestre Eckhart

Diário da Manhã



Nasci no rigor de uma manhã de Inverno em plena promessa de Luz. Fui salva pela Manhã. Desde então a luz matinal é a que me ilumina por todas as claridades nocturnas.
Hoje assinalo: eram dez horas em ponto e o Sol ergueu-se
para entrar a arder pelas janelas do meu Oriente.

Um horizonte mais claro e luminoso

Perdoar e perdoar-se é uma perda para o Ego e uma dádiva ao Amor. Abdica-se da posse ilusória da ofensa ou do engano e encaminha-se a alma para o seu centro mais verdadeiro.
Fácil será dizer que somos bons, compreensivos, tolerantes, mais fácil ainda será acusar, julgar e punir. Mas é nesses momentos em que a prova chega, nesse doloroso confronto com a perda, a ameaça e outros vislumbrados caudais lamacentos, que se revela a genuína essência e o Ser autêntico se impõe e manifesta.
Sempre que o perdoador e o perdoado se entregam ao mesmo gesto, um Sol mais alto se levanta e o horizonte do mundo fica mais claro e luminoso.

Um horizonte mais claro e luminoso

quarta-feira, 2 de abril de 2008

3 de Abril - 18.00 - Encontro informal do MIL e lançamento de "Perspectivas sobre Agostinho da Silva", de Renato Epifânio

Caros Membros e Amigos da NOVA ÁGUIA e do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO,

Vimos por este meio convocar-vos para um primeiro encontro informal na nossa sede, na Associação Agostinho da Silva, Rua do Jasmim, 11, 2º (junto ao Príncipe Real, em Lisboa, na próxima quinta-feira, dia 3 de Abril, às 18h00. Será na ocasião lançado o livro Perspectivas sobre Agostinho da Silva (Zéfiro), da autoria de Renato Epifânio, com apresentação por Paulo Borges.

Estarão igualmente disponíveis os primeiros prospectos da secção portuguesa do MIL, já visualizáveis no nosso site: www.movimentolusofono.org
Estes prospectos, auto-colantes, serão o nosso cartão de apresentação e pedimos a todos que os distribuam (caso não possam vir levantá-los à Associação, poderão enviar-nos um pedido para que os entreguemos por correio).

Nota de apresentação: O MIL - MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO - é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, projecto que conta já com cerca de meio milhar de adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida por Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar no nosso blogue (novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, dos mais diferentes locais do país e de fora dele.

Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.

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NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI/ ÓRGÃO DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
http://www.novaaguia.blogspot.com

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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
ÓRGÃO: NOVA ÁGUIA, REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

Vá que é de borla.

Et maintenant je rêve. Je rêve de terminer mon cours de philo dans quelques mois… avoir quelque argent quelques mois après… et voyager sans destin. J’ai fait un peux ça, un jour… mais je veux le refaire encore une fois. Seulement aller. Dans cette voyage j’aimerai bien te raconter, parler avec toi, revivre toi mais, j’aimerais plus si cette rencontre peut’il être sans aucune rendez-vous, aucune marcation avant, sans aucune planification ultérieur, que seulement le destin peux organiser ça… et, dans le moment du rencontre, on se regarderai pour des instants brefs, et, comme pulsion passionnante, on s’embrasserai pas d’amour, mais de regret des notre temps où on a été « chez nous ».... à Paris.

Gute Nacht


Franz Peter Schubert (1797-1828)
Wilhelm Müller (1794-1827)
Fremd bin ich eingezogen,
Fremd zieh' ich wieder aus.
Der Mai war mir gewogen
Mit manchem Blumenstrauß.
Das Mädchen sprach von Liebe,
Die Mutter gar von Eh', -
Nun ist die Welt so trübe,
Der Weg gehüllt in Schnee.

Ich kann zu meiner Reisen
Nicht wählen mit der Zeit,
Muß selbst den Weg mir weisen
In dieser Dunkelheit.
Es zieht ein Mondenschatten
Als mein Gefährte mit,
Und auf den weißen Matten
Such' ich des Wildes Tritt.

Was soll ich länger weilen,
Daß man mich trieb hinaus?
Laß irre Hunde heulen
Vor ihres Herren Haus;
Die Liebe liebt das Wandern -
Gott hat sie so gemacht -
Von einem zu dem andern.
Fein Liebchen, gute Nacht!

Will dich im Traum nicht stören,
Wär schad' um deine Ruh',
Sollst meinen Tritt nicht hören -
Sacht, sacht die Türe zu!
[Ich schreibe nur im Gehen
An's Tor noch gute Nacht]1,
Damit du mögest sehen,
An dich hab' ich gedacht.


terça-feira, 1 de abril de 2008



Alba seria teu nome,
Oh, noite de luar coroada,
Não fora a obscena alvura,
Desflorada pela alvorada.

Generoso é teu negrume,
Esplendoroso teu apagar,
Que a própria luz traz velada,
Pr’ à das estrelas exaltar.

O céu também tem grutas, mas a transparência oculta-as.

Agora falando forte e feio:

O Brasil deu-me cabo da mona. Não consigo estar em sossego longe do desassossego do Rio.

Socorroooooooooooooo!!!!!

Aqui vai a c
ópia de um comentário a propósito da morte de Arthur C. Clarke que deixei noutro blogue:

"Sempre que revejo o "2001 - Odisseia no Espaço" do Kubrik (grande Senhor, com S grande) fico tristíssima ao dar-me conta do que poderia ter sido a aventura espacial e acabou por não ser ... Quando terminou a Guerra Fria, os Americanos e os Russos, numa lógica economicista de caca, deram-se conta de que não dava mais lucro político andarem a exibir-se uns aos outros com programas espaciais ...

E aí se viu que ao programa espacial norte-americano e soviético faltava a qualidade essencial para assegurar o sucesso de uma tal ventura - Heroísmo ...

Foi também nessa altura que abandonei o sonho de menina de um dia trabalhar para a NASA e me virei para as Ciências Sociais. Primeiro de uma maneira mercenária - Queria o "status", a dinheiraça e o "glamour" de ser funcionária da UE - Ir à Ópera ao "Palais des Beaux Arts", passar fins-de-semana em Paris e Budapeste, limpar-me da "chunguisse, atraso e ignorância Tuga" que os anormais de muitos adultos diziam ser real, casar com um Belga, Francês ou Alemão e assim ter um marido que fizesse metade da lida da casa (sim, filha, fia-te na história da carochinha, fia-te ...), ter uma reforma choruda, cinco semanas de férias anuais a torrar o cu nalgum "Club Med" à volta do mundo ou a contratar nativos para carregar a mimha tralha em "eco-aventuras", viver num país onde as coisas "funcionassem", fossem "ordenadas" e houvesse "disciplina e transparência".

Tomei a pílula vermelha do Matrix quando a própria UE me mandou numa missão de dois anos para a Delegação no Brasil. Aí dei-me conta da treta em que me tinha metido e descobri os vastos horizontes que a cultura Lusófona nos oferece. Também me dei conta que tudo aquilo que descrevi no parágrafo anterior era um preço demasiado baixo em troco da minha criatividade e liberdade. Se passasse o resto da vida a arquivar papeis e a ser mais um elo de uma cadeia burocrática acabaria por dar em xoné mais cedo ou mais tarde.

Quando voltei a Bruxelas entrei em depressão: Depois de dois anos a curtir o caldeirão de culturas que é o Brasil, a viver em profunda comunhão com a Natureza e o Cosmos, a ter experiências místicas de vários tipos, a estudar xamanismos e espiritualismos de várias espécies, a viver cada momento como se este tivesse sido extraído de algum romance de realismo fantástico, o dia-a-dia dos funcionários da UE e dos círculos concêntricos de advogados e lobbyistas que rodeiam as instituições comunitárias pareceu-me de um aborrecimento descomunal. Os meus amigos, que entretanto tinham acabado os mestrados e começado a trabalhar, a se orgulharem imenso por passarem das 9 às 23h todos os dias no seu escritório de advogados, achando isso o cúmulo do sucesso, todas aquelas senhoras e aqueles senhores muito cinzentinhos, muito aprumadinhos e comportadinhos, muito recalcadinhos, muito o orgulhozinho da sua mamã cujo filhinho ou filhinha ganha tanto dinheiro e trabalha para uma institutição tão importante, com autênticos vulcões de energias não vividas a revolver-lhes as entranhas ...

Bem, o resto da história já tu sabes: mandei tudo às urtigas e vim para os "states", onde me pagam para fazer a pesquisa que eu quero - formas de desenvolvimento guiadas pela vontade e iniciativa dos povos, não das organizações internacionais - e passar parte do ano no Brasil, que é o meu vício, a minha droga, o meu amante.

Ah, ter o melhor e o pior da Humanidade alí escrachado à frente dos nossos olhos, no seu tenebroso esplendor ...

O cheiro a sangue, a esperma, a mijo, a dendê, ao mar, a floresta, a feijoada, os sons inebriantes da guitarra e da bateria ...

O sentir-me fera cada vez que me preparo para sair de casa e subir o morro - sapatos de sola de borracha para poder correr na eventualidade de ser apanhada no meio de algum tiroteio, as chaves, a carteira e os documentos escondidos no local certo, os cinco sentidos no alerta máximo, o ler as entrelinhas de cada ser humano que se cruza comigo, a intuição mais afinada do que nunca, o sentir que me crescem olhos na nuca e que Deus e o Diabo se abraçam na minha mente ...

Faltam poucas semanas para lá voltar, desta vez por um ano ..."