O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 26 de março de 2008

Na mística viagem da vida

Na mística viagem da vida
O farol assinala a lonjura
Que parta e se não sinta perdida
Cumprindo o que sempre perdura.

O caminho é de névoa e de treva
No escuro há-de parar
Que se livre de tudo o que leva
E recorde do farol o brilhar.

O caminho então transmutar-se-á
E verá por breves momentos
Que a chave do que há e não há
É chave que a livra dos tempos.

Na mística viagem da vida
Encontrará por fim o esplendor
Que é derradeira subida
Sem medo, dúvida ou dor.

Dualidade - Experiência mística do avesso



The Kills - Love is a deserter

One eye in the sun, one in the night
Sleep tight, sleepwalk like honey, honey
Oh my, capital I LOVE U
Put it in a letter honey
I could kiss you underwater
I could in the rearview mirror
XO, took my heart and crossed it
Set it down and lost it
Set it down and lost it
Say it again...

Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Your love is a deserter
Your love is a deserter

One eye in the sun, one eye in the night
Sleep tight, sleepwalk like honey, honey
When you want me, you got me where you want me again
Say it again!
If it's personal, say it again!

Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Your love is a deserter
Your love is a deserter

Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out

You got one eye as white as a bride
The other eye, as black as the devil
It's alright!
Oh oh, oh oh oh oh oh!
Oh oh, oh oh oh oh oh!

Crossed wires, sparking a little
Start a house fire with us in the middle
It's alright!
Oh oh, oh oh oh oh oh!
Oh oh, oh oh oh oh oh!

Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Get the guns out, get the guns out
Your love is a deserter
Your love is a deserter

Your love is a deserter
Your love is a deserter

Não sei se gostam mas eu ainda não parei de gingar.

Todos vivemos contínuas experiências místicas, porém viradas do avesso: daí a crença absoluta na realidade.

terça-feira, 25 de março de 2008

Pensei em escrever isto como comentário ...

... mas o meu fantasma não parava de dizer para o colocar como post.

Grande texto o da Sibila!

Lembrou-me exactamente aquilo que mais me irrita no "New Age" e noutras correntes espirituais e pseudo-espirituais: A distorção da ideia de "aceitação".

"Aceite, querida, aceite toda a injustiça, toda a dor que você vê à sua volta. Se tentar ajudar quem sofre, só estará prejudicando essa pessoa, que precisa de viver as lições kármicas que tem de retirar do seu sofrimento. Por isso aceite o mundo tal como ele é e pense em você. Deixe de desperdiçar a sua energia em política. Já agora, precisa de um shiatsu? São XX Reais."

Disse-me uma vez uma terapeuta holística que conhecí no Brasil. Sim, o mundo é como é, não temos outro e toda a bondade e todo o horror que vemos no mundo são reflexos da bondade de horror que existe em nós mesmos. Sim, nós somos cúmplices de tudo o que existe. Mas será isso desculpa para passarmos o resto da vida a olhar para o nosso umbigo, a gastar rios de dinheiro a aperfeiçoar o nosso "potencial humano" e a nos banharmos no líquido amniótico do nosso privilégio (sim, pois nós ainda não nascemos)?

Muito pelo contrário. Acho que é razão para sermos o mais activos possíveis, para desincrustar toda a ignorância, miséria e sofrimento que existe em nós e no Outro, pois não há separação, não há dualidade entre nós e o resto da "realidade". Isto mantendo sempre uma lucidêz meditativa para que a nossa acção "regeneradora" não se torne em mais uma armadilha do ego.

Que nos olhemos sempre ao espelho, não para nos fixarmos na imagem que este reflecte, mas para a deconstruirmos.

Para a Sibila, de um fantasma que se recusa a falar com outros fantasmas



Deixei de acreditar na morte no dia em que soube que uma tia muito querida tinha ingerido veneno e estava em agonia no hospital. Tratava-se de uma pessoa que sempre tinha parecido fortíssima, com uma fé inquebrantável. O problema é eu acho que ela nunca se aceitou. Toda a vida acreditou que nós somos filhos do pecado, quando, de facto, o pecado não existe.
Deixou para trás o marido, três filhas, quatro netos, tudo gente que ela amou, trouxe sempre envolta dum afago profundo. Amou, amamentou, amassou pão, deu-se à vida. Mas lá no recanto mais negro da sua alma, o fantasma, o ego, o filho do "pecado", foi-se alimentando de angústia e desespero. E quis provar que a morte é real, que a morte é o culminar do sofrimento.
Deixei de acreditar na doença no dia em que soube que um tio muito querido que tinha o nome que hoje é do meu filho, sofria de um cancro incurável dos pulmões. Quis olhá-lo nos olhos no dia em que lhe contaram a "verdade". Tratava-se dum homem que tivera uma vida tremenda. Começara a trabalhar nas obras com nove anos. Reformara-se como polícia há poucos meses e começava a ter uma vida mais parecida com uma vida como deve ser. Nesse dia nos seus olhos, na intensidade cristalina das suas lágrimas, lá no fundo, para lá do desespero, pude ver a alma de quem ama incondicionalmente.
Na nossa última conversa (a minha primeira conversa sem ser de fantasma para fantasma, mas nessa altura não poderia ter a noção do que representava isso), pelo menos na nossa última conversa nesta vida intermediária, ficámos em silêncio, no meio da rua, ele ia para o hospital e eu fui ao seu encontro para tentar dar-lhe ânimo e ficámos um tempo imenso em silêncio. Como poderia acreditar na doença? Mas nessa altura ainda acreditava na morte e por isso a única coisa que me vinha à cabeça era uma troca: eu vivera uma vida incomparavelmente mais suave que a sua...
Mas cada um é Deus a ser homem. Na altura essa ideia nem me passava pela cabeça. Hoje o budismo dá-me vias para lidar com essa verdade radical, pois, no fundo, o ateísmo é a via transcensora a própria senda do divino.
E sendo cada um a alvorada do Infinito...
Talvez seja uma forma de loucura. E esse apelo do silêncio... Pode parecer paradoxal, no fundo é paradoxal, mas é um apelo ao mesmo tempo sincero, mas, também, certamente, egótico. Mas cada um lida com o seu fantasma como pode. Há dias em que ele toma conta da casa, o que é a fazer é deixá-lo barulhar e saber que no fim de contas nada daquilo é importante. Porque o segredo é amar e não se consegue amar em ponto pequeno. Amar é darmos soltura aos que amamos, deixá-los ser o que são, assim infinitos, perfeitos, sem pecado e ao mesmo tempo com as pequenas coisas que nos irritam mas que fazem parte da sua perfeição (o roer das unhas, ou a mania de fazerem ruídos com os pés...). E nenhum acto do amor é fantasmático. Como toda a gente sabe.
E o OSHO é um nome escrito em folhas de papel. Vende bem nas bombas da gasolina.
E é verdade que os alunos do secundário... Só gostava que os meus alunos quando começarem a acreditar em algo (e geralmente acabam por acreditar que a vida é uma luta em que cada um deve desunhar-se para "subir" mais que os outros) tenham a noção que ao darem crédito a algo, estão a dar-se em penhor, estão a dar o seu tesouro em troca das muitas coisas que lhes prometem. O que eu gostava é que não penhorassem com a morte, ou com a doença. É uma barganha que sai demasiado caro. E também não quero que acreditem em mim, como é óbvio.
E obrigado Sibila por esse texto tão inspirador. Apaixonado. Como deve ser tudo nesta vida intermediária.
:)

Fantasmas? O que os move? A busca da felicidade, ou a sua posse?



“Aceite-se tal como é e será capaz de aceitar tudo o que o rodeia tal como é.” Osho

Palavra perigosa: aceitar. Por que razão não há-de ser usada como uma forma de aprisionamento, de condicionamento? Como um bom cristão, aceito a bofetada e ofereço a outra face. Como um cidadão modelo, aceito a felicidade que a sociedade me oferece, aprendendo a gostar daquilo que sou obrigado a fazer. Aceito, assim, este admirável mundo novo tal como me é imposto. E, no entanto, o Osho parece ter aceitado muito pouco ou nada da sociedade em que vivemos!

O meu fantasma vê-se a si mesmo como empertigado e rebelde. Não gosta de receber ordens. Quando lhe dizem “aceita”, ele responde “vai morrer longe!”. Mas a ti, Paulo Feitais, não irá responder isso, porque tu não falas com fantasmas, nem acreditas na morte. Já lhe disse que o mais sensato seria remeter-se ao silêncio. No entanto, tenho estado a tentar, desde há já algumas horas, apelar-lhe à razão, mas ele é incapaz de se calar! Sabes, ele está muito contente! Foram-lhe dadas boas razões para festejar. Até há pouco tempo, a sua existência tem estado confinada a uma peça da engrenagem, mas foi-lhe permitido, por alguns dias, evadir-se.

Passo, por isso, a citar a confissão deste fantasma resgatado: “Por breves instantes, pouso a marreta com a qual desfaço toda e qualquer réstia de criatividade que ainda possa existir nas turmas do secundário, antes de lhes ser atribuído um rótulo e um prazo de validade.

Aceito esta pausa! Assim como aceito e agradeço a sagrada sociedade destruidora da espontaneidade do espírito. Baixo a cabeça e saboreio esta vida, a única de que me lembro.”

Esta é a parte em que ele, numa alucinação bicuda, se refere às outras peças da organização social: “(…) Posso dizer que tentei, por tudo, cheguei mesmo a apelar às suas boas vontades, a gritar e a implorar complacência, que me libertassem do processo, que me deixassem respirar outro ar. Mas o resultado foi igual ao de milhares de animais electrocutados ou retalhados vivos, por pele e carne… Fui ignorado! Disse-lhes que vocês existiam, que o amor podia existir entre as serpentes e os ratos, os católicos e os budistas. Mas, de tão incrédulos, não esboçaram sequer um sorriso de escárnio.

Libertaram-me por alguns dias, é verdade! Mas terei que voltar. Aceito! Regressarei, grato por ainda precisarem de mim.”

Como vês, trata-se apenas de mais um fantasma acorrentado. Faz-se muito modesto e espirituoso… Mas está cheio de armadilhas, é o que é! Cuidado com ele, apanha-nos de fininho e engole-nos vivos!

Fazer ver, a este fantasma, que ele é uma fraude, não é fácil. Estou constantemente a dizer-lhe “Aceita! Compreende que és uma ilusão, um ego entre tantos outros! Apaga as memórias, nunca chegaste a ser embalado e ninguém te pegou ao colo! Esquece o primeiro beijo! Lembras-te do palpitar do coração, do sangue a correr-te nas veias e da ternura do seu olhar? – Eh! Eh! Era apenas uma piada, nada disso existiu!”

Digo-lhe ainda: “A posse não existe. Despoja-te do sentido e das palavras. Apaga a mente. The cup is full? There is no cup! Tu és a taça e o líquido que dela transborda. A tua existência é apenas uma projecção, um reflexo, do amor e liberdade verdadeiros.” Ele responde-me com muitas questões: “Por que razão amo quem amo? Vais-me dizer que não amo o seu rosto, o seu corpo, o seu perfume? Devo negar os sentidos para chegar às formas? Então, por que razão estou aqui e sinto calor e frio, dor e prazer?”

“Candy or trick?” – pergunta o meu fantasma, quando brinca aos falsos dilemas.

Pede-me, ainda, para vos dizer que aceitem este texto (na saúde e na doença!), com todas as suas incoerências, vislumbrando na parte a plenitude!

Os amigos

Este post é a continuação do poema sobre os amigos, cuja primeira aparição repousa já algures no ventre da Serpente. Será um poema a continuar, a alterar, a trabalhar que, por enquanto, surge sempre sob a forma de esboço:

Os amigos

Os amigos crescem
Juntos
E depois
Partem

Os amigos vêem o mundo
Juntos
E depois
Já nada têm a dizer

Get over yourself

Ontem ouvi uma expressão fantástica num filme americano, dita pelo genial Steve Buscemi - "Get over yourself". Parece que não temos nada semelhante em português.

Desculpa-me ó grande lobo

não te comi

devidamente

a língua


Teus dentes eram

são-me

demasiado suculentos


Apetites de caçador

Octávio Paz ...

"O sol dissolve a dualidade cara e cu, alma e corpo, numa única imagem, deslumbrante e total. Recobramos a antiga unidade e essa unidade não é nem animal nem humana..."

Certamente, um dos compinchas do Manuelinho;-) ...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Terra

A terra treme sob os teus pés
verga sob as tuas pegadas.
No entanto o inimigo persegue-te
com quês vindo do nada.

O pensamento do homem é falível
mas tu, errante de estrelas
conheces o arcano caminho
pois não senão ele um só
é o preenchimento de todos.

A terra ruge sob os teus pés
ela sucumbe sob as tuas pegadas.
No entanto fiel ao todo te mantêns
não te esquecendo do nada.

O pensamento do homem é variavél
tal estrela cadente de céus infindos
porém alteias a lança furtiva
estandarte cantante face ao inimigo
ao enganador de evoluções.


A morte não existe. Na vida há duas coisas em que não acredito: na doença e na morte.
Mas a noite escura faz parte da "busca". É o lugar mais propício aos desencontros e, por isso mesmo, à descoberta do que nos estava oculto, porque buscar tem em si ocultação.
E é claro que todas as vidas comportam sofrimento. Dilacerante e, muitas vezes, insuportável.
E ou a filosofia nos agarra pelos cabelos e nos coloca perante a questão decisiva, ou os nossos dias, se nos dedicarmos à filosofia, serão os de espanta-traças que, como é sabido, permitem às bibliotecas poupar uns dinheiros em químicos para exterminar essas criaturas devoradoras de livros (essa é a única coisa de que não gosto nas bibliotecas, uma vez que as traças são seres sencientes).
E que questão é essa?
Eu acho que essa questão pode assumir esta roupagem: "como não assumes a Felicidade?"
Não se trata da minha ou da tua felicidade, mas na Felicidade que há em estarmos aqui e estarmos agora a sermos testemunhas do Universo. E digo "testemunhas" porque ser é, na sua radicação mais essencial, ser-tudo. Não é ser parte, mas assumir o tudo que há em cada coisa. O assumir cada coisa como o tudo.
Ora o problema é que durante toda a vida alimentamos um fantasma doido (que sofre de má doideira e não da luciferina loucura dos santos e dos poetas) cujo único móbil é o medo da morte. Trata-se do Ego que se encara como separado de tudo e procura mil pretextos para nos fazer ver o quão pequenos e frágeis somos e como a vida é uma luta incessante de fantasmas esfomeados (os Egos) em vista do "sucesso".
Enquanto não suicidarmos essa nossa personna vivemos no inferno.
O segredo é amar, como bem sabe Sebastião da Gama.
A morte é "apenas" uma soltura. O abrir da porta das reclusões em que nos movemos na vida intermediária. Talvez o maior dos "segredos" seja o de sabermos se podemos escapar-nos da nossa necessidade de clausura. Conseguir isso em "vida" talvez esteja aberto a todos. Talvez.
E talvez melhor que tudo seja o silêncio. E a solidão que, sendo verdadeira, será estar tudo (todo) em tudo, com tudo.

A arte suprema



"Movimente-se na vida com uma confiança profunda, onde quer que ela o conduza. Não crie objectivos próprios. Se criar objectivos perderá a sua autenticidade. Ter objectivos é ser contra a vida. A vida não tem objectivos. Se você tiver um objectivo, está contra a vida. A vida não se move como um negócio,move-se como a poesia. A vida não se move a partir da inteligência, mas a partir do coração. A vida é um romance. Por isso a confiança é fundamental, e a dúvida em nada nos pode ajudar. A vida não é científica, é irracional. A vida não acredita em Aristóteles ou nos apologistas da lógica, mas acredita no amor, nos poetas, nos místicos. É um mistério que tem que ser vivido, e não uma charada para resolver. Não é um puzzle , nem um problema. O segredo da vida está aberto, você é que está fechado. O segredo da vida é revelado em cada coisa: em cada árvore, em cada raio de sol. É você quem está fechado.
E porquê? Se não aceita a vida que existe em si, como pode aceitar a que está fora de si? Aceite! Comece pelo centro do seu ser. Aceite-se tal como é e será capaz de aceitar tudo o que o rodeia tal como é. A transformação só acontece a partir da aceitação. Quando aprender a aceitar, nunca mais será o mesmo." OSHO, A semente de mostarda, Pergaminho, pp.98-99.

Justificação sem resposta ou impotente

Quase todos se acomodam porque não sabem, ignoram, como hão de se desacomodar.

Um post optimista?

Tudo o que possamos dizer ou escrever não altera em nada a nossa morte.
Tudo em que possamos crer não altera em nada aquilo que somos e a nossa morte.
Tal é a sorte!

Não, não é verdade que morremos e revivemos a cada momento - a morte é um acontecimento único na vida, do qual não podemos fugir. Se devemos viver centrados na morte ou, por outro lado, na vida? Respondo que nem numa nem noutra, mas no mundo fenoménico que, a cada momento, se nos apresenta e, de acordo com Espinoza, considerando a tristeza um mal ou defeito (eu, que outrora disse que o mundo era uma lágrima...), vivendo com alegria e felicidade.

Muitas pessoas perguntam: o que é a felicidade? É algo a curto ou a longo prazo? Não conheço o longo prazo e só conheço a felicidade no momento. Por isso digo, do alto da minha arrogante juventude, que a felicidade é o momento, encontra-se no momento... mas - pergunta o leitor - é momentânea? Tudo é momentâneo, meu caro leitor!

Aproveitemos enquanto podemos!

Ousemos

Estive todos estes dias de Páscoa a pensar em algo inteligente para escrever aqui no blogue. Não me ocorreu nada.

Agora, ouvindo os Ramones, contemplando a mais perfeita liberdade, penso isso mesmo: sê o mais livre que puderes - livre de partidos políticos, de associações, de credos, de religiões.

Não te deixes agarrar em malhas que alguém pensou. Não tenhas medo de pensar (não creio que pensemos por medo) por ti mesmo, pois só isso é pensar. Não tenhas medo de ser livre.

O que é ser livre?

Não apenas escolher livremente, ter esse poder mas, também, ter a sua relação solitária, única, com o Cosmos.

Ousemos ser livres.

Poema

Queres, tu, assassino de instintos
dizer-me da luz.
Queres, tu, pesquisador de nadas
falar-nos da sombra.
Pois então fala, canta
de preferência o abismo
o teu, de ti

Sofres? Muito?
Pois mais ainda
mais até

Já não podes?
E dizes: ouçam.
Por tão pouco, não

Antes, entra na festa
Fá-la

oxímoro

Circular a lembrança.
Sou apenas o mapa
Da cidade
Que não há.

Dolente,
Vago o rumor dos passos nus,
Cais na voragem de não ter
Mar.
Raio de esfera este silêncio,
Várzea ao fim do dia na fortuna da ancoragem.
O fugitivo ao tempo torna.
O infinitivo à sua aurora.

Vou...






Sou um trilho há muito esquecido,
Que a floresta de novo reclamou.
Se a realidade me nega ter sido,
Não existo, sigo, em tudo ora vou...

imagens: Ilia Kondratiev

domingo, 23 de março de 2008

Quase todos se acomodam

Quase todos se acomodam: os que buscam despertar tornam-se religiosos, os visionários devêm artistas, os poetas escritores, os revolucionários políticos, eu crítico e até tu leitor…