segunda-feira, 14 de maio de 2012
SENTAR E CAMINHAR EM PAZ E SILÊNCIO POR UM MUNDO NOVO - 20 DE MAIO - 15h
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Andamos moralinizados?
O Bom Senso é o seu estômago, senhor Antunes, impecável como o seu relógio americano e o seu olho ainda guicho atirado às saias da criada e principalmente aquele seu dedo que pesa na Balança... aquele Dedo, com letra enorme sobre o Vale de Josafat...
O Bom Senso é a sua pessoa, senhor Antunes, vestindo as aparências convenientes ao Lucro e à Moral - dois esposos que atropelam os miseráveis quando passeiam de automóvel...
E a Loucura, senhor Antunes, é o pobre Silvino que passou, lá fora, na rua, ao vento pluvioso deste inverno, esfarrapado e enlameado, a cantar, em voz alta, o advento dum novo Deus...
A Loucura é o Silvino e a substância ígnea do mundo - a lava interior.
E o Bom Senso, senhor Antunes dos Negócios, é uma crosta ligeira e artificial que principia a quebrar por todos os lados... Já anda fumo no ar...
- Teixeira de Pascoaes, O Bailado, Assírio e Alvim, pág.109
quinta-feira, 10 de maio de 2012
O
mundo sabia de cor, a cor da dor de quem nunca teve a sorte de nascer
imperador. O peixe era doce e cru. A beterraba avinagrada. A vontade de
ser feliz era tanta como a tua agora que acabas de nascer. O jejum era
dos pobres que o faziam dia após dia.
Vizinhos da vida viajaram sem regresso com um sorriso que não esqueço.
O homem mata o homem e nunca sabe porquê. Bendita a memória que me assombra neste dia que nasce outra vez.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Retrato 3/4
no meu retrato
três por quatro
viajo ao passado
aquela sou eu
ainda criança
de copo na mão
na festa da escola
lembras desta?
teu corpo no meu
antes da despedida
tantas vezes partimos
quantas vezes beijei-te
e não fotografei?
na parede o retrato
emoldura o passado
nos meus lábios
um ar morno e doce
indica o presente
onde tudo acontece
enquanto respiro
quinta-feira, 19 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
AQUENTEJO
o Monte ao Sol
o poema de cal
não só de cal
que há em calor
-de cal
de calma
que é mistura
de alma
e cal
O SEGUNDO, de que eu teria pena se tivesse perdido
VIVA SOPHIA
eis
a secreta luz
tecida em Creta
-a mãe do Touro
e fonte
da voz límpida
de SOPHIA
de SOPHIA fugaz
de tão fugaz
perpétua
domingo, 15 de abril de 2012
In higher education quality, not equality, matters
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sábado, 14 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
"Só falando preservas o silêncio" - Agostinho da Silva - (expiré après une inspiration d'une lecture de Mística Barata e Uma Garrafa de Vinho)
- Filho, tu é que sabes realmente o que é o Absoluto.
in Os Melhores Contos Espirituais do Oriente, Ramiro Calle, Esfera dos Livros, p.122
segunda-feira, 9 de abril de 2012
por muito que me digas
em matéria de ecologia
eu não vou em cantigas
de resto diz-me
para que servem as toupeiras
que utilidade têm as formigas
as primeiras
escavam-me as raízes das colheitas
as segundas
devoram-me os grâozinhos das espigas
para alimentar as fábulas
de Esopo/La Fontaine?
para inspirar poemas a Cesário?
deixemo-nos de intrigas
se precisar de bucolismo no trabalho
arranjo um pintassilgo
ou um canário
sábado, 7 de abril de 2012
Misticismo barato e garrafa de vinho

O esplendor cruel da mais perfeita epilepsia a rebolar no côncavo do interior da mente, se fosse assim, a catedral a irromper absoluta
De todo uma ruína elaborada, digna de providenciar uma salva eterna num entrelaçar de aspectos, a fulgente e espontânea tese de repente de uma vez para assustar o compêndio de psicologia com essas novas ocorrências que poderiam configurar o santo a cantar no meio das paredes derrubadas a pontapés descalços de antítese
Colecção interminável de vibração ou inundação de luz pura
Ficou caído a precisar de auxilio magoado num ombro e orelha para depois o significado do mito auxiliado o levantar pelas muletas puras cheias de brilho, que obviamente podem surgir em casos especiais de maneira figurada, para posteriormente serem largadas em caminhos esconsos, trocadas por camisa e calças brancas figuradas também na Páscoa e ressurreição. Ainda que não fosse de maneira alguma religioso...
De qualquer forma Grande parte do conhecimento se desvendou quando doutrinado de tal indumentária ouviu os rouxinóis contarem que tinham voado pelo céu em direcção aos abismos e visto coisas como as não há
visto coisas como elas são
epifania tão violenta, repentina quanto o homem pode andar um único vórtice rasado um insulto barato aos demais para dançar para se divertir virado avessamente na catedral de criação autónoma
de que maneira se pode continuar saudável de lapsus linguae, e certamente pode, ao escrever num bilhetinho que só lhe restavam dois dias para viver e que ao mesmo tempo seria imortal sem precisar do eléctrico da carreira 28 na volta?
Nascimento morte e ressureicção no acto, seguindo-se que a atenção, mais emocional administrava estranhamente a quantidade e qualidade dos paradigmas em um plano que devido à sua natureza estava para além, e sem estar fora, dos clássicos
De positivo é, a conclusão aberta, acentuando-se de vigor nada paroquiano, posta a propósito para beatificar o pequeno que dorme (?) e em suas preces pede e perde-se. Seus nomes, quaisquer que sejam pelos quais o chamam vão num azul a voar
Já não vive a hora incerta é o percurso mais ou menos de nove meses agora extenso uno posto a nu
E pôde participar nisto, tomado de razão, como se fosse instruído e embalado por Nossa Senhora.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
se crente ama o outro, deus ama o mesmo - desvela-te amando a mesmidade na outridade no beijo do branco com o vermelho
O País da Cor é líquido e revela-se
na anilina dos vasos de farmácia.
Basta olhar, e flutuo sobre o verde
não verde-mata, o verde-além-do-verde.
E o azul é uma enseada na redoma.
Quisera nascer lá, estou nascendo.
Varo a laguna de ouro do amarelo.
A cor é o existente; o mais, falácia.
- Drummond de Andrade
quarta-feira, 4 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
pensa-te Deus e deixa fluir o não pensar matando-te - assim como aDeus há, não há nada a matar
Tu, Sabedoria do Pai, por quem, reformados, vivemos sabiamente!
Tu, Espírito Santo, em quem vivemos bem-aventurados!
Trindade de uma única substância!
Único Deus de quem somos,
por quem somos,
em quem somos!
Princípio para onde refluímos,
forma que seguimos,
graça pela qual somos reconciliados!
Nós te adoramos e nós te bendizemos!
A ti glória nos séculos!
Ámen.
- Guilherme de Saint-Thierry (1085-1148)
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Eu e o mundo – há que pensar
As rodas do mundo sobre a lama do tempo
Deus limpando os olhos da maresia
Cansado de tanta vigilância permanente
Hoje aqui agora sempre
O merceeiro a roubar
Nos pesos e no preço da mercadoria
Deus
Controlando as ondas
Do mar
Da rádio
Da televisão
(e a fome
Será que foi de vez banida do mundo
Ao menos da Etiópia? )
Deus cansado De(u)scansado ?
Quiçá manco
Correndo a toda a volta
Da Terra
Aqui sintonizando os rádios
Ali desligando aquecedores em casa de idosos
acesos por incúria
Eu tentando um lapso
Uma pequena aberta nesta azáfama
Para puxar a Deus pela aba do casaco
- há que pensar
O stress
Não há já quem disponha
De um simples minuto para nos atender
Ou chegamos
Com um bom negócio em mãos
A casa das pessoas
E as portas se escancaram
Para os maples
Para o fogão de lenha
Para as paredes com o "menino com lágrimas"
ou
Deus – dá que pensar
Todos os amigos
Estão permanentemente absorvidos
E nós – o mundo –
Ou caímos no enxofre das tabernas
Para a sopa de grão e o vinho tinto
Ou caímos nos maples dos menos amigos
Na periferia
De uma família fria
Frente à luz a cores do aparelho de televisão
Só vi deus duas vezes:
A primeira andaria pelos meus dez anos
Fui roubar ameixas
À quinta de um vizinho
E um velho muito velho
Com o indicador em riste me apontou:
Menino isso não se faz
Sumiu-se o velho
Por detrás do fuste das ameixieiras
E uma pancada forte na cabeça
Fez-me ver estranhas luzes
E ouvir
Um interminável som de campainhas
Pela segunda vez, e última , que vi Deus
Foi num exame de Química no Liceu
Tinha que manusear um ácido qualquer
Muriático se a memória não me falha
E de tal ordem desastrada foi a minha prova
Que o laboratório se encheu de um fumo estranho
Fosforescente e a cheirar a enxofre
E o pobre professor
Me pareceu levitar de costas para o tecto
Segurando um bastão
Semelhante em tudo ao báculo
De Deus
Acho que não mais O vi
A despeito de algumas aflições ao fim do mês
E de certos pecadilhos
Que de vez em quando lhe confesso
Por e-mail
Por isso Deus
para mim
- dá que pensar
domingo, 1 de abril de 2012
Primeiro Automóvel
que estranheza preto-lustrosa
evém-vindo pelo barro afora?
É o automóvel de Chico Osório
é o anúncio da nova aurora
é o primeiro carro, o Ford primeiro
é a sentença do fim do cavalo
do fim da tropa, do fim da roda
do carro de boi.
Lá vem puxado por junta de bois.
- Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 27 de março de 2012
sábado, 24 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Entrevista de Paulo Borges ao filósofo romeno Ciprian Valcan sobre budismo, filosofia, Cioran, Oriente e Ocidente
1. Em que medida um melhor conhecimento da filosofia oriental contribui para a transformação da reflexão filosófica da tradição ocidental? No seu caso, como é que o budismo influenciou o estilo de filosofia que pratica?
Conhecer o pensamento oriental é decisivo para que o Ocidente compreenda as outras possibilidades que as suas opções sacrificaram, mas que nele permanecem latentes, por serem inerentes ao homem e ao espírito. Isto já é uma profunda transformação e possibilita imprevistas metamorfoses do pensar europeu-ocidental. Isto exige todavia o expatriamento da nossa situação cultural mais imediata, que nos permita vê-la de fora, panoramicamente. Isto exige um pensamento nómada, que não se ancore numa dada matriz linguístico-cultural, mas viva em constante viagem no espaço entre todas elas. É esse o projecto da revista que dirijo, Cultura ENTRE Culturas.
Encontrei o budismo ao terminar a licenciatura em Filosofia, em 1981, e reconheci nele o que já era e vivia antes de o saber. Senti o mesmo em relação a alguns pensadores portugueses contemporâneos, que descobri na mesma altura. Essas influências, o budismo, sobretudo Nagarjuna, Longchenpa, Hui Neng, Linji, Dogen, Chögyam Trungpa, Thich Nhat Hanh, o tantrismo e o Dzogchen tibetanos, os mestres com quem estudo pessoalmente, a prática quotidiana da meditação, pensadores e poetas portugueses como Antero de Quental, Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, José Marinho, Eudoro de Sousa e Agostinho da Silva, mas também Eckhart, Rumi, Nietzsche, Cioran e poetas e místicos de todas as tradições, têm-me ajudado a esclarecer as mais gratas experiências que remontam à infância: o sentimento agudo da estranheza de existir e haver realidade, vivido até à iminência da exaustão e loucura; a comunhão disso com um amigo de jogos de rua, cerca dos 8 anos de idade; a iniciação adolescente à consciência sem sujeito nem objecto e ao sentimento de ser todo o mundo-ninguém por via da música, da dança e da experiência erótico-sexual e amorosa; a experiência do espaço aberto ao sair da Universidade de Lisboa, no fim das aulas de Filosofia, com a mente livre de todo o artifício conceptual; a mesma liberdade nas longas caminhadas por montanhas e florestas, pelas colinas de Lisboa e ao entardecer nos miradouros sobre o Tejo; a contemplação do oceano no finisterra português e a saudade de um não sei quê; o brilho das coisas nos muros caiados de branco; a vida sem quem nem quê, sem porquê nem para quê, livre e infinita. De tudo isso vem e a tudo isso regressa o meu pensar, mais directamente expresso em A cada instante estamos a tempo de nunca haver nascido e Da saudade como via de libertação (2008), além de na ficção Línguas de Fogo (2006).
Dei por mim a seguir a via do Buda por experiência, caminho do meio para além da razão e da fé. Pessoalmente aprecio nela várias qualidades: o espírito iconoclasta, patente no “Se vires o Buda, mata-o!” de Linji, pois o Despertar não é alguém ou algo exterior; ser experimental e não dogmática, pesem os desvios de muitos budistas; ter uma ética global que não exclui nenhum ser senciente, como os animais; assumir-se como mero meio a ultrapassar, pois o que importa não é ser budista e sim Buda; e, sobretudo, a qualidade e inspiração dos mestres vivos que a ensinam. Contudo o meu interesse pelo budismo estende-se a todas as religiões e vias espirituais, formas diferentes de conduzir pessoas com distintas tendências, capacidades e condicionamentos histórico-culturais a um mesmo objectivo: a plena descoberta de quem desde sempre são.
Cioran inspira a mais ousada e radical aventura: transcender todos os limites do pensamento, da vida e da existência e sobreviver para o dizer ou gritar, com uma mestria literária que enobrece as ruínas do mundo. Inspira-me também nele o que encontro em portugueses como Pascoaes e Pessoa: na periferia da cultura europeia dominante, agudamente conscientes do fim de ciclo da sua civilização, serem movidos pelo ímpeto de libertação dos ídolos dessa mesma cultura e civilização, sem se deterem no limite do humano, numa titânica hybris de superação de tudo, do sujeito e de si mesma, numa nostalgia ou saudade violenta do incondicionado, irredutível à constituição do sujeito no mundo e fundo sem fundo de toda a experiência. Fascina-me o modo como em Cioran o génio literário serve um obsessivo e minucioso ajuste de contas com todas as ficções da consciência, da história e da cultura, escalpelizadas e reduzidas a cinzas pelo cirúrgico e cáustico bisturi do aforismo e do pensamento incendiado na veemência da insónia, da febre e da blasfémia, mas também do entusiasmo extático e transfigurador. E também a assumida inspiração no primitivismo dos camponeses das montanhas romenas e na pulsão herética da sua cultura popular, semelhante ao que em Portugal acontece com Teixeira de Pascoaes ou Agostinho da Silva. Cioran mostra aliás conhecer as fundas afinidades entre a cultura romena e a portuguesa. Num dos seus Entretiens assume a “nostalgia sem limites”, inerente à fugacidade da experiência temporal do absoluto, como fundadora da sua visão do mundo e acrescenta: “Este sentimento liga-se em parte às minhas origens romenas. Ele impregna ali toda a poesia popular. É uma dilaceração indefinível que se diz em romeno dor, próxima da Sehnsucht dos Alemães, mas sobretudo da Saudade dos Portugueses”.
Fiz uma conferência sobre Cioran e Fernando Pessoa na Universidade de Gröningen, na Holanda, em 2009, que publiquei na revista Arca graças a Ciprian Valcan e que incluí no meu último livro sobre Pessoa: O Teatro da Vacuidade ou a impossibilidade de ser eu (2011).
4. Qual a recepção actual da obra de Cioran em Portugal?
Tudo o que tem início tem fim e a filosofia, se a identificarmos com a modalidade logocêntrica e conceptual surgida na Grécia e sobretudo com a sua vertente académica e institucional, está a esgotar-se, pelo afastamento da vida e de outras possibilidades do espírito. A filosofia deixou em geral de ser um modo de vida integral, como nas escolas filosóficas gregas (como recordou Pierre Hadot) e indianas, para se tornar uma actividade meramente intelectual, com uma linguagem técnica hiper-especializada em questões estéreis, que nada dizem às fundamentais aspirações humanas. Essa filosofia traiu a própria vocação, enquanto amor da sabedoria, do saber/sabor da essência da vida, e nesse sentido o seu triunfo é a sua morte.
Por outro lado, se considerarmos filosofia as múltiplas formas do pensamento planetário que visam a sabedoria - um saber que nos converte naquilo que sabemos e promove uma vida mais plena e solidária - , então essa filosofia é perene enquanto conatural ao exercício consciente do viver e sempre se renova em função dos novos lances do jogo do mundo. No que respeita à filosofia ocidental, creio que o seu renascimento depende do diálogo com esses outros paradigmas não-ocidentais e sobretudo do reencontro com a vida e o infinito que nela se abre. Necessitamos de um novo início: repensar tudo na experiência mais imediata, a do indeterminado pré-conceptual. Não a partir de Deus, do homem, do mundo ou de qualquer outro pressuposto, não “a partir de”, mas nisso que a cada instante há antes de se pensar e se abre entre cada pensamento, palavra e fenómeno. Isso implica morte e renascimento contínuos: viver sem apoios.
O niilismo ocidental resulta da incapacidade de se suportar habitar po-eticamente esse “vazio” aberto pela “morte de Deus” proclamada pelo “louco” nietzschiano: “Para onde vamos nós próprios? […] Não estaremos incessantemente a cair? Para diante, para trás, para o lado, para todos os lados? Haverá ainda um acima, um abaixo? Não estaremos errando através de um vazio infinito? Não sentiremos na face o sopro do vazio?”. Nesse aspecto, a espiritualidade oriental, mas também a de Plotino, Eckhart ou a heteronimia de Pessoa, podem ajudar-nos a descobrir nesse abismo o nosso próprio rosto e o de todas as coisas: o infinito exuberante de todos os possíveis, Todo o Mundo-Ninguém.
- Entrevista publicada em "Orizont" (Revista da União dos Escritores da Roménia), nr. 2 (1553), Ano XXIV, nova série, 28 de Fevereiro de 2012. Traduzida para romeno por Maria João Coutinho e Simion Cristea.
é o teu dia
como se houvesse um dia
para celebrar o sol
glorificar o orvalho
consagrar o amor
que multiplica o mundo vegetal
sim - porque não tenhamos ilusões
os pinhões são filhos de pinheiros
que à distância de quilómetros se enlaçaram
como dois répteis
como uma égua em cio
e um cavalo
ou um licorne?
por que não um centauro?
quarta-feira, 14 de março de 2012
Meditação para dormir
Retirado de: http://relaxamentoemeditacao.blogspot.com/2012/03/meditacao-para-dormir.html
Em algum momento antes de adormecer agradeço estar viva, ter uma casa que me abriga, alimentos, pessoas que me amam e desejo a todos os seres e a mim própria uma noite doce e tranquila.
segunda-feira, 12 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Penélope revisitada

Pousado o tear entre o colo e a memória
Entre a flor e a dor há peixes-pássaros raiados
A mulher engole o fogo que rola no mar
Há clarões que morrem na sua boca
Engole-os a saliva da espera
E o dia parado é uma ferida que entra no espinho
A manchar o bordado do lençol
Haverá manhãs de pássaros calados
Circum-navegando o desenho do bordado
Sabe-se que uma túnica se despe no incêndio
De uma viva memória. E os rios silentes
cobrem os pés dos artesãos de florilégios.
Onde guardas os braços, ó meu amor de longe?
A tua cabeça no meu colo é uma geografia deserta
O esplendor degolado de uma flor nascida
Da ciência tecida do paciente espaço.
Reconta o tempo da viagem de regresso.
As mãos são alvas cicatrizes, e as flores ágeis
Não enchem o bordado do ponto onde te ausentas.
Cheio o meu colo das paisagens que ficam
Converte-te à cegueira da minha imagem vazante
Nas ondas verás o reflexo de deus em chamas
Chamarás pelo tempo, essa flor de mortalha;
Talvez entres a cantar por esses corredores de pó
Sabes que a tua cabeça florirá sobre o meu colo em chamas?!
M.S.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Brinde a Omar Kayam!
pó de nada.
Mas as rosas florescem mesmo do pó.
Do mesmo pó de estrelas
o poder torna escravo
Quem das rosas só as pétalas colhe
Descuidado.
Bebei, pois, de uma taça mais funda
Como quem se esquece
E no esquecer se lembra
que do cálice rubro
transborda a seiva que embriaga mais.
M.S.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Julgamento

Numa ilha escura e hirta, repleta em paisagens de heresia sonhadas em meio ao delirium tremens de algum órfão, o povo agachado – em se tratando de um burgesso solitário haveria desculpa – esse povo se engana com tais heresias babadas
Atravessam-se dolorosamente com máscaras de cómico sem graça, os postulados de quaisquer estruturas sejam elas ou não feitas da matéria dos seres vivos... Grande pateada com champagne e cigarros de marca branca, como se estivessem num jogo de futebol
Dizem olá à eternidade com tamanha desfaçatez virada nos copos e chupada nos cigarros que se tocassem um violino atrás das colinas, sairia num estertor opaco do violino estuprado
Surdos e grossos como pedregulhos que um pé empurra para o precipício a comprar tabaco ou a girar um grogue entre dedos
Enrolado a tapetes de arraiolos
A foto tirada ao conjunto de roupa enxovalhada e enodoada, a guerra do Peloponeso do avesso
Esses pequenos pedregulhos rodeados por Oceanos leoninos onde se estrangula qualquer veleidade pela via de todas essas ondas
Do prólogo ao êxodo, o epidauro da natureza – entrada do coro a dançar e a cantar – gotas de chuva a entrarem em águas zangadas
Impetuosas, divinas no Ocaso, impacientes na sua ferocidade e pouco se importando com a quantidade de corpos inchados que bóiam depois da sua passagem
Leis omnipotentes, não as queiram, não as queiram ouvir. Preferem as angústias da porta a bater no escuro, da ilha amarfanhada como papéis de velho louco
Como ondas do pensamento, exactamente, se plasticinam em recurso a estas metáforas, as zangas dos mortais
Pensamento. Pensamento?
Algo de recurso estético tirado dos sonhos ou das páginas da natureza para um boneco mole escarrapachado numa cadeira rodeado por todos os lados
Que nem sabia se as águas lhe molhassem apenas os pés num Ganges a ferver...
As torpes magnitudes que observaria numa praia, em pleno Janeiro, e que o enrolavam mesmo não querendo, nem por isso seriam diferentes
Era portanto o acto de sorver beijos da Têtis hedionda, cortejar a sublime dialéctica, porventura escrevendo o poema em papel barato
Um Eu ratificado universalmente por aspas, sublinhado mesmo
O que o empurrava, descendo escadas levado por Ondas aos novos segundos que se sucediam aos derradeiros, aniquilando-os como se faz a uma formiga
Compreensão pura?
Quereria - será que poderia? – dourar a constância de algo que somente se nomeia e constata numa ode feita aos que nela sofreram, afogados abjectos e pescadores patéticos naufragando a gritos de puta batida agarrada ao cu, numa introspecção
Na sensação de se entender apenas pessoa.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
A Grande Libertação
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
P´RA PULAR
NÃO TENHAMOS ILUSÕES:
QUEM TEM MIL QUER TER CEM MIL
QUEM TEM CEM MIL QUER MILHÕES
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
"Verdes Anos": o PAN já faz parte da história do ecologismo em Portugal

O livro Verdes Anos. História do ecologismo em Portugal (1947-2011), de Luís Humberto Teixeira (Lisboa, Esfera do Caos, 2011), será apresentado pelo Prof. Viriato Soromenho-Marques na 3ª feira, dia 31 de Janeiro, às 18.30, na Livraria Bulhosa de Entrecampos. Este livro dedica o capítulo 8 ao PAN e ao seu resultado surpreendente nas últimas eleições legislativas. Reproduzimos os três últimos parágrafos do livro, após se referir o historial de adversidade de Portugal e dos países do Sul da Europa aos ideais ecologistas:
"Perante este ambiente hostil, como se explica então o sucesso do PAN, que nas primeiras eleições legislativas a que concorreu obteve mais de 50 000 votos em listas próprias (feito inédito entre os partidos ecologistas portugueses) e quatro meses depois elegeu um deputado em eleições regionais?
Será um epifenómeno ou será que o segredo para o sucesso de um partido verde em Portugal passa por unir a defesa do ambiente aos direitos dos animais e às causas humanitárias?
Para responder a estas questões teremos de esperar mais algum tempo. Entretanto, uma coisa é certa: por mais negro que seja o cenário do país e do planeta, muitos acreditam que a cor da esperança ainda é o verde"
Cabe-nos mostrar que o "segredo" é mesmo esse e que o PAN veio para crescer e ficar.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
off load
Vergílio Torres
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
acordei com um pássaro negro esvoaçando em casa
:
preto como um estorninho mas de cauda comprida como se de melro
não sei identificar
já me limpou todas as teias-de-aranha dos ângulos mais altos das paredes
onde o espanador - preso a uma cana - não alcança
cumprido o seu papel de utilidade
vou abrir todas as janelas
para lhe mostrar
o caminho da sua liberdade
liberdade de pássaro
não é igual
à liberdade de pessoa
liberdade de pessoa
é quando não tem grades
casa de pássaro é o céu
e sua liberdade é quando voa
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Rita Cardoso - "Emoções" from MPAGDP on Vimeo.
Tomai outras coisas mais, por quem sois!
Rita Cardoso - "Coisas Concretas" from MPAGDP on Vimeo.
Rita Cardoso - "Serve-te" from MPAGDP on Vimeo.
Nosso coração é antigo
de antes de haver idade
por isso existir lhe não dá abrigo
ébrio de espanto e saudade
Odeio símbolos, os mestres-de-obras dos poemas, os clínicos
analistas das metáforas, os engenheiros do amor, os arquitetos
da foda, os psicanalista da música fúnebre. Odeio os que num verso
tentam perceber a minha vida toda. Invertem parábolas, agitam-nas,
sacodem-nas, analisam a minha dor à lupa.
Rais parta a simbologia, as pernas das letras, os nenúfares nas mesinha
de cabeceira, os poetas escriturários, belos, sentimentais e sonâmbulos
como os bois pela beirinha da estrada.
Odeio os que a modinho retiram a vesícula do poema, injetam sol
e pleonásmos, virgulam os sentidos.
Meus senhores, o que escrevo advém das flores, roubado às flores,
plagiado das flores. Esse é o meu crime, o meu sangue, que é fresco
e tem sete fuso horários.
Por favor, não me dêem cabo dos significados!
domingo, 15 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
La prière du coeur

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Para venir a lo que gustas has de ir por donde no gustas

Para venir a gustarlo todo
no quieras tener gusto en nada.
Para venir a saberlo todo
no quieras saber algo en nada.
Para venir a poseerlo todo
no quieras poseer algo en nada.
Para venir a serlo todo
no quieras ser algo en nada.
Para venir a lo que gustas
has de ir por donde no gustas.
Para venir a lo que sabes
has de ir por donde no sabes.
(…)
Cuando reparas en algo
dejas de arrojarte al todo.
Para venir del todo al todo
has de dejarte del todo en todo,
y cuando lo vengas de todo a tener
has de tenerlo sin nada querer.
En esta desnudez halla el
espíritu su descanso, porque no
comunicando nada, nada le fatiga hacia
arriba, y nada le oprime
hacia abajo, porque está en
el centro de su humildad.
Juan de la Cruz
UM IMPÉRIO NOSSO

Atente-se menos na noção, e mais no fazer-se, dinâmico, desta aglutinação vista através das janelas baças de um quarto para dentro do mesmo quarto. Uma introspecção ajoujada num acto de sofrimento, que, se não transmitisse qualquer interesse, não era por isso menos verdadeiro. Este império! Presente renovo na leitura a esmagar empíricos sentidos, solipsismo montado em elefantes brancos.
Que manifesto? Que coisa? Aonde a subir cinzentamente cinza tão cruel e bruta que não podia deixar de ser nossa?
E aos olhos de quem, se fossem para diferenciar algo? Não teriam inclusos a qualquer consideração a mais pequena intenção prometeica de se constituírem impérios além de unipessoais tanto que o fossem grandes, e eram os maiores
Impérios de cinza perdida que eram capazes de envergonhar um Napoleão com a sua amplitude. Conseguem ser mais do que esses mediatos obviamente concretos e exteriores, onde os desapiedados fariseus tentam engordar-se na atmosfera dos ditados
Aqui está equilibrado o sujeito da sua pessoa, o espaço indómito da verdade com bigodes mefistofélicos, nossos, que os retorcemos com um movimento de dedos desinteressados. O desconsolo das batalhas perdidas ou vencidas que nunca precisaram de o ser na edificação, tentam apossar-se, e conseguem, à sua maneira, um nascer do Sol que não lhes pertence, definindo-o e sublinhando-o em insufladas selvaticamente de serenatas de plástico desafinadas como um exército perdido de império estrangeiro
Com botas gastas marcham as hostes hasteadas de aonde de alguém, seguindo obstinadamente a sombra de velhos sujos, que lhes pareciam, bizarramente, os sósias do Salazar na cama, assinando inutilmente. Afinal sempre se cansam do sol, e tais coisas e às tantas se perdem em si, abstrusas nas intenções, sósias deles. Ou as luzes jamais lhes pertenceram, a esses ditadores bêbados e cambaleantes, e eles ofuscados se simplificaram no labirinto assustado de cada um.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
Votos de um 2012 radical
Desejo-vos o que me desejo, pois bem disso careço: Revolução interior, abolição da ficção do ego, explosão de amor e compaixão por tudo e por todos!
Só assim faremos a Diferença e seremos a Alternativa que este fim de ciclo de civilização pede de todos nós. Só assim seremos credíveis obreiros de um Outro Portugal, uma Outra Europa e um Outro Mundo, em nós erguidos das ruínas deste canto de cisne tecnocrático, economicista e financeiro, que esgota todos os balões de oxigénio da natureza e da Vida.
Conto encontrar-vos, com espírito não-violento, pacífico e positivo, na manifestação de 10 de Janeiro, às 18.30, no Rossio, em Lisboa, contra a venda da EDP, mas sobretudo a favor de ética na política. Uma manifestação que não é contra os chineses nem contra ninguém, mas acima de tudo contra a nossa apatia e a favor de uma nova sociedade e civilização, fundada na consciência, no amor e no respeito por todas as formas de vida.
Bem hajam!
sábado, 24 de dezembro de 2011
BOAS FESTAS
mesmo ao multimilionário RICARDO DIMAS
e a todos os milionários do mundo
que conseguiram fortuna pelos seus métodos
BOM NATAL também ao José SÓCRATES
e ao deputado da atual Assembleia da República
que desejava felicidades a todos os emigrantes
à exceção
do que tinha emigrado para Paris
para estudar Filosofia
BOM NATAL aos norte-coreanos
que ainda agora hão de chorar
a morte do seu GRANDE CHEFE Kim Jong II
mais do que todos os cristãos
alguma vez choraram a crucificação de CRISTO
e acreditam na sua santidade
pela neve e trovoada que tombaram sobre Pyongyang
no decurso
das exéquias funerárias
e porque as águas de um Lago sagrado se cindiram
e porque uma montanha rochosa enorme
num minuto se tornou urbano montículo de lixo
BOM NATAL a todos os católicos
que acreditam que Jesus subiu aos Céus ressuscitado
libertando-se de um pesado inviolável túmulo de pedra
e aos muçulmanos todos
para quem Maomé também subiu aos Céus
chegado aí cavalgando a sua pura égua Kamsa
BOM NATAL aos Budistas todos - adoradores do gorducho e sempre sorridente Buda
aos hindus de Brahama
e de seu TRIO
aos crentes em todas as Tríades da História
:
- triunviratos
- trindades
- adoradores da própria TROIKA
BOM NATAL aos animistas todos
aos que adoram o Sol o Sado e os golfinhos
mas também as menos simpáticas taínhas
dos cais de Setúbal e de Troia
Bom Natal aos chineses que nos invadem o Comércio
e aos que não emigram e ficam por lá
a construir barragens e a semear os campos
e a ganhar dinheiro
para nos comprarem as nossas EDPs
aos que cultivam o ópio no Afeganistão
a coca na Colômbia no Chile no Perú
cannabis em Marrocos Argélia África por inteiro
até nos quintais de Albufeira
ou onde reste uma leira de terra das couves e dos nabos
BOM NATAL a todos os drogados
e a seus familiares a vida inteira de ressaca
sem alguma vez terem experimentado a droga
BOM NATAL também aos traficantes
e aos dealers
e aos barões que têm os filhos a estudar em Londres
e nas melhores Universidades da América
e têm apartamentos no Dubai em que todos os metais
para uniformizar são ouro
BOM NATAL aos que produzem toda a droga
arriscando a vida porque eles próprios são pobres que nem JOB
aos mineiros que escaparam no Chile do fundo de uma mina
e a todos os milhares de milhares de companheiros
que esgaravatam a terra com perícia de toupeiras
BOM NATAL a todos os que têm casa nos 5 continentes
mas também áqueles
para quem o cemitério será
sua não última mas primeira moradia
se me permitem - aos SEM e CEM abrigos
BOM NATAL a todos os com defeitos físicos
aos invisuais
porque não conseguem ver
mas também aos cegos
que não vêem porque não lhes agrada ver
aos acamados aos doentes terminais
às enfermeiras e aos médicos
aos que trabalham e aos que estão em greve
aos que acreditam
que houve Jesus Cristo filho de Deus e de Maria
que foi menino
e nasceu mesmo neste dia 25
ou teria sido 24?
há 2011 (ou serão 2012?) anos
mas sobretudo um BOM NATAL
aos que mesmo não acreditando em nada disto
são bons
e honestos
e justos
e solidários
e pacíficos
e simples
capazes de todos os milagres
como se fossem CRISTO
penhamata
emana, irmana o perfume de cedros e montanha
na pele as rosas e os musgos,
o fado a chama, a chamada
os melros, os cerros, e a montada
na lunação do véu uiva a aurora,
a sede, acende, ascende, nascente.
Mensagem de Natal
Há cerca de três anos não conhecia sequer os blogues e o Facebook. Circunstâncias várias aqui me trouxeram e, sobretudo o meu envolvimento com o PAN, fez com que no Facebook rapidamente me visse a gerir várias páginas e com uma comunidade de muitos milhares de amigos e apoiantes. Nesta passagem das actividades mais espirituais e culturais a uma acção mais pública, em prol de causas que de todos são conhecidas - direitos humanos, direitos dos animais, ecologia, universalismo cultural e diálogo inter-religioso - , tenho feito muitas amizades e diminuído ou perdido outras, o que tem sido raro. Tenho também encontrado adversários e até inimigos, como é natural. E muitos indiferentes, como também é natural.
Seja como for, nesta véspera de Natal, em que se comemora, consciente ou inconscientemente, a possibilidade de em nós nascer um Homem Novo, quero desejar a todos, e mesmo a todos - pensem, digam e façam o que pensarem, disserem e fizerem e gostem ou não de mim e do que penso, digo e faço - , toda a Felicidade do mundo e agradecer-vos por vos conhecer e pelo privilégio de partilhar convosco a aventura desta existência. Digo isto sobretudo aos meus adversários e inimigos.
Quero também dizer-vos que vejo hoje confirmar-se o que desde criança pressentia: que iria assistir a grandes coisas e a grandes mutações na história do mundo e que iria ter parte activa nelas. Estamos na verdade num momento dramático, crucial e decisivo da história de Portugal, da Europa e do planeta, em que somos confrontados com grandes dificuldades, a maior das quais é a de enfrentar as consequências da devastação que a humanidade tem causado na Terra, nos animais e em si mesma, bem como o novo obscurantismo que sobre todos nós se abate, sob a forma da ditadura económico-financeira de um capitalismo selvagem sem quaisquer princípios éticos que visa reduzir a população mundial a um novo exército de escravos ao serviço da avidez e ganância das forças obscuras que se ocultam por detrás de governos e partidos do poder. Isso é mais imediatamente evidente em Portugal, um país e uma cultura milenar de gente boa que está a ser destruído por sucessivos governos, a ser ocupado pela banca mundial e a ser colonizado por potências obscuras como a China.
Cabe-nos a todos sermos Resistência e Alternativa, criar práticas culturais, sociais e económicas que sejam o embrião da sociedade futura, construir a ponte entre uma civilização que morre e outra que aflora à luz do dia. Para tal somos todos necessários: movimentos de cidadãos, forças políticas e culturais independentes do poder estabelecido e que não visem mais do mesmo, indivíduos conscientes. Temos de nos unir, organizar e agir. É necessário inverter o processo que tem afastado da política as pessoas boas e competentes, com princípios e valores, com sentido do bem comum, para a deixar nas mãos dos medíocres, corruptos e vendidos a quem mais lhes paga. Política haverá sempre: se não queremos ser vítimas dela, temos de a exercer em prol da justiça e arrancá-la ao domínio dos grupos económico-financeiros. Não nos espera tarefa nada fácil, dado o poder e a violência das forças da ignorância e da ganância que se abatem sobre humanos e não-humanos e devastam a Terra. Temos todos de nos superar, indo buscar energias que agora desconhecemos, mas que são desde sempre e já presentes no mais íntimo de quem somos. Muitas tentações surgirão, como a de desistirmos, nos acomodarmos e dividirmos. Vencê-las-emos se nos motivarmos pensando no socorro dos que mais sofrem e na importância de assegurarmos um futuro para a Terra, para os nossos filhos e netos, esquecendo fins e interesses pessoais, de modo a que possamos morrer com a consciência do dever cumprido. Só assim seremos a Diferença e brilharemos, sem orgulho, como um relâmpago eterno na mais escura noite. Só assim assumiremos as grandes responsabilidades que nos esperam, estrelas cravadas no firmamento das nossas vidas.
Beijo-vos e abraço-vos, uma a uma, um a um
Boas Festas!
Que nasça Hoje e Sempre em nós uma consciência ética universal, que nos leve apenas a pensar, dizer e fazer o que vise o Bem de tudo e de todos, humanos e não-humanos!
Paulo Borges
24.12.2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Procuro o ponto de fuga.
Desenho o luar em cada noite escura.
Despeço-me do sol.
Na monotonia do amarelo, deito-me e sonho
com o mar que caminha para a montanha,
até que a terra encontre o céu e o azul tome conta da cor.
Descubro no gesto o sentido.
Entre a mesa e a janela, da minha casa
Mora teimosa uma parede amarela
Cansada, debotada na cor,
Delicada, encosto meu corpo
Apoio no ombro a vontade de ser
Abro a janela, abraço a liberdade.
No horizonte - vida.
domingo, 18 de dezembro de 2011
JARDIM ZOOILÓGICO
só partículas atómicas
mesmo essas gravitam
em movimentos apenas aparentemente
determinísticos









