segunda-feira, 30 de maio de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
POLÍTICA
esta noite vou a comício
do meu partido
é um pequeno partido
assim eu em tudo
assim meu Fado
eu até diria
entre o alegre e o irado
que faria sentido
em vez de partido
lhe chamar
estalado
cá bem no fundo
gosto do meu partido
porque não aspira a ser
nem o maior
nem o melhor do Mundo
domingo, 22 de maio de 2011
lâmpada - mas não acendo
os deuses fizeram-me imperfeito
- talvez um pouco em excesso -
como em todo o processo de fabrico
há sempre uma percentagem
de produto
com defeito
sexta-feira, 20 de maio de 2011
"Nem uma coisa boa é tão boa como nada" (F F.)
Na espada da ousadia, e no garbo de seu manejo, aqui deponho em colagem, com as mãos ainda enregeladas de seu arrepiante bisturi de beleza e de verdade, palavras, caídas como folhas prematuras, de certo ferrolho não imigo, entreaberto em seu mesmo fechar-se[-me] :
"Nem uma coisa boa é tão boa como nada".
Talvez porque "só os frívolos não julgam pelas aparências".
“Apanha [pois] o cavalo vigoroso do teu espírito” ...
(... faustas palavras!)
quinta-feira, 19 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
SENTADO NUMA SALA ÀS ESCURAS

Sentado numa cadeira na sala às escuras. Uma perna para cada lado, os braços lassos. Um nervosismo parece inspeccionar cada contra-luz numa maldição
O que está de cu sentado cisma como versos de Ajax por entre intervalos a roerem unhas. E transpira o escuro, MEMÓRIAS. Intersecção rutilante, nada menos.
Sentado ao abandono absoluto da compreensão numa púbere e permanente existência de Ser, como são, uma fileira interminável de bonecos sachados da terra porca com uma única frase pendurada da ponta da língua, caindo como gota de cuspo:
“nada menos que o céu”
Quem estava sentado deitar-se-á através das casas construídas no pó e fechadas por dentro, vogando etereamente num sono incomodado pelas dúbias irisões de alguém. Os pés dum homem sentado devorados pela luz, se a houvesse.
Mas quer o sono, quer a escuridão, almejam ser parte da sóbria forma. Em boa verdade, já o são. Seguindo por quaisquer recortes de sombra do acto, as definições dum carvão grosso gizam estes tubérculos saídos da terra a pontapé selvagem.
Postos numa cadeira, aparentemente, ou deitados. Rebolam ocos a precisar de amparo a muletas cinzentas. Que a cadeira tomba sempre num crepúsculo que se adiantou muitos anos; as muletas fizeram cair o coxo; e sono ingénuo, engravida em pesadelos de baixa estirpe.
Pois não há lugar para relaxar nesta sala de espera sem ser pontos interrogados até ao nulo, os pontos que sussurram deixas na casinha do teatro para o postiço Ajax.
Umas composições mal amanhadas, não obstante, que se lhe estivessem a definir a mentira, porventura seriam menos ousadas, menos rasas; pois aquilo que nos força está brincando com a omnipotência do momento para o qual nos espojamos. A mentira da anulação é o sossego das tropas que a querem.
Quando sobras frouxas a cabecearem nas injúrias, o descanso do fundo se complementa pela certeza de lata e pela sombra. Já nem adivinho porque me sentei, se estou no chão, acossado por leoninas manifestações votadas, espreitado por coveiros ansiosos de trabalho. Aqui é o lugar do sonho e do cadáver onde se atenua o ante-facto, e se abana compreensivamente a cabeça para ante-passado, mesmo que o presente, zombeteiro, se valide sem ajuda ou aceitação de cadeiras desocupadas.
Quando este repouso consiste numa ilusão de amanuense onde o próprio repouso nos faz estar sentados, para numa apatia violenta não nos dar a vontade de se levantarem pelo menos os braços, e se arregaçarem as mangas,
Cadeira caída para trás, sono perturbado, lençóis mexidos por um terror bêbado de altas horas
Para a vida, figurada, consistir assim na verdadeira tragédia do nosso pleno direito. Para o destino, manifesto de pé, corajoso pobre, encaixar e aprovar a necessidade da mentira amiga que lhe chega com descansos palpáveis e alheamentos de prostituta coroada...
Ao estar assim, herói de um Sófocles delirado, para negociar, no mínimo, com um aspecto de paixão que lhe custe, deveras.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
CANCRO
amputaram-lhe uma perna
mas mesmo assim caminha
-socorre-se de canadianas
tiraram-lhe um pulmão
mas mesmo assim respira
nada na piscina com um ar feliz
em vez de duas - com uma barbatana
que raio de cancro é este
que mesmo assim resiste
os médicos não lhe dão
mais de uma semana
felizmente há anos
que os médicos não dão
a este resilente cancro
mais de uma semana
Edd'ora addio... — Mia soave!...

Aos meus Amigos d'Orpheu
— Mia Soave... — Ave?!... — Almeia?!...
— Mariposa Azual... — Transe!...
Que d'Alado Lidar, Canse...
— Dorta em Paz... — Transpasse Ideia!...
— Do Ocaso pela Epopeia...
Dorto... Stringe... o Corpo Elance...
Vai À Campa... — Il C'or descance...
— Mia soave... — Ave!... — Almeia!...
— Não dói Por Ti Meu Peito...
— Não Choro no Orar Cicio...
— Em Profano... — Edd'ora... Eleito!...
— Balsame — a Campa — o Rocio
Que Cai sobre o Último Leito!...
— Mi'Soave!... Edd'ora Addio!...
Ângelo de Lima
sábado, 14 de maio de 2011
RIO de NADA
há que ter cuidado
não és novo
és um rio cansado
próximo da foz
já quase Mar
já quase nada
manso rio anónimo
onde raro chega
a enxurrada
não és tu que matas
para trás ficou
o ímpeto das ondas
próximo do Mar
és uma toalha
de esconder cadáveres
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Deixa que o rio se estreite. Conta-me tudo, sem pressa. Conta-me o resto.As casas decimais estão sempre a fugir.esquece a vírgula, coloca outro zero. as contas nunca se acertam. Deixa-me agora descansar nesse teu estar. Devagar, estar em ti. No cheiro que adormece preguiçoso em teu corpo, Deixa-me estar entre a vontade e o desejo de continuar a estar. Deixa-me agora, que durmo em silêncio enquanto me esqueço...
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Política - Partido pelos Animais e pela natureza candidata-se em 5 de junho - RTP Noticias, Vídeo
Política - Partido pelos Animais e pela natureza candidata-se em 5 de junho - RTP Noticias, Vídeo
A minha entrevista de hoje no Jornal da Tarde da RTP1. Passará agora, no Jornal da Noite, um resumo. Amanhã, 6ª feira, deve sair uma entrevista no semanário "Sol". Há uma Alternativa e uma Diferença na vida política nacional, que não fala só de economia e finanças. Passem palavra e bem hajam! Havemos de fazer de Portugal um país a sério: Mais Valor aos Valores!
A minha entrevista de hoje no Jornal da Tarde da RTP1. Passará agora, no Jornal da Noite, um resumo. Amanhã, 6ª feira, deve sair uma entrevista no semanário "Sol". Há uma Alternativa e uma Diferença na vida política nacional, que não fala só de economia e finanças. Passem palavra e bem hajam! Havemos de fazer de Portugal um país a sério: Mais Valor aos Valores!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
sábado, 7 de maio de 2011
Só tu poeta, escutas a prenhe terra, adivinhas
quando um fruto vem em queda livre e atiras a tua vida
estendida como lençol para o amparar. só tu poeta, nasceste
na colisão do sol e lua, maturas a semente feito um outono ao chegar,
tão crente como a terra a fechar uma ferida. só tu poeta, corres
atrás da imortalidade, porque sabes que por detrás das palavras
estão outras palavras, que são as tais que brilham no útero ardente
do pensamento.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Tradução livre de um trecho de Mallarmé

Mais ou menos o que segue: Sons da meia-noite - a meia-noite em que os dados devem ser moldados. Igitur desce as escadas da mente humana, vai às profundidades das coisas: como o " absoluto, ainda vestido de fato" que é. centro inoperante das túmulos pisados em cinza de cigarro barato (sentimento, nem mente). Relata a predição e faz o gesto, grande gesto apanhado das sombras de um peru. Indiferença. Assobios de símio nas escadas. " Você é errado, sumamente errado nesses animais que encena. Você é errado": Emoção do constatado, som de sapatos velhos a descer uma avenida vazia. O infinito emerge da possibilidade, ainda que raptado das garras do absurdo, que você negou. Você em matemáticos expirou, insultado por Pitágoras, que logo a seguir se emoldura num chouriço de palhaço bêbado, - eu sou o absoluto projetado. Eu devia terminar o ano em Infinidade. Simplesmente palavra e gesto, sombra, contornos rocambolescos de animais irracionais. Quanto para o que eu lhe estou dizendo, a fim de explicar minha vida pouca coisa acrescenta senão ao clássico conjunto, eu conquistei os paradigmas. Nada permanecerá de você - o infinito em escapes da última família, e o que sofreu dela - espaço velho - nenhuma possibilidade. Raparigas nascidas em bairros de lata, ainda ladylike nas suas maneiras de produzir este poema. A família era direita para negá-lo - sua vida - de modo que permanecesse o absoluto. Era este ocorrer nas combinações do frente a frente infinito com o Absoluto, uma coisa desmedida, insana de despenteada pelo vento soprado. Então necessária somente - a ideia extraída. Loucura de Vantajoso. Um dos atos do universo foi cometido lá apenas. Nada mais, a respiração permaneceu, o fim da palavra e gesto unido, casulo furado por borboletas loucas querendo fugir – fundos para fora na vela de ser, tão ela que não eram, por que tudo foi. Prova. (Pense nisso)
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Serpentes com Penas
Dizer-se que uma prisão é um local para se expressar liberdade é, ainda não estar liberto. E não estar liberto é, nada expressar no que à liberdade diz respeito.
Eu posso partilhar convosco este belo texto:
Mas tal como vos não consigo provocar vontade, em nada afetarei a vossa liberdade.
Da prisão vos escrevo. Porque vos escrevo. Sejam palavras minhas, sejam citações.
Pensando... Mas ainda preso na necessidade da pontuação. (outra vez!) (e outra vez)! outra vez outravez fjk
Eu posso partilhar convosco este belo texto:
As I said before, my purpose is to make men unconditionally free, for I maintain that the only spirituality is the incorruptibility of the self which is eternal, is the harmony between reason and love. This is the absolute, unconditioned Truth which is Life itself. I want therefore to set man free, rejoicing as the bird in the clear sky, unburdened, independent, ecstatic in that freedom . And I, for whom you have been preparing for eighteen years, now say that you must be free of all these things, free from your complications, your entanglements. For this you need not have an organization based on spiritual belief. Why have an organization for five or ten people in the world who understand, who are struggling, who have put aside all trivial things? And for the weak people, there can be no organization to help them to find the Truth, because Truth is in everyone; it is not far, it is not near; it is eternally there.
Mas tal como vos não consigo provocar vontade, em nada afetarei a vossa liberdade.
Da prisão vos escrevo. Porque vos escrevo. Sejam palavras minhas, sejam citações.
Pensando... Mas ainda preso na necessidade da pontuação. (outra vez!) (e outra vez)! outra vez outravez fjk
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