terça-feira, 17 de agosto de 2010
Verão em Oriola - há 25 anos
A CASA AMARELA
há uma casa amarela
e nela uma janela
e à janela da casa
um velho rosto- argila
à janela do rosto
uma poalha rala
restos do fino pó
do rodapé da Vila
e a casa e o rosto
são uma coisa bela
chapa de fogo vaga
sob um azul viril
e tudo aqui é calmo
e tudo aqui é belo
neste quadro amarelo
que faz sede e respira
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Hoje acordei com a certeza de que me falta tempo.
quero viajar pelo mundo
viver/conviver com o sorriso
e o choro daqueles que habitam outras paragens.
Não vou poder abraçar as mulheres - girafa,
nem as meninas que vestem a burca
mal o sangue lhes escapa.
Não vou conseguir aprender
com as gueixas a arte de ouvir,
nem com as índias a de parir
e sorrir.
Queria viajar e sentir
em todos um abraço
que resulta do que cada um somos
enquanto vida.
Queria aprender a dançar
e a rezar sem conceitos e preconceitos.
Hoje acordei com a falta que tenho
de não poder jogar-me nos braços
do homem que dança o tango.
Hoje dei conta da falta,
e da vontade que tenho em voltar,
do tempo que uma vezes é longo
e agora tão curto.
Quero abraçar o mundo e para isso terei sempre tempo.
quero viajar pelo mundo
viver/conviver com o sorriso
e o choro daqueles que habitam outras paragens.
Não vou poder abraçar as mulheres - girafa,
nem as meninas que vestem a burca
mal o sangue lhes escapa.
Não vou conseguir aprender
com as gueixas a arte de ouvir,
nem com as índias a de parir
e sorrir.
Queria viajar e sentir
em todos um abraço
que resulta do que cada um somos
enquanto vida.
Queria aprender a dançar
e a rezar sem conceitos e preconceitos.
Hoje acordei com a falta que tenho
de não poder jogar-me nos braços
do homem que dança o tango.
Hoje dei conta da falta,
e da vontade que tenho em voltar,
do tempo que uma vezes é longo
e agora tão curto.
Quero abraçar o mundo e para isso terei sempre tempo.
Petição pela abolição das touradas e de todos os espectáculos com touros
Considerando que:
a) a ciência reconhece inquestionavelmente a maioria dos animais, incluindo cavalos e touros, como seres sencientes, capazes de sentir dor e prazer, físicos e psicológicos, bem como sentimentos de medo, angústia, stress e ansiedade;
b) as touradas gozam em Portugal de um injustificado regime de excepção legal, pois o ponto 2 do Artigo 3.º da Lei n.º 92/95 de “Protecção aos animais”, que diz que “As touradas são autorizadas nos termos regulamentados”, contradiz frontalmente o ponto 1 do Artigo 1.º da mesma lei, que declara que “São proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes em, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal”, o que é manifestamente o caso das touradas;
c) a maioria da população portuguesa é contra a tauromaquia, conforme mostra um estudo realizado em 2007 pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE;
d) as touradas ofendem a fé e o sentimento maioritariamente cristãos e católicos do povo português, pois a Bíblia apresenta os animais como criaturas de Deus (Génesis, 1, 24) e o Catecismo Católico declara ser “contrário à dignidade humana fazer com que os animais sofram ou morram desnecessariamente”, doutrina recentemente recordada pelos Papas João Paulo II e Bento XVI;
e) o artigo 9.º da Constituição da República Portuguesa consagra como tarefa fundamental do Estado “promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo”, o que se contradiz pela permissão das touradas, que ofendem o sentimento maioritário da população e contribuem para a degradação moral de quem obtém prazer estético e psicológico com o sofrimento dos animais;
f) as touradas são uma das expressões de uma cultura da insensibilidade e da violência que degrada quem a pratica e promove, o que ofende o Artigo 1.º dos “Princípios fundamentais” da Constituição da República Portuguesa, que proclama Portugal como “uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana”;
g) vários estudos e especialistas concordam que a prática e a aceitação da violência contra os animais predispõe para a prática e a aceitação da violência contra os homens;
h) o progressivo abandono de tradições retrógradas, contrárias a um sentido humanista de cultura como aquilo que contribui para nos tornar melhores seres humanos, é o que caracteriza a evolução mental e civilizacional das sociedades e melhor corresponde à sensibilidade contemporânea;
i) a existência de touradas no século XXI constitui um embaraço para Portugal perante a comunidade internacional, configurando a imagem de um país com pessoas e práticas bárbaras;
j) a abolição das touradas é compatível com a manutenção da sua coreografia, sem a utilização de animais, num espectáculo em que se preserve a estética tradicional e que possa converter-se na atracção turística que as touradas não são e nunca foram, pela repulsa que geram nos cidadãos estrangeiros (a evolução dos costumes ditou o mesmo em muitas culturas, convertendo antigas práticas marciais, com mortes e derramamento de sangue, em artes lúdicas, como no caso do kendo japonês e da capoeira afro-brasileira, entre muitos outros exemplos);
l) a abolição das touradas vem na linha humanista da abolição da pena de morte, em que Portugal foi pioneiro, e promoverá a imagem de Portugal em todo o mundo, sendo um contributo decisivo para o país mais ético que todos desejamos, esse “país mais livre, mais justo e mais fraterno” consagrado no “Preâmbulo” da Constituição da República Portuguesa;
Vimos por este meio solicitar que se aprove legislação no sentido de abolir completamente as touradas e todos os espectáculos com touros, sob qualquer forma, em todo o território nacional, convertendo-se as actuais praças de touros em museus e casas de cultura onde se preserve informação sobre uma prática ultrapassada e onde se promovam actividades humanitárias e de introdução dos jovens e do público em geral a um maior conhecimento e sensibilidade para com a natureza e os seres vivos, criando postos de trabalho onde se podem inserir muitas das pessoas agora dedicadas às actividades tauromáquicas.
www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=010BASTA
a) a ciência reconhece inquestionavelmente a maioria dos animais, incluindo cavalos e touros, como seres sencientes, capazes de sentir dor e prazer, físicos e psicológicos, bem como sentimentos de medo, angústia, stress e ansiedade;
b) as touradas gozam em Portugal de um injustificado regime de excepção legal, pois o ponto 2 do Artigo 3.º da Lei n.º 92/95 de “Protecção aos animais”, que diz que “As touradas são autorizadas nos termos regulamentados”, contradiz frontalmente o ponto 1 do Artigo 1.º da mesma lei, que declara que “São proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes em, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal”, o que é manifestamente o caso das touradas;
c) a maioria da população portuguesa é contra a tauromaquia, conforme mostra um estudo realizado em 2007 pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE;
d) as touradas ofendem a fé e o sentimento maioritariamente cristãos e católicos do povo português, pois a Bíblia apresenta os animais como criaturas de Deus (Génesis, 1, 24) e o Catecismo Católico declara ser “contrário à dignidade humana fazer com que os animais sofram ou morram desnecessariamente”, doutrina recentemente recordada pelos Papas João Paulo II e Bento XVI;
e) o artigo 9.º da Constituição da República Portuguesa consagra como tarefa fundamental do Estado “promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo”, o que se contradiz pela permissão das touradas, que ofendem o sentimento maioritário da população e contribuem para a degradação moral de quem obtém prazer estético e psicológico com o sofrimento dos animais;
f) as touradas são uma das expressões de uma cultura da insensibilidade e da violência que degrada quem a pratica e promove, o que ofende o Artigo 1.º dos “Princípios fundamentais” da Constituição da República Portuguesa, que proclama Portugal como “uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana”;
g) vários estudos e especialistas concordam que a prática e a aceitação da violência contra os animais predispõe para a prática e a aceitação da violência contra os homens;
h) o progressivo abandono de tradições retrógradas, contrárias a um sentido humanista de cultura como aquilo que contribui para nos tornar melhores seres humanos, é o que caracteriza a evolução mental e civilizacional das sociedades e melhor corresponde à sensibilidade contemporânea;
i) a existência de touradas no século XXI constitui um embaraço para Portugal perante a comunidade internacional, configurando a imagem de um país com pessoas e práticas bárbaras;
j) a abolição das touradas é compatível com a manutenção da sua coreografia, sem a utilização de animais, num espectáculo em que se preserve a estética tradicional e que possa converter-se na atracção turística que as touradas não são e nunca foram, pela repulsa que geram nos cidadãos estrangeiros (a evolução dos costumes ditou o mesmo em muitas culturas, convertendo antigas práticas marciais, com mortes e derramamento de sangue, em artes lúdicas, como no caso do kendo japonês e da capoeira afro-brasileira, entre muitos outros exemplos);
l) a abolição das touradas vem na linha humanista da abolição da pena de morte, em que Portugal foi pioneiro, e promoverá a imagem de Portugal em todo o mundo, sendo um contributo decisivo para o país mais ético que todos desejamos, esse “país mais livre, mais justo e mais fraterno” consagrado no “Preâmbulo” da Constituição da República Portuguesa;
Vimos por este meio solicitar que se aprove legislação no sentido de abolir completamente as touradas e todos os espectáculos com touros, sob qualquer forma, em todo o território nacional, convertendo-se as actuais praças de touros em museus e casas de cultura onde se preserve informação sobre uma prática ultrapassada e onde se promovam actividades humanitárias e de introdução dos jovens e do público em geral a um maior conhecimento e sensibilidade para com a natureza e os seres vivos, criando postos de trabalho onde se podem inserir muitas das pessoas agora dedicadas às actividades tauromáquicas.
www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=010BASTA
Compaixão sem sabedoria? Egocompaixão?
Chamam ao Cristianismo a religião da compaixão. A compaixão está em contradição com as emoções tónicas, que elevam a energia do sentimento vital; a compaixão tem acção depressiva. Quando alguém se compadece, perde a força. Pela compaixão aumenta-se e multiplica-se o desperdício de energia que o sofrimento, por si próprio, já traz à vida. O próprio sentimento torna-se, pela compaixão, infeccioso; em determinadas circunstâncias, pode chegar-se a um desperdício global de vida e de energia vital, que se encontra numa relação absurda com o quantum da causa (o caso da morte do Nazareno). [...] Ousou-se mesmo chamar virtude à compaixão (em qualquer moral nobre, surge como fraqueza); foi-se mais longe, fez-se dela a virtude, o solo e a origem de todas as virtudes - só que, e é necessário não o esquecer, a partir do ponto de vista de uma filosofia que era niilista, que inscrevia como divisa no seu escudo a negação da vida.
Friedrich Nietzsche, O Anticristo, Edições 70, p.19
Friedrich Nietzsche, O Anticristo, Edições 70, p.19
sábado, 14 de agosto de 2010
para o RODRIGO
acabo de
:
comprar
ver
exibir aos amigos
Jornal I
suplemento INDEX
-capa tua -
meus amigos subestimam
como se fosse
um poema meu
um mau
poema meu
Traz-me
a música que habita em ti
beija-me até que ela seja eu
ensina-me, amor a melodia
que desaprendi antes de ti
às seis da manhã
o galo canta
o beija-flor acode feliz
e eu ainda estou a dormir
amanhã, antes do sol nascer
eu ainda sou criança
fala-me dos dias
quando despertas
e o verde é igual ao azul
mas antes,amor
cobre meu corpo
com a melodia do teu.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Orfeo ed Euridice
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Sacralização da Mulher
Ao procurarmos todavia possíveis fontes desta notável sacralização da mulher e do amor a ela, numa obra que se destaca pela narrativa do aprendizado de Cristo no Oriente bramânico e budista, não podemos todavia esquecer aquela tradição que, seja hindu ou budista, tem como uma das características principais o reconhecimento e a veneração da divindade ou sacralidade da mulher, assumindo ainda plenamente a vocação da sexualidade para a abertura religiosa e espiritual da consciência. Referimo-nos à tradiçao tântrica que, embora com diferenças no hinduísmo e no budismo, faz da mulher e do simbolismo feminino feminino do absoluto, objecto de uma devoção particular. Se no primeiro existem rituais preliminares à união sexual em que a consorte é venerada como uma deusa, no segundo, a par disso, o décimo-quarto interdito tântrico, nas escolas budistas tibetanas da Nova Tradução, é o de "Desprezar as mulheres", que, pelo contrário, devem ser consideradas como manifestações da "sabedoria" e como "dakinis" (entidades femininas subtis). Toda a forma de misoginia é assim uma falta grave. Há nas palavras de Issa, a nosso ver, uma nítida atmosfera tântrica, sendo bastante plausível, a verificar-se uma veracidade histórica do manuscrito descoberto por Notovich, que este Cristo desconhecido haja sido iniciado nas fontes espirituais daquela que é poventura a sabedoria mais profunda de todas as regiões por si visitadas - se bem que os primeiros textos tântricos propriamente ditos sejam posteriores, é de supor que tradição oral os precedeu -, ou que a narrativa acerca da sua viagem ao Oriente haja sido objecto de uma parcial releitura tântrica.
Paulo Borges, Prefácio O Cristo Desconhecido, in Nicolas Notovich, A Vida Desconhecida de Jesus Cristo, Lisboa, Mundos Paralelos, 2005, pp.29-30
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
«Por isso vos digo: depois de Deus, os vossos melhores pensamentos deverão ser para as mulheres e as esposas, sendo a mulher para vós o templo divino, onde mais facilmente obtereis a perfeita felicidade.»
A Vida de Santo Issa
O Melhor dos Filhos do Homem
XII 17
O Melhor dos Filhos do Homem
XII 17
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Rio São Francisco e seus afluentes
Senhor, fazei-me instrumento de vossa consciência.
Onde houver ódio, que eu leve a consciência do ódio;
Onde houver ofensa, que eu leve a consciência da ofensa;
Onde houver discórdia, que eu leve a consciência da discórdia;
Onde houver dúvida, que eu leve a consciência da dúvida;
Onde houver erro, que eu leve a consciência do erro;
Onde houver desespero, que eu leve a consciência do desespero;
Onde houver tristeza, que eu leve a consciência da tristeza;
Onde houver trevas, que eu leve a consciência das trevas;
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
Entender a ação das forças em mim, que tentar controlá-las;
Compreender o que está dentro, para compreender o que está fora
Amar a mim mesmo para que possa ser amado
Pois, é livrando-nos da culpa que perdoamos a nós mesmos
É morrendo em vida que se vive a eternidade.
Onde houver ódio, que eu leve a consciência do ódio;
Onde houver ofensa, que eu leve a consciência da ofensa;
Onde houver discórdia, que eu leve a consciência da discórdia;
Onde houver dúvida, que eu leve a consciência da dúvida;
Onde houver erro, que eu leve a consciência do erro;
Onde houver desespero, que eu leve a consciência do desespero;
Onde houver tristeza, que eu leve a consciência da tristeza;
Onde houver trevas, que eu leve a consciência das trevas;
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
Entender a ação das forças em mim, que tentar controlá-las;
Compreender o que está dentro, para compreender o que está fora
Amar a mim mesmo para que possa ser amado
Pois, é livrando-nos da culpa que perdoamos a nós mesmos
É morrendo em vida que se vive a eternidade.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Novas datas do retiro "Descobrir o Buda em nós": 4-5 de Setembro/Inscrições até 26 de Agosto
Descobrir o Buda em nós, Retiro de introdução ao budismo e à meditação budista na
Casa Grande - Paços da Serra, 4-5 Setembro. Um retiro de verão junto à Serra da Estrela.
Todos possuímos um infinito potencial de liberdade, sabedoria e bondade, a que a tradição budista chama natureza de Buda. Esse potencial está encoberto pelos nossos conceitos, emoções negativas e padrões inconscientes de comportamento, que nos mantêm constantemente agitados e preocupados, mas pode ser descoberto mediante o acalmar da mente e a abertura do coração. É esse o objectivo deste retiro, que nos oferece um espaço de encontro connosco próprios e possibilita a experiência directa do que realmente somos, para além de qualquer pressuposto moral, filosófico ou religioso.
O retiro será facilitado por Paulo Borges.
Reservas até 26 de Agosto: Margarida Vasconcelos
Tlm: 934297935
Tel: 238496341
info@casagrande.com.pt
www.casagrande.com.pt
Casa Grande - Paços da Serra, 4-5 Setembro. Um retiro de verão junto à Serra da Estrela.
Todos possuímos um infinito potencial de liberdade, sabedoria e bondade, a que a tradição budista chama natureza de Buda. Esse potencial está encoberto pelos nossos conceitos, emoções negativas e padrões inconscientes de comportamento, que nos mantêm constantemente agitados e preocupados, mas pode ser descoberto mediante o acalmar da mente e a abertura do coração. É esse o objectivo deste retiro, que nos oferece um espaço de encontro connosco próprios e possibilita a experiência directa do que realmente somos, para além de qualquer pressuposto moral, filosófico ou religioso.
O retiro será facilitado por Paulo Borges.
Reservas até 26 de Agosto: Margarida Vasconcelos
Tlm: 934297935
Tel: 238496341
info@casagrande.com.pt
www.casagrande.com.pt
"Que tudo fundamentalmente mude!"
"Que tudo fundamentalmente mude! Que um novo mundo brote das raízes do humano. Que uma nova divindade reine sobre os homens, que um novo futuro se lhes abra!
Na oficina, nas casas, nas assembleias, nos templos, por todo o lado, que a metamorfose se cumpra!" - Hölderlin, "Hypérion".
E que esta nova divindade seja a consciência afectiva do Todo, a sabedoria amorosa que abrace fraternalmente todos os seres vivos!
Na oficina, nas casas, nas assembleias, nos templos, por todo o lado, que a metamorfose se cumpra!" - Hölderlin, "Hypérion".
E que esta nova divindade seja a consciência afectiva do Todo, a sabedoria amorosa que abrace fraternalmente todos os seres vivos!
domingo, 8 de agosto de 2010
MEOlogismos (vale um sorriso?)
almoscreve - quando almocreve pára para fazer contabilidade
almocrava - almocreve crava
almocrata - dirigente político almocreve
moçolmano - jovem muçulmano
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Blink
Esquecido no banco do vagão antigo,
um retrato imaginado através do visor da tua câmara,
havia-se escapado do portefólio.
Por uma fracção de segundo procuraste por ele
enquanto o revisor pacientemente aguardava
que lhe entregasses o passe.
É assim,
sem nada até aqui teres compreendido,
entregaste-lhe um bilhete,
pois é assim que os sonhos te aparecem…
ao veres a ideia surgir na face do pequeno talão,
estendes-lhe o braço, e acordas,
como é o hábito de todos os viajantes…
A tua memória é a fotografia…
e quando te esqueces de voltar às imagens
elas acabam por se arrumar em pilhas…
Uma sobre outra se implantam
Uma sobre outra te enformam.
Caprichoso artifício da câmara,
do oco de uma caixa preta
com uma larga correia de couro pendida,
és fruto de um dispositivo,
de um pequeno cubóide adornado por dois olhos
que através dele imaginam o que tanto anseias.
Crias-te na imagem.
Dois visores… - dirias…
um sobre o outro,
o outro sobre o lado…
como que abaulados para fora,
tal qual dois bombons de hortelã-pimenta,
como aqueles bombons de menta
que ingurgitas noite e dia.
Cursas rápido, sempre eterno,
e desembestas…
o acaso faz o resto – explicarias…
Mas… foi apenas um trémulo disparo,
um clicar meio bêbado
que te fez colocar
um quadrado virgem na célula crua
pronta a impressionar.
E eis que, mas…
é assim…
e impossível é saber-se mais que nada,
como agora meramente um símbolo,
um apenas, ou mais que um número a fixar,
mais um que retratasse esse instante
como se a memória começasse com a fotografia,
contigo,
que as fizeste notáveis,
ao chão e à paisagem,
ao céu sobre a terra,
ao mar sobre o chão,
à criança,
a ti,
a todo-o-mundo visto da plateia
a mais nada como ninguém…
Sorrias, choravas,
mas esqueceste-te de rodar a pequena peça
de alvo latão cromado, colado ao teu polegar…
É a plateia quem te observa
e não a fotografia que mais desejas.
O tempo, deve passar e passar…
Tanto no fim, como ao inicio,
todo ele é infante, dor aguda,
e isso acontece como quando tu a vês,
como quando tudo te é primeira vez.
Assistes a célula e isso faz de ti seu alguém.
É o mundo quem te cria e não a fotografia em que pensaste.
Às vezes, interrogas-te…
- talvez fosse utopia ou parte da história que eu sonhei,
e sonhei, e sonhei…
Mas, como em todas as histórias acontece,
mudas-te por fim,
subitamente de rumo,
cruzas-te por aquela rua repisada
e entras já atingido em um novo caminho
que julgas não muito estar desviado da tua própria casa,
onde hesitas,
mais-que-vacilas,
onde deixas de a reconhecer…
esqueces a cor das cortinas,
esqueces-te da forma das janelas,
esqueces-te de ti dentro do seu apartamento.
Ela, é a fotografia,
a que te abre a porta de casa
com um espelho de vidro na mão…
Havia um espelho, sim, um espelho…
e uma câmara coberta de pó colorido…
um imenso espelho decomposto em imagens,
um espelho incluso peça a peça
- e sorris…
Vês agora a janela que deixaste aberta,
vês-te por cima de uma rua deserta
onde antevês o que entanto aí se passeia…
teu inerme contorno que serpenteia,
a tremer, a tremer…
a forma do teu atelier
que rente está do chão…
no espelho sempre aberto
há essa imagem diferente
como um reflexo contínuo…
passado e presente…
Saíste para comprar tabaco
– é o que diz a fotografia
um retrato imaginado através do visor da tua câmara,
havia-se escapado do portefólio.
Por uma fracção de segundo procuraste por ele
enquanto o revisor pacientemente aguardava
que lhe entregasses o passe.
É assim,
sem nada até aqui teres compreendido,
entregaste-lhe um bilhete,
pois é assim que os sonhos te aparecem…
ao veres a ideia surgir na face do pequeno talão,
estendes-lhe o braço, e acordas,
como é o hábito de todos os viajantes…
A tua memória é a fotografia…
e quando te esqueces de voltar às imagens
elas acabam por se arrumar em pilhas…
Uma sobre outra se implantam
Uma sobre outra te enformam.
Caprichoso artifício da câmara,
do oco de uma caixa preta
com uma larga correia de couro pendida,
és fruto de um dispositivo,
de um pequeno cubóide adornado por dois olhos
que através dele imaginam o que tanto anseias.
Crias-te na imagem.
Dois visores… - dirias…
um sobre o outro,
o outro sobre o lado…
como que abaulados para fora,
tal qual dois bombons de hortelã-pimenta,
como aqueles bombons de menta
que ingurgitas noite e dia.
Cursas rápido, sempre eterno,
e desembestas…
o acaso faz o resto – explicarias…
Mas… foi apenas um trémulo disparo,
um clicar meio bêbado
que te fez colocar
um quadrado virgem na célula crua
pronta a impressionar.
E eis que, mas…
é assim…
e impossível é saber-se mais que nada,
como agora meramente um símbolo,
um apenas, ou mais que um número a fixar,
mais um que retratasse esse instante
como se a memória começasse com a fotografia,
contigo,
que as fizeste notáveis,
ao chão e à paisagem,
ao céu sobre a terra,
ao mar sobre o chão,
à criança,
a ti,
a todo-o-mundo visto da plateia
a mais nada como ninguém…
Sorrias, choravas,
mas esqueceste-te de rodar a pequena peça
de alvo latão cromado, colado ao teu polegar…
É a plateia quem te observa
e não a fotografia que mais desejas.
O tempo, deve passar e passar…
Tanto no fim, como ao inicio,
todo ele é infante, dor aguda,
e isso acontece como quando tu a vês,
como quando tudo te é primeira vez.
Assistes a célula e isso faz de ti seu alguém.
É o mundo quem te cria e não a fotografia em que pensaste.
Às vezes, interrogas-te…
- talvez fosse utopia ou parte da história que eu sonhei,
e sonhei, e sonhei…
Mas, como em todas as histórias acontece,
mudas-te por fim,
subitamente de rumo,
cruzas-te por aquela rua repisada
e entras já atingido em um novo caminho
que julgas não muito estar desviado da tua própria casa,
onde hesitas,
mais-que-vacilas,
onde deixas de a reconhecer…
esqueces a cor das cortinas,
esqueces-te da forma das janelas,
esqueces-te de ti dentro do seu apartamento.
Ela, é a fotografia,
a que te abre a porta de casa
com um espelho de vidro na mão…
Havia um espelho, sim, um espelho…
e uma câmara coberta de pó colorido…
um imenso espelho decomposto em imagens,
um espelho incluso peça a peça
- e sorris…
Vês agora a janela que deixaste aberta,
vês-te por cima de uma rua deserta
onde antevês o que entanto aí se passeia…
teu inerme contorno que serpenteia,
a tremer, a tremer…
a forma do teu atelier
que rente está do chão…
no espelho sempre aberto
há essa imagem diferente
como um reflexo contínuo…
passado e presente…
Saíste para comprar tabaco
– é o que diz a fotografia
de novo na PISCINA
surpresa de hoje
:
pousou na minha mão
joaninha amarela
como gema de ovo
-com pintinhas castanhas
ao tentar contá-las
abriu as asas como um grilo
levantou voo
para lugar incerto sobre
a relva
ÀS VEZES confundo arte com conhaque
Arte é dor que vai doendo
Conhaque é conhaque
Que pensará o fósforo quando se acende?
Realmente é tudo uma questão de se lhe perguntar
Um velho acamado espera a sua justiça
As infâncias raramente se acham
Nada tem de negativo
É apenas uma questão
Que terei de colocar a um fumador de charutos
De preferência cubanos
Com Havana em espiral movimento
E o Fidel quase morto ainda aces
Ponho um lápis na orelha
E finjo-me poeta
Terei de rever as minhas análises
O sangue perfeito
O motor ainda dá
De amores não acusa nada
Na gaveta tenho inúmeros verbos
Se calhar mal conjugados
Arrisco?
Às vezes dou uma passa no cigarro e aperto os lábios
Tiro fotocópias à minha cabeça e falo com ela
Do duplicado escolho o mais feio
Fico então com a impressão que a escolha é de arte
Depois de ler Cruzeiro Seixas vejo que não
Que não há arte nenhuma nos cabelos que ficaram
na lente da fotocopiadora
Os monstros são só para criar cenários
A pornografia é um estado de alma
E Galileu tinha muita alma com certeza
Os versos das meninas do bar sete são compostos por exageros
Empastam a tinta entre os dedos
Sujam seus caracóis e publicam mesmo assim
Depois do editor cometer o seu crime
Um ladrão ao dar-me um esticão no saco levou-me o braço
Por sorte nasceu outro braço no lugar do outro
Acha que isto é arte?
Estou farto de dizer
Arte é o desenho que faz as varizes
E conhaque é a mesa misturadora dos egos e super egos
Passe bem!
Arte é dor que vai doendo
Conhaque é conhaque
Que pensará o fósforo quando se acende?
Realmente é tudo uma questão de se lhe perguntar
Um velho acamado espera a sua justiça
As infâncias raramente se acham
Nada tem de negativo
É apenas uma questão
Que terei de colocar a um fumador de charutos
De preferência cubanos
Com Havana em espiral movimento
E o Fidel quase morto ainda aces
Ponho um lápis na orelha
E finjo-me poeta
Terei de rever as minhas análises
O sangue perfeito
O motor ainda dá
De amores não acusa nada
Na gaveta tenho inúmeros verbos
Se calhar mal conjugados
Arrisco?
Às vezes dou uma passa no cigarro e aperto os lábios
Tiro fotocópias à minha cabeça e falo com ela
Do duplicado escolho o mais feio
Fico então com a impressão que a escolha é de arte
Depois de ler Cruzeiro Seixas vejo que não
Que não há arte nenhuma nos cabelos que ficaram
na lente da fotocopiadora
Os monstros são só para criar cenários
A pornografia é um estado de alma
E Galileu tinha muita alma com certeza
Os versos das meninas do bar sete são compostos por exageros
Empastam a tinta entre os dedos
Sujam seus caracóis e publicam mesmo assim
Depois do editor cometer o seu crime
Um ladrão ao dar-me um esticão no saco levou-me o braço
Por sorte nasceu outro braço no lugar do outro
Acha que isto é arte?
Estou farto de dizer
Arte é o desenho que faz as varizes
E conhaque é a mesa misturadora dos egos e super egos
Passe bem!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
de manhã nas PISCINAS
esplendor sobre a relva
:
toalhas coloridas de meninos
flores amarelas de dente-de-leão
nascidas nem se sabe de onde
borboletas brancas
esvoaçando à procura de pólen
dente-de-leão devia ser tomada
por rainha
de resistência à roçadora de erva
:
entre dois cortes
esta Sisifo das flores
floresce
-nanogirassóis
amarelos e despenteados
pela pressa de afirmar-se
vindo do banho
um menino pega uma
sem a arrancar
e cheira-a
pergunto-lhe: cheira bem?
- sim - responde
:
cheira à cor do SOL
-espírito-

Com a sorte de viveres o presente
Esquece a incerteza e de peito aberto
Permite que a flor, em perfume desabroche,
Pois existe um oásis, no teu deserto.
Deixa que a tua função, o tempo exerça
e esse momento pleno e intenso, vive.
Não te cabe, o prelúdio desse drama,
Não antes da peça propriamente dita.
Quem te quer, já abriu o teu peito e to leu.
Plantou no chão do teu coração, a certeza.
Viçou-o pr'a sempre, mesmo que não seja.
Considera a possibilidade de amares e sonhares
Embriaga-te dos seus efeitos, enquanto dura.
E que a estrutura desse amor, seja a tua cura.
De Glóra Salles
terça-feira, 3 de agosto de 2010
evolução ou criação?
não sei por que carga de água o MEO
deu em presentear-me de forma automática com o tal canal
a qualquer hora que ligue
aí está ODISSEIA
desta vez para mostrar uma versão
da evolução do homem
- que há tantas quase quanto homens
contra uma única que assegura
que foi Deus quem o fez
no paraíso
após uma semana de trabalho a construir o Mundo
a seu (do homem) pedido
fez Deus um clone feminino
-para desassossego permanente do original
e ele e ela foram Adão e Eva
cuja estória todos aprendemos
na Instrução Primária
provado parece estar que não provimos
de um trabalho acabado
como uma bilha de barro
antes somos
uma artefacto ainda em construção
- um carrinho-de-mão
a que falte a roda
ou os varais
há muitos milhões de anos éramos macacos
e assim continuamos
mais uns do que outros
sem nunca esperar atingir a perfeição
porque seríamos então deuses
e não homens
e teria acabado a evolução
domingo, 1 de agosto de 2010
Um Homem Religioso
Um homem religioso não é um reaccionário nem um revolucionário. Um homem religioso é simplesmente solto e natural; ele não é nem a favor nem contra alguma coisa, ele é simplesmente ele mesmo. Ele não tem regras a seguir nem nenhuma regra a negar; ele simplesmente não tem regras. Um homem religioso é livre no próprio ser, não tem nenhum molde de hábitos e condicionamentos. Ele não é um ser cultivado - não que seja incivilizado e primitivo, ele é a possibilidade mais elevada de civilização e cultura, mas não é um ser cultivado. Ele cresceu na sua consciência e não precisa de regras nenhumas, ele transcendeu as regras. Ele é verdadeiro, mas não porque a regra é ser verdadeiro; ao ser solto e natural, ele é simplesmente verdadeiro, acontece ser verdadeiro. Ele tem compaixão não por seguir o preceito «tenha compaixão», não. Ao ser solto e natural, ele simplesmente sente a compaixão fluir por todo o lado. Ele não tem de fazer alguma coisa; é apenas um derivado do crescimento da sua consciência. Ele não está contra a sociedade - está simplesmente para além dela. Ele tornou-se de novo uma criança, uma criança num mundo absolutamente desconhecido, uma criança numa nova dimensão - ele renasceu.
Osho, Tantra A Compreensão Suprema, Pergaminho, p.248
Osho, Tantra A Compreensão Suprema, Pergaminho, p.248
sábado, 31 de julho de 2010
na hora oficial de ser CREMADO
"fiz tudo o que queria" - disseste um dia
só que
sabendo a vida curta
e mais - filha da puta -
não se começa contra ela
a luta
a meio
foi o que fizeste
acabas de perder ANTÓNIO
e isso
é FEIO
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Exortação
Amig@s, uma tónica deste blogue tem sido a causa dos animais ,que sofrem terrivelmente devido à ignorância e às acções dos homens. Todavia, não creio que a alternativa seja odiarmos quem quer que seja, mesmo os mais cruéis causadores do sofrimento animal, toureiros ou outros. Estou convicto que todos os seres, façam o que fizerem, têm em si um igual potencial de Despertar. Todos são, por isso, e sobretudo os mais cruéis, dignos do nosso amor e compaixão imparciais: alguém que faz sofrer não pode ser feliz. Exorto-nos a que não odiemos ninguém e façamos desta nossa passagem pela vida um serviço ao bem de todos os seres, sem preconceitos nem dualidades.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Oxalá você fosse a mulher da minha vida. 2.
Oxalá você fosse a mulher da minha vida.
E compreendesse que “Modigliani” não é um filme sobre a mais forte forma de amor.
Que “Into the Wild” não é sobre a descoberta de si.
Que “Dead Poets Society” não é sobre o despertar de quem queremos ser.
Que “Fight Club” não é sobre um clube de se verdadeiramente ser.
Oxalá, com clareza realizasse que, a verdadeira compreensão destas obras é contraditória à sua aquisição e colecção de prateleira.
Oxalá, você já tivesse visto todos estes filmes ou lido estes livros. Que o tenha feito, apenas uma vez e que, nesta altura, já esteja bem morta.
Morta de verdade.
E compreendesse que “Modigliani” não é um filme sobre a mais forte forma de amor.
Que “Into the Wild” não é sobre a descoberta de si.
Que “Dead Poets Society” não é sobre o despertar de quem queremos ser.
Que “Fight Club” não é sobre um clube de se verdadeiramente ser.
Oxalá, com clareza realizasse que, a verdadeira compreensão destas obras é contraditória à sua aquisição e colecção de prateleira.
Oxalá, você já tivesse visto todos estes filmes ou lido estes livros. Que o tenha feito, apenas uma vez e que, nesta altura, já esteja bem morta.
Morta de verdade.
Oxalá você fosse a mulher da minha vida. 1.
Oxalá você fosse a mulher da minha vida. :)
Oxalá, você visse o lance do guarda-redes espanhol Cacilhas com a sua namorada e, de comoção, chorasse.
Não porque acreditasse que ali existiria um amor eterno, uma relação sólida ou até mesmo uma cumplicidade especial entre os dois mas, simplesmente, porque, naquele instante, naquele pequeno grande instante, nada mais interessou e, saíram os preconceitos, saíram as noções do espaço social onde estavam inseridos, aí, caiu o “social” o “normal” o “tem de ser” – tudo isso se relativizou, ou se realizou à sua verdadeira importância, à passagem desse grande pasmo amoroso. Dirão agora os seguidores de Schopenhauer que, nesse instante, tudo não passaria de vontade de preservação da espécie? Pura orientação biológica? Que aquele seria o fim a que se destinaria?
Como estariam enganados.
Oxalá você já tivesse lido Schopenhauer.
Oxalá, você visse o lance do guarda-redes espanhol Cacilhas com a sua namorada e, de comoção, chorasse.
Não porque acreditasse que ali existiria um amor eterno, uma relação sólida ou até mesmo uma cumplicidade especial entre os dois mas, simplesmente, porque, naquele instante, naquele pequeno grande instante, nada mais interessou e, saíram os preconceitos, saíram as noções do espaço social onde estavam inseridos, aí, caiu o “social” o “normal” o “tem de ser” – tudo isso se relativizou, ou se realizou à sua verdadeira importância, à passagem desse grande pasmo amoroso. Dirão agora os seguidores de Schopenhauer que, nesse instante, tudo não passaria de vontade de preservação da espécie? Pura orientação biológica? Que aquele seria o fim a que se destinaria?
Como estariam enganados.
Oxalá você já tivesse lido Schopenhauer.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Nick Cave e a inspiração da Saudade
"We all experience within us what the Portuguese call saudade, which translates as an inexplicable longing, an unnamed and enigmatic yearning of the soul, and it is this feeling that lives in the realms of imagination and inspiration and is the breeding ground for the sad song, for the Love Song. Saudade, or longing, is the desire to be transported from darkness into light. To be touched by the hand of that which is not of this world. The Love Song is the light of God, deep down, blasting up through our wounds"
- Nick Cave, The Secret Life of the Love Song. The Flesh Made Word. Two Lectures by Nick Cave (CD).
- Nick Cave, The Secret Life of the Love Song. The Flesh Made Word. Two Lectures by Nick Cave (CD).
terça-feira, 27 de julho de 2010
Poema Pessoa
O poema entranha na pessoa
Entranha tanto que até cola
E põe-te à coca numa boa:
Estranha poesia na tola!?
Entranha tanto que até cola
E põe-te à coca numa boa:
Estranha poesia na tola!?
Nick Cave And No More Shall We Part Npa Live 2001
And no more shall we part: o intemporal e sempre novo sonho de uma eternidade a dois, a bela e trágica aspiração ao "foram felizes para sempre"...
segunda-feira, 26 de julho de 2010
9
PRECISO DE UMA MULHER para estar comigo entre as nove e as onze
Alguém com pronúncia pouco pronunciada
Uma espécie de Greta Garbo com Frida Kahlo
Ou Alice Vieira com Natália
A nossa Natália Correia que um dia me levou ao período Futurista!
Tem alguma ideia?
Pode ser uma mulher meia calada que eu pôr-lhe-ei palavras na boca
Uma com cheiro a pinho
Com longas tranças de escamas de peixes
Se tiver tronco de árvore não faz mal
Eu próprio lhe darei forma
As minhas mãos sempre foram invejadas
Basta entender de anéis solares
Preciso de uma mulher para coser meus pensamentos
De preferência da cor do meu telhado
Que é branco em cima de um fundo negro
Aviso já que não é fácil
Só autodidacta consegue!
Achará que eu quero violar essa mulher
Danados!
Malditos!
Tenho poemas por acabar
Tenho o sangue prestes a esgotar
A muralha da China vê-se lá do alto
Outro dia confirmei isso
Sem me levantar da cadeira
Quero essa mulher para guiar minha mão que (in)segura a caneta
Quero essa mulher em trajes que me façam entender uma bandeira!
Quero o sol e a lua na mesma embalagem!
O terror e a lucidez parados numa esquina!
Ou em banhos de espuma!
Entre as nove e as onze ardo em fosfóricas saudades
Um agrafador pisca-me o olho com naturalidade
Uma cópia de Dali denuncia que está vivo
A água da torneira a ir pela bacia abaixo
As luzes das minhas ideias com as mãos na cintura
O som
Os sons
As magníficas correntes do ar
O cesto de papéis achando a vida uma ova
A ferida que eu não curei abrigando répteis
Penso num A e sai-me um O
Ó que terras mal acamadas! Não vedes que eu desabo!
Dirão agora que mereço essa mulher
Coitado deve participar em antologias
Escolher poemas da fase da parvalheira
Jogar flippers e mostrar à garina o quanto vale
Odeio a simplicidade!
Odeio as complicações!
Entre eu o nada não existe intervalo
Sempre escutei Vinícius de Moraes antes de adormecer
É bem melhor que uma velinha acesa num copo de azeite
Os homens morrem
A arte fica
Eu hei-de morrer sem saber o que me resta!
Quem está doente
Doente morrerá
Quem está de saúde
Terá boas amantes
Quero agora essa mulher
Entre as nove e as onze
De preferência entre as nove e as onze da noite
Assim sabe melhor o salmão
Posso traduzir Dostoievski
Embora não percebendo nada de russo
Vou-me embora antes que a tabacaria encerre
São quase nove
Vêm aí nove meninas
Cada uma com nove meninas em cada mão
Qual delas saberá mudar a água aos peixes?
PRECISO DE UMA MULHER para estar comigo entre as nove e as onze
Alguém com pronúncia pouco pronunciada
Uma espécie de Greta Garbo com Frida Kahlo
Ou Alice Vieira com Natália
A nossa Natália Correia que um dia me levou ao período Futurista!
Tem alguma ideia?
Pode ser uma mulher meia calada que eu pôr-lhe-ei palavras na boca
Uma com cheiro a pinho
Com longas tranças de escamas de peixes
Se tiver tronco de árvore não faz mal
Eu próprio lhe darei forma
As minhas mãos sempre foram invejadas
Basta entender de anéis solares
Preciso de uma mulher para coser meus pensamentos
De preferência da cor do meu telhado
Que é branco em cima de um fundo negro
Aviso já que não é fácil
Só autodidacta consegue!
Achará que eu quero violar essa mulher
Danados!
Malditos!
Tenho poemas por acabar
Tenho o sangue prestes a esgotar
A muralha da China vê-se lá do alto
Outro dia confirmei isso
Sem me levantar da cadeira
Quero essa mulher para guiar minha mão que (in)segura a caneta
Quero essa mulher em trajes que me façam entender uma bandeira!
Quero o sol e a lua na mesma embalagem!
O terror e a lucidez parados numa esquina!
Ou em banhos de espuma!
Entre as nove e as onze ardo em fosfóricas saudades
Um agrafador pisca-me o olho com naturalidade
Uma cópia de Dali denuncia que está vivo
A água da torneira a ir pela bacia abaixo
As luzes das minhas ideias com as mãos na cintura
O som
Os sons
As magníficas correntes do ar
O cesto de papéis achando a vida uma ova
A ferida que eu não curei abrigando répteis
Penso num A e sai-me um O
Ó que terras mal acamadas! Não vedes que eu desabo!
Dirão agora que mereço essa mulher
Coitado deve participar em antologias
Escolher poemas da fase da parvalheira
Jogar flippers e mostrar à garina o quanto vale
Odeio a simplicidade!
Odeio as complicações!
Entre eu o nada não existe intervalo
Sempre escutei Vinícius de Moraes antes de adormecer
É bem melhor que uma velinha acesa num copo de azeite
Os homens morrem
A arte fica
Eu hei-de morrer sem saber o que me resta!
Quem está doente
Doente morrerá
Quem está de saúde
Terá boas amantes
Quero agora essa mulher
Entre as nove e as onze
De preferência entre as nove e as onze da noite
Assim sabe melhor o salmão
Posso traduzir Dostoievski
Embora não percebendo nada de russo
Vou-me embora antes que a tabacaria encerre
São quase nove
Vêm aí nove meninas
Cada uma com nove meninas em cada mão
Qual delas saberá mudar a água aos peixes?
Domingo, 15 de Agosto, vamos a Fátima protestar contra os maus tratos aos animais

Dia 15 de Agosto (Domingo), irá realizar-se em Fátima uma manifestação silenciosa entre as 08:00 e as 13:00, contra os maus tratos aos animais em Fátima. O local será na Rotunda Norte, chamada Rotunda do Peregrino, saída lado esquerdo da Auto Estrada. A quem quiser participar, pedimos que venham vestidos de branco ou de preto. Partilhem, por favor.
Comunicado sobre os bárbaros maus-tratos aos animais no Santuário de Fátima
...“Chamava irmãos a todos os animais […]”
- Tomás de Celano, Vida Segunda (de São Francisco de Assis), CXXIV, 165.
Tem sido tornado público e documentado fotograficamente o modo cruel como
são tratados os animais no Santuário de Fátima, o que já deu azo a uma reportagem
televisiva. Por ordem da Reitoria do Santuário, seguranças capturam regularmente
todos os cães que encontram, com ou sem dono, e amontoam-nos numa gaiola nas
traseiras do Santuário, onde são deixados durante dias, ao sol e à chuva, sem comer nem beber, até que a Câmara Municipal de Ourém os venha buscar para abate, dado não ter condições para os acolher e não cumprir a já antiga promessa de construir um canil/gatil municipal.
Ao serem apanhados, há cães vítimas de dolorosas agressões com foices e alguns
são envenenados e abatidos no próprio local. Por outro lado, os que são recolhidos pela Câmara vivem em condições miseráveis até à morte.
Estes actos constituem uma intolerável violação dos direitos dos animais
e dos nossos deveres para com eles, que, além de ser inaceitável numa nação que
se pretende civilizada, é tanto mais absurda e grave por ser levada a cabo por uma
instituição religiosa num lugar sagrado, destinado à elevação moral e espiritual do ser humano. Além de chocarem todo o cidadão minimamente consciente e sensível, estas
acções contradizem e ofendem a fé e o sentimento cristãos, profanando com violência,
sofrimento e morte um dos principais santuários católicos do mundo.
A Bíblia apresenta os animais como criaturas de Deus (Génesis, 1, 24), o que
se confirma no Catecismo Católico, onde se lê que os homens devem ser bondosos
para com eles, recordando o amor que lhes dedicaram São Francisco de Assis e São
Filipe Néri. No mesmo Catecismo acrescenta-se ser “contrário à dignidade humana
fazer com que os animais sofram ou morram desnecessariamente”. O Papa João Paulo
II declarou que os animais têm alma, estão “tão próximos de Deus como os homens” e
que devemos “amar e sentir solidariedade com os nossos irmãos mais pequenos”. Bento
XVI afirmou serem “criaturas que devemos respeitar como companheiros na criação”.
Perguntamos à Reitoria do Santuário de Fátima se teve acesso a outra revelação
ou autoridade divina que anule estas e, se não é o caso, como justifica a sua actuação perante os crentes e a opinião pública.
Sendo improvável uma qualquer justificação, além de exigirmos o fim imediato
de toda e qualquer forma de maltratar os animais no Santuário de Fátima, deixamos
uma proposta que nos parece uma justa e salutar forma da actual Reitoria contribuir
para se redimir das ofensas contra os animais e a consciência moral dos homens:
sendo públicos os crescentes e elevados lucros do Santuário, que em média excedem
mais de 8 milhões de euros anuais, uma pequeníssima parte desta quantia basta para
construir um canil/gatil onde os animais possam viver condignamente. Será uma forma
de estender a caridade cristã e franciscana aos nossos companheiros não-humanos, da
Reitoria corrigir o actual caminho de transgressão dos preceitos do amor evangélico e
de recuperar alguma credibilidade pública, não prejudicando mais a imagem da religião
que professa.
Caso isso lamentavelmente não aconteça, solicitamos à Câmara Municipal de
Ourém que cumpra a sua promessa aos munícipes e construa urgentemente um canil/
gatil condigno. E exortamos todos os cidadãos, em particular os crentes católicos, para que denunciem e exijam o fim imediato desta situação escandalosa.
“O que tu és, eu sou ! / E tu, tu és o que eu sou ! / Eu sou o Céu, tu és a Terra ! / Tu és a Estrofe, eu sou a Melodia !”
(fórmula ritual do casamento védico)

Qual o sentido espiritual da união sexual? Duas dicas da Índia:
“Neste mundo, o resultado do amor é não haver mais que um só pensamento. Quando o amor deixa diferentes os pensamentos (de cada um), é como se houvesse a união de dois cadáveres” - "Centúria da Paixão Amorosa" (tratado erótico indiano);
“Quando o pensamento não é reabsorvido no acto amoroso e na concentração yógica (samadhi), de que serve o recolhimento (dhyana) ? De que serve o acto amoroso ?” - "Sarngadharapaddhati".

Qual o sentido espiritual da união sexual? Duas dicas da Índia:
“Neste mundo, o resultado do amor é não haver mais que um só pensamento. Quando o amor deixa diferentes os pensamentos (de cada um), é como se houvesse a união de dois cadáveres” - "Centúria da Paixão Amorosa" (tratado erótico indiano);
“Quando o pensamento não é reabsorvido no acto amoroso e na concentração yógica (samadhi), de que serve o recolhimento (dhyana) ? De que serve o acto amoroso ?” - "Sarngadharapaddhati".
domingo, 25 de julho de 2010
"A união da quietude e do movimento"
"Quaisquer tipos de pensamentos que surjam, sem os suprimir, reconheçam de onde emergem e onde se dissolvem; e permaneçam focados enquanto observam a sua natureza. Fazendo isto, por fim o movimento dos pensamentos cessa e há quietude... De cada vez que observarem a natureza de quaisquer pensamentos que surjam, eles desvanecer-se-ão por si mesmos e a seguir uma vacuidade aparece. Do mesmo modo, se também examinarem a mente quando ela permanece sem movimento, verão uma vacuidade não obscurecida, clara e vívida, sem qualquer diferença entre o primeiro e o último estado. Isso é bem conhecido entre os praticantes de meditação e chama-se "a união da quietude e do movimento"
- Panchen Lozang Chökyi Gyaltsen (1570-1662, Tibete).
- Panchen Lozang Chökyi Gyaltsen (1570-1662, Tibete).
sábado, 24 de julho de 2010
À beira da estrada
nascem rosas
fora de horas
Calam-se os pardais
ama a mulher
o Deus menino
como se amasse
o esposo
fosse o tempo
vivido a contento
cantariam os pardais
amaria a mulher
o homem
em devido tempo
Pede o anjo ajuda
ao arcanjo
que o tempo
seja sem tempo
nascem rosas
sem hora
cantam os pardais
sem parar
dia e noite
noite e dia
e o tempo
é sempre o mesmo
nascem rosas
fora de horas
Calam-se os pardais
ama a mulher
o Deus menino
como se amasse
o esposo
fosse o tempo
vivido a contento
cantariam os pardais
amaria a mulher
o homem
em devido tempo
Pede o anjo ajuda
ao arcanjo
que o tempo
seja sem tempo
nascem rosas
sem hora
cantam os pardais
sem parar
dia e noite
noite e dia
e o tempo
é sempre o mesmo
DATADO
um poema da REFORMA AGRÁRIA
(la tierra tuya es mia
todos los pies la pisan
nadie la tiene, NADIE)
Nicolas Guillén
diz-me, camponês, diz-me
que domínios sonhas - Alentejo -
quantas terras, fincas,
herdades queres?
que sem-limites mapas
esboças
farms, quintas
machambas, roças?
que países, continentes,
ilhas, Brasis,
Áfricas, territórios
cobiças
para a desmedida força
dos teus braços?
calma, camponês, calma,
força e calma,
que não demora a TERRA
será pelas tuas mãos
nosso Jardim e seara
Quem somos quando nada fazemos mas estamos presentes?
"Em termos do sentimento individual de quem somos, a maioria de nós identifica-se fortemente com os papéis que desempenhamos na vida quotidiana, por exemplo, pais, esposos, filhos, estudantes ou pessoas numa certa profissão. Tais papéis são importantes e eles definem-nos nas nossas inter-relações sociais. Mas, tirando as nossas relações específicas com outras pessoas e os tipos de actividades em que nos envolvemos regularmente, o que fica? Quem somos nós quando nos sentamos calmamente nos nossos quartos, nada fazendo mas estando presentes?"
- B. Alan Wallace, Mind in the Balance. Meditation in Science, Buddhism and Christianity, Columbia University Press, 2009.
- B. Alan Wallace, Mind in the Balance. Meditation in Science, Buddhism and Christianity, Columbia University Press, 2009.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Faz amor comigo até que o dia se confunda na noite. Deixa-me segredar-te meus medos até que tu, meu amor, me cales com beijos.
Beija-me o ombro que agora descubro,
beija-me o dorso que agora é só teu. Se me ouvires ofegante a pedir-te por mais, acaricia-me a nuca, descansa teu sexo em mim.
Caminha comigo enquanto te hospedo.
Ah, beija-me até que eu não seja senão o teu beijo.
Beija-me o ombro que agora descubro,
beija-me o dorso que agora é só teu. Se me ouvires ofegante a pedir-te por mais, acaricia-me a nuca, descansa teu sexo em mim.
Caminha comigo enquanto te hospedo.
Ah, beija-me até que eu não seja senão o teu beijo.
Adão e Eva viviam nus
pelo Éden passeavam e as obras de Deus
contemplavam
os dias eram de Sol
bebiam a água da chuva
e frutos das árvores comiam
todavia havia certa árvore
da qual Deus não permitia o fruto apanhar
revelador de ciências malignas e perigosas
uma serpente que por lá se panoveava
entrelaçava-se nos ramos da maldita árvore
e engredrava um plano para Deus irar
certo dia Eva por lá passeava
e a serpente uma maçã da árvore ofereceu
perante tal brilho a moça não resistiu
e de repente sentiu vergonha
de seu sexo à luz do Sol resplandecer
também Adão o sentiu e no monte se escondeu
Adão! Adão! - clamou Deus
onde estás? por que te escondes?
Adão olhou para Deus e Este tudo compreendeu
os dois do paraíso foram expulsos
e da terra se tornaram escravos
a serpente, essa foi pisada e amaldiçoada para todo o sempre
esta é a história de dois moços
que ousaram quebrar as leis de Deus
e por isso sacrificados foram
resta-lhes porém voltar ao Éden
da mesma forma pela qual sairam
ir à árvore e saborear o fruto proibido
pelo Éden passeavam e as obras de Deus
contemplavam
os dias eram de Sol
bebiam a água da chuva
e frutos das árvores comiam
todavia havia certa árvore
da qual Deus não permitia o fruto apanhar
revelador de ciências malignas e perigosas
uma serpente que por lá se panoveava
entrelaçava-se nos ramos da maldita árvore
e engredrava um plano para Deus irar
certo dia Eva por lá passeava
e a serpente uma maçã da árvore ofereceu
perante tal brilho a moça não resistiu
e de repente sentiu vergonha
de seu sexo à luz do Sol resplandecer
também Adão o sentiu e no monte se escondeu
Adão! Adão! - clamou Deus
onde estás? por que te escondes?
Adão olhou para Deus e Este tudo compreendeu
os dois do paraíso foram expulsos
e da terra se tornaram escravos
a serpente, essa foi pisada e amaldiçoada para todo o sempre
esta é a história de dois moços
que ousaram quebrar as leis de Deus
e por isso sacrificados foram
resta-lhes porém voltar ao Éden
da mesma forma pela qual sairam
ir à árvore e saborear o fruto proibido
"Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras."
Jo 14, 10
Etiquetas:
bíblia,
evangelho de S. João
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Descobrir o Buda em nós - Retiro de introdução ao budismo e à meditação budista - 21-22 de Agosto

Descobrir o Buda em nós
Retiro de introdução ao budismo e à meditação budista
Casa Grande - Paços da Serra
21-22 Agosto
Todos possuímos um infinito potencial de liberdade, sabedoria e bondade, a que a tradição budista chama natureza de Buda. Esse potencial está encoberto pelos nossos conceitos, emoções negativas e padrões inconscientes de comportamento, que nos mantêm constantemente agitados e preocupados, mas pode ser descoberto mediante o acalmar da mente e a abertura do coração. É esse o objectivo deste retiro, que nos oferece um espaço de encontro connosco próprios e possibilita a experiência directa do que realmente somos, para além de qualquer pressuposto moral, filosófico ou religioso.
Como tudo é interdependente e a mente interage com o corpo e o espaço exterior, este retiro beneficia de se realizar em pleno coração de Portugal, junto à Serra da Estrela, onde a nossa simples presença é um factor de regeneração energética e onde poderemos fazer exercícios em plena natureza.
Programa:
Dia 21
9.00-13.00 (com intervalos) – Introdução ao budismo e à meditação budista: as quatro nobres verdades.
Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Shamatha – estabilização da mente na atenção às sensações físicas, à respiração e ao fluxo das emoções e dos pensamentos.
15.00-19.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Vipassana – Compreensão da natureza profunda dos fenómenos internos e externos. Alguns exercícios de Yoga.
Dia 22
9.00-13.00 – Revisão do dia anterior. Troca/Tonglen – Transformação das emoções e abertura do coração a todos os seres. As quatro meditações ilimitadas: amor, compaixão, alegria e imparcialidade.
15.00-18.00 – Recapitulação de todo o retiro. Introdução à meditação com visualizações e mantras.
O retiro será facilitado por Paulo Borges, praticante desde 1983 e orientador, desde 1999, de seminários e cursos mensais teórico-práticos sobre budismo e meditação budista. Tradutor de livros budistas e tradutor-intérprete de mestres budistas. Autor, entre outros, de O Budismo e a Natureza da Mente (com Matthieu Ricard e Carlos João Correia) e O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa (com Duarte Braga). Professor de Filosofia na Universidade de Lisboa e Presidente da União Budista Portuguesa.
Terá lugar na "Casa Grande", Turismo de Habitação, em Paços da Serra.
Preço por pessoa
Só meio dia Manhã e tarde Manhã, tarde e almoço
Dia 21 25€ 40€ 50€
Dia 21 e 22 50€ 70€ 80€
- É necessário reservar previamente por telefone ou e-mail até 12 de Agosto;
- É necessário trazer almofada e tapete de meditação;
- O evento só se realizará com um mínimo de 10 participantes.
Para reservas contactar:
Margarida Vasconcelos
Tlm: 934297935
Tel: 238496341
info@casagrande.com.pt
www.casagrande.com.pt
Para mais informações sobre o retiro :
Paulo Borges
pauloaeborges@gmail.com
quarta-feira, 21 de julho de 2010
vou te amar sem nunca te dizer que te amo
de ti só quero o momento
em que estás presente
não me contes quem és
não me segredes quem foste
não me queiras por confidente
porque de ti só quero
poder te amar
em cada beijo meu
sente esse amor
que não se declara
em verso
porque de ti só quero
poder te amar
em que estás presente
não me contes quem és
não me segredes quem foste
não me queiras por confidente
porque de ti só quero
poder te amar
em cada beijo meu
sente esse amor
que não se declara
em verso
porque de ti só quero
poder te amar
segunda-feira, 19 de julho de 2010
-voo-

Fui rocha em tempo e fui no mundo antigo,
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda espumei,
quebrando-me na aresta do granito,
antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez,
buscando abrigo
na caverna que ensombra urze e giesta;
O monstro primitivo,
ergui a testa no limoso paúl,
glauco pascigo...
Hoje sou homem e na sombra enorme
Vejo, a meus pés,
a escada multiforme,
que desce em espirais,
da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo,
adoro,
E aspiro unicamente à liberdade.
Antero de Quental, Evolução
quando a morte me levar não ergam bandeiras negras.
encham sim os copos com vinho;
mas cuidado que a Gula azeda a garganta!
Ó Fascinados Produtores de Lixívia!
Será que um dia da vossa produção dará para desinfectar o mundo?
Então dois dias
Que venham lá três! Três dias sem sair de casa
Três hipóteses para sobreviver
Três terços de manhã à tarde e à noite
Esta mosquitagem vai toda de uma vez!
O estudante precisa de um canudo
E eu preciso de um canudo para bater no estudante
Aprender é aqui
De A a Z nas estantes
Como o borrachão nas adegas
A teoria não muda a fralda a ninguém
Não foi preciso esperar pela luz
Eu nunca me borrei!
Sou auto-suficiente
Na tropa toquei clarim e mandei o exército regressar
Elogiaram-me o pescoço
Que daria para bom laço
Disseram
A sorte é que tenho amigos corruptos
E num empurrão elevaram-me a mártir
Os heróis só aparecem nas estreias
A mim espetaram-me com bíblias na mão
Para vender de porta a porta
Na primeira porta que bati beijaram-me os pés
Só porque eu tinha cabelos compridos e as vestes compridas
Mudei de marca de cigarros
Os intelectuais souberam logo!
Eu cá sou de mudanças
Vou ao Paulista porque posso ficar a dever
E tem boas entradas
Demitido sou noutras ruas
Um dia engoli uma bola de queijo
E ninguém me deu valor
Toquei Bach com os dedos metidos na boca
E fizeram-me olhos negros
A inteligência não sai na bica da fonte
Acreditem! Eu já tentei!
Meu cérebro gorduroso apostou tudo numa rixa
Se disser que ganhei minto
O maior pecado é não pecar e ver os outros pecar
O maior cemitério é o que está a um palmo acima das nossas cabeças
Ou talvez menos
Lindas paisagens!
Lindos azulejos!
Lindos seios que aquela mulher tem!
O eco ecoa sempre que a ponte me tenta
Não!
Não vou acender o isqueiro quando houver fuga de gás!
Não vou a Roma só porque dizem que lá a fé é mais barata!
Aprendi a andar de bicicleta tarde
Mas olhem como eu pedalo! Faço curvas
Contra-curvas
Tiro as mãos do volante
Sabia que é tudo uma questão de sistemas emparelhados?
Domino papagaios como nunca dominei uma mulher
Fico para ali horas a vê-lo voar
E eu na terra
A trocar os fios da corrente eléctrica a ver no que dá
A ganância já se vende nas bancas
Os jornais falarão de mim quando não houver massacres
Manifestações
Vítimas violadas
Santos roubados
Congressos de pívias
Estarei eu
Diante e exposto
A dar sangue aos cabeçalhos
A dar cursos de divergências
A tomar o lado do contraditório
E tudo: ah! Que lindas são as paisagens maciças!
Os ventos nem conseguem mexer uma folha!
Nada fecunde
Nada transmite ao Outro o que o Outro disse
Nada mais vai parar aos museus
Toda a História será revista por bisontes
As clínicas a tornarem-se casas de passe
Nada será mais Ontem
O Futuro tem a data do século anterior
Nos blocos operatórios joga-se à bisca
Quem mexer na minha cabeça terá de responder!
E aviso que tenho amigos maus
Fazem truques de maldade
Mastigam livros inteiros do Saramago em vez de chiclete!
A minha missão é pôr fim aos fingimentos
Tenho um mindinho que detecta tudo
Quem se mexer está a levar!
Os meus lábios estão inclinados para a morte
Mas não me empurrem!
A minha única moral é ser contra os moralistas
Tenho uma mulher que me abre o lençol
Prepara-me o lanche e regressa ao mar
O mito há-de ser mitigado
Colocado na batedeira a mil rotações
Não julguem que eu não amo
Amo! Amo os glaciares que estão derretendo
Amo os ombros do homem que carrega
Amo a liga da mulher oferecida
Amo o espectáculo dos amantes
Amo o pecador à saída da igreja
Amo a plasticidade com que me beijam!
Ó noites fartas ó noites vadias!
Tomai meu pulso enquanto bate
O elixir já se esgotou
Restas-me tu ó mesa dos condenados!
Ó licenciada em vampirismo!
Verifica-me o sal antes de beijar a pedra
Esta pedra que aqui vês a servir de janela
Tenho pena que não haja árvores para subir
Era puto e lembro-me que subia subia subia
Agora
Que a tísica sede me toma
Fico aqui
Na escrivaninha do tempo
No silêncio intemporal
Coleccionando raridades
Lançando beijos às moças das fábricas
do meu livro Sou um Louco Que Sabe Tocar Acordeão
Se houve antes, se existisse o passado ...
eu teria existido em ti, doce presente em que não existo,
e sou isto, aguardente a desaguar quente,
memória do que nunca vivi,
Ah - a vontade de reviver o imaginário,
um dó, um sol e invento a clave
realejo perdido
Ah - e esse desejo que me queima
GRITO: - ESTOU AQUI!
ninguém me ouve,
EXISTO!
meu sexo é prova disso
respira comigo
inspira e expira
quer mais e mais,
Se houvesse antes, se existisse o passado...
cada história de amor
era encantada com uma nova cor
saudades que tenho
do azul que nunca esqueci
e dos teus beijos loucos,
vermelhos a brincar com a cor
Nunca soube teu nome
Meu corpo guardou tua cor
nessa doce noite de amor
domingo, 18 de julho de 2010
Emparedadas
"Desde o séc. XII até ao séc. XV, se acham em Portugal muitas Emparedadas. Eram mulheres varonís que, desenganadas inteiramente do mundo, se sepultavam em vida numa estreita cella, cuja porta no mesmo ponto da sua entrada, se fechava com pedra e cal, e so por morte da inclusa se abria para ser levada finalmente à sepultura; no logar da porta, e ao tempo de a tapar, ficava so uma pequenina fresta por onde se lhes ministrava o indispensável necessario para a vida, que poucas vezes passava de pão e agua, recebiam o corpo de Christo, e fallavam ao seu confessor unicamente no que respeitava á sua consciencia. E de se fecharam entre paredes ou emparedando-se se chamaram Emparedadas".
em Setembro, na Madeira!
vamos invadir a Madeira e propôr um fim de semana
de treino intensivo das competências do pensamento crítico e cuidativo!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
O que é Portugal? - 21 de Julho, 18.30, FNAC Chiado
"O que é Portugal?", tertúlia com Paulo Borges, António Cândido Franco e Miguel Real, a partir do livro "Uma Visão Armilar do Mundo" (Verbo, 2010), de Paulo Borges, na FNAC-Chiado, 21 de Julho, 4ª feira, às 18.30.
Bússola, livro de Flávio Lopes da Silva, sobre a apresentação
Como foi anunciado, ontem, 15 de julho, foi a apresentação do meu livro chamado Bússola, onde familiares, amigos meus e alguns leitores puderam-se inteirar um pouco mais sobre o meu trabalho literário e motivações no âmbito da escrita.
Para falar sobre o livro Bússola e dar-lhe luz, esteve o meu amigo escritor e ensaísta Paulo Borges, que tão bem soube dignificar este meu mais recente trabalho, fazendo-o com sensibilidade e sabedoria,
Resta-me dizer que espero-vos encontrar noutro livro, noutra viagem, porque ontem foi só um dizer até já.
Obrigado e, façam o favor de me ler!
Para falar sobre o livro Bússola e dar-lhe luz, esteve o meu amigo escritor e ensaísta Paulo Borges, que tão bem soube dignificar este meu mais recente trabalho, fazendo-o com sensibilidade e sabedoria,
deixando nas pessoas que o ouviam atentos e serenamente uma vontade crescente em conhecer as palavras deste livro que em silêncio repousam. Livro este que, após o lançamento, deixou de me pertencer e passou a ser de todos nós. Também o actor e declamador Armindo Cerqueira esteve brilhante ao dizer excertos do livro com a sua voz que sempre enche uma sala.
Quero aqui agradecer de coração ao Paulo Borges pela sua vinda a Barcelos, pelo seu contributo genial, pelo abraço, pelo rasto que deixou quando partiu sem ter partido. Barcelos também agradece.
Grato também a todos que puderam estar comigo neste momento importante da minha vida, física ou pensamento. À câmara municipal de barcelos um obrigado.Resta-me dizer que espero-vos encontrar noutro livro, noutra viagem, porque ontem foi só um dizer até já.
Obrigado e, façam o favor de me ler!
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Hoje, dia 15, na Feira do Livro de Barcelos, às 18 e às 21h

Hoje, dia 15, 5ª feira, estarei na Feira do Livro de Barcelos, às 18h, para apresentar a revista Cultura ENTRE Culturas e o meu livro Uma Visão Armilar do Mundo.
No mesmo lugar, às 21h, apresentarei o livro de aforismos/euforismos de Flávio Lopes da Silva, Bússola, cujo prefácio escrevi e que vivamente recomendo.
Uma oportunidade para encontrar os amigos do Norte.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Lignum Vitae

A isto chamo eu frutos, pelo facto de eles com o seu sabor deleitarem e com o seu valor energético robustecerem a alma que neles medita e com cuidado os vai saboreando um de cada vez. Uma condição indispensável, no entanto, é que não siga o exemplo de Adão que preferiu a árvore da ciência do bem e do mal à Árvore da Vida. Mas só evitará essa árvore maldita se der mais valor à fé do que à razão, se apreciar mais a devoção do que o estudo, se preferir a simplicidade à presunção, numa palavra, se não antepõe a qualquer prazer dos sentidos ou prudência da carne a sagrada cruz de Cristo, o fruto com que nos corações devotos se alimenta a caridade do Espírito Santo e se difunde a graça dos seus sete dons.
S. Boaventura de Bagnoregio, Lignum Vitae
terça-feira, 13 de julho de 2010
-outras formas de poesia-
Dia 15, na Feira do Livro de Barcelos
No dia 15, 5ª feira, estarei na Feira do Livro de Barcelos, às 18h, para apresentar a revista Cultura ENTRE Culturas e o meu livro Uma Visão Armilar do Mundo.
No mesmo lugar, às 21h, apresentarei o livro de aforismos/euforismos de Flávio Lopes da Silva, Bússola, cujo prefácio escrevi e que vivamente recomendo.
Uma oportunidade para encontrar os amigos do Norte.
No mesmo lugar, às 21h, apresentarei o livro de aforismos/euforismos de Flávio Lopes da Silva, Bússola, cujo prefácio escrevi e que vivamente recomendo.
Uma oportunidade para encontrar os amigos do Norte.
Vem, Lethe!
vem dançar comigo
as estrelas alumiam
cometas tocando tambor
e planetas que cantam
suaves melodias
ei!
vem dançar comigo
a dança do cosmos
replicar a génese inicial
aquela em que do nada
o tudo a cada instante
urge
vem dançar comigo
queimar com os corpos
anjos e demónios
os espíritos das
esperanças e frustrações
ilusões
vem dançar comigo
vamos comungar
os nossos corpos
na eucaristia
das estrelas que
alumiam
as estrelas alumiam
cometas tocando tambor
e planetas que cantam
suaves melodias
ei!
vem dançar comigo
a dança do cosmos
replicar a génese inicial
aquela em que do nada
o tudo a cada instante
urge
vem dançar comigo
queimar com os corpos
anjos e demónios
os espíritos das
esperanças e frustrações
ilusões
vem dançar comigo
vamos comungar
os nossos corpos
na eucaristia
das estrelas que
alumiam
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Nick Cave - Into My Arms
A todos os apaixonados e amantes do mundo, a todos os que em Verdade nos olhos um do outro se sabem perder
"´[...] até pelos vermes tinha afeição"
"Quem poderá descrever o seu inefável amor pelas criaturas de Deus e a doçura com que nelas admirava a sabedoria, o poder e a bondade do Criador? Ao contemplar o sol, a lua e as estrelas do firmamento, inundava-se-lhe a alma de gozo. Piedade simples, simplicidade piedosa: até pelos vermes tinha afeição, recordado da Escritura, que diz do Salvador: "Eu sou um verme e não um homem!" Por isso os retirava do meio do caminho para lugar seguro, não fossem esmagados pelos que passavam"
- Tomás de Celano, Vida Primeira, XXIX, 80 (falando de São Francisco de Assis).
- Tomás de Celano, Vida Primeira, XXIX, 80 (falando de São Francisco de Assis).
domingo, 11 de julho de 2010
Este poema foi feito para ti, velho amigo de quem sinto saudades. Com ele te beijo
cada pedaço de ti em mim
sonhei contigo por dentro
sem sonhar estive em ti
com as asas que me deste
visitei o universo, em ti
por cada beijo trocado
vivi em ti tudo que perdi
meus lábios passeiam-se felizes por ti
devagar saboreio teu paladar
e somos tantas vezes um no outro
que deixamos de existir
se o desejo é isto
em segredo grito que ardo
por ti
tantas vezes fomos um no outro
abraça-me de novo!
Prefácio a "Bússola", de Flávio Lopes da Silva, que terei a honra de apresentar na Feira do Livro de Barcelos, 15 de Julho, às 21 h
Um livro que nos convoca ao indomável
Tive a felicidade de conhecer a magnífica poesia de Flávio Lopes da Silva no blogue da revista Nova Águia, onde foi a grande revelação, e de o ver depois honrar o meu blogue pessoal, Serpente Emplumada, bem como o blogue da revista que dirijo, Cultura Entre Culturas, da qual será também colaborador.
Flávio Lopes da Silva é um poeta em todo o sentido da palavra e um dos grandes poetas vivos da língua portuguesa, com quatro obras: Nós vezes Nós, Líquida Obsessão, Sétimo Vão e Sou Um Louco Que Sabe Tocar Acordeão. Poeta na forma, no conteúdo e, sobretudo, na vida selvagem que lhe inflama e move a escrita, indomável por escolas, maneirismos ou desejo de reconhecimento fácil. Tudo o que Flávio escreve vem directamente da inspiração, inquietação e sinceridade – “Diz o que tens a dizer. Nem que tenhas de cuspir a tua própria língua” - de uma consciência nua e sensível aos cumes e abismos da existência e da vida, que os explora intensamente, não se furtando às suas luzes e sombras, ao seu absurdo, drama e tragédia, mas também às suas redenções, mormente por via do amor, da antecipação da morte e da própria poesia, vias instantâneas de fecunda libertação: “Poesia: quando te bebo, descubro um filho dentro de mim”.
O poeta oferece-nos aqui um livro de aforismos / euforismos, não menos admiráveis que os seus poemas. Um aforismo é uma sentença extremamente concisa, que condensa em poucas palavras um sentido ou sentidos amplos e profundos, nascidos de uma intuição fulgurante e súbita. No aforismo a expressão é o mais íntima possível à fonte originária de onde brota, numa espontaneidade não sacrificada à distância e intervalo da reflexão, que frequentemente faz com que a forma e o conteúdo da escrita nasçam do arrefecimento do vislumbre nos moldes dos conceitos transaccionáveis no comércio da vida e da linguagem. No aforismo, que etimologicamente remete para uma delimitação, um dizer extremamente conciso demarca-se do fluxo corrente do palavreado mental e verbal para deixar ver o que mais importa, como que num refluxo do discurso para a quinta-essência de uma visão que o transcende e suspende. No aforismo, o pensamento e a palavra despem-se de todo o acessório para repousarem na nudez essencial.
Mas estes aforismos são euforismos, notável neologismo que remete para a experiência de um bom transporte, de um feliz arrebatamento, de uma euforia. O que é bem apropriado a um exercício em que o autor escreve tendencialmente na bem-aventurança de um sair de si e/ou dos limites comuns do pensamento e da linguagem dos homens. Este livro apresenta-se assim como um exercício de alegria, pela qual triunfa desses fundos mais dolorosos ou opressivos da vida que ironicamente explora e dos quais afinal se nutre, numa subtil alquimia que converte o mais denso chumbo em ouro e asas. Exercício de cada instante, onde escrever é sem antes nem depois: “Não tenho nem passado nem futuro / Represento o instante em que escrevo”.
Filho da nobre linhagem das grandes palavras (vac) sapienciais indianas, das sentenças pré-socráticas e do seu eco no pensamento ocidental (Pascal, Novalis, Nietzsche, Pascoaes, José Marinho, entre tantos outros), estes aforismos euforísticos e eufóricos são afinal a Bússola que sempre indica a direcção por mais errante, extraviado e transviado que pareça o caminho. Na verdade, se numa primeira leitura tudo aparenta apontar neste livro em direcções diversas e até opostas, o seu lento madurar revela uma direcção de conjunto, que milagrosamente emerge da própria dispersão em que as palavras e os sentidos se entretecem. E que direcção? A da edificação do homem que é o verdadeiro livro a ler, escrever e ser, pelo qual se podem e devem sacrificar todas as bibliotecas: “Não tenhas receio de sacrificar uma biblioteca inteira para seres um bom livro”.
Esse homem, por ser autêntico, sabe a morte e o delito de que é feito, sabe que nascer é cisão e morte que nos destina a morrer, sabe que a ex-istência é ferida aberta no corpo do real que só sara desaparecendo: “Respira: ergue as paredes do teu túmulo”; “Há na morte uma verdade: a delinquência de havermos existido”.
Mas esse mesmo homem é o que se aniquila e morre anulando a morte na plena intensidade da experiência de estar aí: “Aquele que escuta a terra no ponto alto da sua gravidez é o mesmo homem que por amor se fez cadáver”. Isso acontece no instante, a cada instante: “Nunca te esqueças que és fruto de um instante e que nesse instante todas as sementes se calaram para te ouvir chegar”. Instante em que o eterno de nós em nós explode, se, plenamente receptivos, o não buscarmos: “Não procures a eternidade. A qualquer momento ela explodirá dentro de ti”. Aí nos libertamos da estreiteza de nos presumirmos: “Ninguém é estúpido; Estúpido é: pensarmos que somos Alguém”.
Homem autêntico e livre, sobretudo de si, assume toda a autoridade para desmascarar o ridículo de uma história humana que oculta uma verdade chamada amor: “A História dos homens é ridícula, pois na escola nunca ouvi contarem casos de amor”. Se ao nascer não soube ao que vinha – “Quando nasci não me avisaram deste mundo” - , agora sabe que o mundo dos homens só vale se nele a soberania for outra: “Quando o amor for uma política, eu votarei”. Então haverá a cura e ressurreição que a medicina desconhece, pois confunde a saúde com a normalidade do homem rastejante: “A medicina está longe de me dizer qual o melhor remédio para ressuscitar as asas”.
Muito mais se poderia e deveria dizer sobre um livro que nos convoca ao melhor de nós mesmos, ao indomável, mas a leitura destas palavras luminosas urge. Escutemos apenas, como preâmbulo, a nobre e bela exortação que nos dirige:
“Que os teus abraços abertos sugiram o voo e que na brandura do sono a tua cabeça seja o ceptro onde nenhum servo põe a mão, pois só tu és águia na raiz do firmamento”.
E recolhamo-nos, pois “A cada instante o silêncio liga a sua ignição”.
Boa viagem!
Tive a felicidade de conhecer a magnífica poesia de Flávio Lopes da Silva no blogue da revista Nova Águia, onde foi a grande revelação, e de o ver depois honrar o meu blogue pessoal, Serpente Emplumada, bem como o blogue da revista que dirijo, Cultura Entre Culturas, da qual será também colaborador.
Flávio Lopes da Silva é um poeta em todo o sentido da palavra e um dos grandes poetas vivos da língua portuguesa, com quatro obras: Nós vezes Nós, Líquida Obsessão, Sétimo Vão e Sou Um Louco Que Sabe Tocar Acordeão. Poeta na forma, no conteúdo e, sobretudo, na vida selvagem que lhe inflama e move a escrita, indomável por escolas, maneirismos ou desejo de reconhecimento fácil. Tudo o que Flávio escreve vem directamente da inspiração, inquietação e sinceridade – “Diz o que tens a dizer. Nem que tenhas de cuspir a tua própria língua” - de uma consciência nua e sensível aos cumes e abismos da existência e da vida, que os explora intensamente, não se furtando às suas luzes e sombras, ao seu absurdo, drama e tragédia, mas também às suas redenções, mormente por via do amor, da antecipação da morte e da própria poesia, vias instantâneas de fecunda libertação: “Poesia: quando te bebo, descubro um filho dentro de mim”.
O poeta oferece-nos aqui um livro de aforismos / euforismos, não menos admiráveis que os seus poemas. Um aforismo é uma sentença extremamente concisa, que condensa em poucas palavras um sentido ou sentidos amplos e profundos, nascidos de uma intuição fulgurante e súbita. No aforismo a expressão é o mais íntima possível à fonte originária de onde brota, numa espontaneidade não sacrificada à distância e intervalo da reflexão, que frequentemente faz com que a forma e o conteúdo da escrita nasçam do arrefecimento do vislumbre nos moldes dos conceitos transaccionáveis no comércio da vida e da linguagem. No aforismo, que etimologicamente remete para uma delimitação, um dizer extremamente conciso demarca-se do fluxo corrente do palavreado mental e verbal para deixar ver o que mais importa, como que num refluxo do discurso para a quinta-essência de uma visão que o transcende e suspende. No aforismo, o pensamento e a palavra despem-se de todo o acessório para repousarem na nudez essencial.
Mas estes aforismos são euforismos, notável neologismo que remete para a experiência de um bom transporte, de um feliz arrebatamento, de uma euforia. O que é bem apropriado a um exercício em que o autor escreve tendencialmente na bem-aventurança de um sair de si e/ou dos limites comuns do pensamento e da linguagem dos homens. Este livro apresenta-se assim como um exercício de alegria, pela qual triunfa desses fundos mais dolorosos ou opressivos da vida que ironicamente explora e dos quais afinal se nutre, numa subtil alquimia que converte o mais denso chumbo em ouro e asas. Exercício de cada instante, onde escrever é sem antes nem depois: “Não tenho nem passado nem futuro / Represento o instante em que escrevo”.
Filho da nobre linhagem das grandes palavras (vac) sapienciais indianas, das sentenças pré-socráticas e do seu eco no pensamento ocidental (Pascal, Novalis, Nietzsche, Pascoaes, José Marinho, entre tantos outros), estes aforismos euforísticos e eufóricos são afinal a Bússola que sempre indica a direcção por mais errante, extraviado e transviado que pareça o caminho. Na verdade, se numa primeira leitura tudo aparenta apontar neste livro em direcções diversas e até opostas, o seu lento madurar revela uma direcção de conjunto, que milagrosamente emerge da própria dispersão em que as palavras e os sentidos se entretecem. E que direcção? A da edificação do homem que é o verdadeiro livro a ler, escrever e ser, pelo qual se podem e devem sacrificar todas as bibliotecas: “Não tenhas receio de sacrificar uma biblioteca inteira para seres um bom livro”.
Esse homem, por ser autêntico, sabe a morte e o delito de que é feito, sabe que nascer é cisão e morte que nos destina a morrer, sabe que a ex-istência é ferida aberta no corpo do real que só sara desaparecendo: “Respira: ergue as paredes do teu túmulo”; “Há na morte uma verdade: a delinquência de havermos existido”.
Mas esse mesmo homem é o que se aniquila e morre anulando a morte na plena intensidade da experiência de estar aí: “Aquele que escuta a terra no ponto alto da sua gravidez é o mesmo homem que por amor se fez cadáver”. Isso acontece no instante, a cada instante: “Nunca te esqueças que és fruto de um instante e que nesse instante todas as sementes se calaram para te ouvir chegar”. Instante em que o eterno de nós em nós explode, se, plenamente receptivos, o não buscarmos: “Não procures a eternidade. A qualquer momento ela explodirá dentro de ti”. Aí nos libertamos da estreiteza de nos presumirmos: “Ninguém é estúpido; Estúpido é: pensarmos que somos Alguém”.
Homem autêntico e livre, sobretudo de si, assume toda a autoridade para desmascarar o ridículo de uma história humana que oculta uma verdade chamada amor: “A História dos homens é ridícula, pois na escola nunca ouvi contarem casos de amor”. Se ao nascer não soube ao que vinha – “Quando nasci não me avisaram deste mundo” - , agora sabe que o mundo dos homens só vale se nele a soberania for outra: “Quando o amor for uma política, eu votarei”. Então haverá a cura e ressurreição que a medicina desconhece, pois confunde a saúde com a normalidade do homem rastejante: “A medicina está longe de me dizer qual o melhor remédio para ressuscitar as asas”.
Muito mais se poderia e deveria dizer sobre um livro que nos convoca ao melhor de nós mesmos, ao indomável, mas a leitura destas palavras luminosas urge. Escutemos apenas, como preâmbulo, a nobre e bela exortação que nos dirige:
“Que os teus abraços abertos sugiram o voo e que na brandura do sono a tua cabeça seja o ceptro onde nenhum servo põe a mão, pois só tu és águia na raiz do firmamento”.
E recolhamo-nos, pois “A cada instante o silêncio liga a sua ignição”.
Boa viagem!
quinta-feira, 8 de julho de 2010
VISTA PARA OS QUINTAIS
A cada olhar um pouso
uma aparição do que ouço
pela mão me traz a sombra
e o rasgo, um dorso do qual caio
dou por mim outro caminho.
uma aparição do que ouço
pela mão me traz a sombra
e o rasgo, um dorso do qual caio
dou por mim outro caminho.
dou a volta ao mundo, parto e regresso, sem nunca ter saído do mesmo lugar.
de pernas para o ar invento o avesso/ espelho do que continuo sendo.
Se viajo do centro para a esquerda/regresso pela direita/doce ilusão que caminho. Invento o círculo/ dou a volta ao mundo/se choro ou rio/ pouco importa/sequer existo.
Espera! Repara que volto, repara que parto, enquanto rebolo te abraço...
de pernas para o ar invento o avesso/ espelho do que continuo sendo.
Se viajo do centro para a esquerda/regresso pela direita/doce ilusão que caminho. Invento o círculo/ dou a volta ao mundo/se choro ou rio/ pouco importa/sequer existo.
Espera! Repara que volto, repara que parto, enquanto rebolo te abraço...
para migrante da construção civil
trabalhar
de talocha e colher
do nascer do Sol
até se ver
eis a tua
Golden Share
quarta-feira, 7 de julho de 2010
ENTRE O CAOS E A ORDEM - QUEM SOU?
Preâmbulo
Qual é o ritual que preparas para demonstrares uma equação matemática?
E quando vais recitar um poema - como te inspiras na véspera de o anunciar?
Quando vais cantar para uma audiência vazia – como alcanças o dó sustenido?
Como abres a porta que te leva ao transe?
Oeiurewoiuwoeitueroitueroiutioer
É assim mesmo o título deste intervalo, porque absolutamente não sei o que quero dizer – apenas o sinto. Sem forma se entranha no meu tacto. Sem som explode no meu coração. Sem história é a memória arquivada do que venho esquecendo.
Sem memória é o presente: aqui e agora
O início do transe ou a vontade de acreditar que ele existe (continuação do preâmbulo)
Pura imaginação. Minha mesa está cheia de jornais. Os cd’s arrumados na estante e o transe ....
Ah, o transe! Foi o que experimentei um dia quando a sintonia do meu corpo dançou no corpo do homem amado. Desde então escrevo. Desde então medito. Quero tocar o invisível, sentir o que não existe, cheirar o que invento. Quero me ver de fora enquanto estiver por dentro. Quero alcançar a lua inventando um soneto.
Quero não querer enquanto penso que existo.
Sou somente a memória daquilo do que julgo lembrar. Sou a memória do que invento. Sou a memória do que ouvi contar.
Não sou nada do que julgo pensar - não existo.
Sou a memória da história que segue – testamento/testemunha do que vivi
Por agora vou escrevendo como se vomitasse o verbo, o predicado e o sujeito que não sei dele. Quando o texto rima faço um parágrafo e finjo poesia.
Só haverá enredo quando o ruido de fora calar em mim como silêncio. Só haverá testemunho do que quero contar quando não for preciso mais respirar. Nessa hora estarei ciente de todos meus sentidos. Quais?
Qual é o ritual que preparas para demonstrares uma equação matemática?
E quando vais recitar um poema - como te inspiras na véspera de o anunciar?
Quando vais cantar para uma audiência vazia – como alcanças o dó sustenido?
Como abres a porta que te leva ao transe?
Oeiurewoiuwoeitueroitueroiutioer
É assim mesmo o título deste intervalo, porque absolutamente não sei o que quero dizer – apenas o sinto. Sem forma se entranha no meu tacto. Sem som explode no meu coração. Sem história é a memória arquivada do que venho esquecendo.
Sem memória é o presente: aqui e agora
O início do transe ou a vontade de acreditar que ele existe (continuação do preâmbulo)
Pura imaginação. Minha mesa está cheia de jornais. Os cd’s arrumados na estante e o transe ....
Ah, o transe! Foi o que experimentei um dia quando a sintonia do meu corpo dançou no corpo do homem amado. Desde então escrevo. Desde então medito. Quero tocar o invisível, sentir o que não existe, cheirar o que invento. Quero me ver de fora enquanto estiver por dentro. Quero alcançar a lua inventando um soneto.
Quero não querer enquanto penso que existo.
Sou somente a memória daquilo do que julgo lembrar. Sou a memória do que invento. Sou a memória do que ouvi contar.
Não sou nada do que julgo pensar - não existo.
Sou a memória da história que segue – testamento/testemunha do que vivi
Por agora vou escrevendo como se vomitasse o verbo, o predicado e o sujeito que não sei dele. Quando o texto rima faço um parágrafo e finjo poesia.
Só haverá enredo quando o ruido de fora calar em mim como silêncio. Só haverá testemunho do que quero contar quando não for preciso mais respirar. Nessa hora estarei ciente de todos meus sentidos. Quais?
terça-feira, 6 de julho de 2010
- Quem és? Tens olhos grandes demais para ser humano...(Alguém admirado assim ta descreveria, as lágrimas darão o brilho que falta à silhueta.)
- Quem és?
- Aqui me tens, indestrutível força, lanceolada de espumas e sagrada por vastos e remotos vendavais, absoluta solidão do teu ser poeta.
- Para onde vais?- Quem és?
- Aqui me tens, indestrutível força, lanceolada de espumas e sagrada por vastos e remotos vendavais, absoluta solidão do teu ser poeta.
- Venho de um regresso impossível, posso ainda enganar-me no caminho.
- Sabes, pregar um prego, lavar pratos, cortar a erva, tudo isso me custa. Mas nada me custa tanto como carregar o fardo de um poema das coisas impossíveis. Sabes, poemar dói. Os frutos nascem apenas desse fim como que caídos do chão, percebes?- Quem sou?
(Boa pergunta)
(Boa pergunta)
segunda-feira, 5 de julho de 2010

«Só o sexo da freira é assaz alto para ser, ao mesmo tempo, mais largo e mais profundo. Esconde todos os homens numa matriz escavada pelo infinito. Realiza juntamente o que a prostituta busca de maneira superficial e o que a amorosa mãe transporta de maneira estreita. É a parturiente do Reino. É a autêntica galdéria».
Fabrice Hadjadj, "A Profundeza dos Sexos. Para um mística da carne"
Happiness: here and now
No âmbito do curso de Filosofia e Estudos Orientais, o Swami Suddhananda (Suddhananda Foundation for Self-knowledge) dará uma prelecção no dia 21 de Julho (quarta-feira), pelas 18h, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa. Suddhananda é mestre do Vedānta e falará sobre o tema: "Happiness: here and now".
Resumo (em português) da conferência:
No âmbito dos princípios expressos na Bhagavad Gita, Upanishads, entre outros textos, serão abordados os seguintes temas fundamentais: a natureza e os mecanismos da mente e do corpo e suas ligações intrínsecas; o eu e sua relação com os seres e mundo à sua volta; a consciência que tudo “testemunha”.
fonte: http://filosofialisboa.blogspot.com/2010/07/o-que-e-o-vedanta.html
Resumo (em português) da conferência:
No âmbito dos princípios expressos na Bhagavad Gita, Upanishads, entre outros textos, serão abordados os seguintes temas fundamentais: a natureza e os mecanismos da mente e do corpo e suas ligações intrínsecas; o eu e sua relação com os seres e mundo à sua volta; a consciência que tudo “testemunha”.
fonte: http://filosofialisboa.blogspot.com/2010/07/o-que-e-o-vedanta.html
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bhagavad gita,
felicidade
-campos-

Verdes são os campos,
De cor de limão,
Assim são os olhos:
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que apascentais
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis,
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Luís de Camões
domingo, 4 de julho de 2010
"Desautomatização"
O segredo está na desautomatização. Se conseguirmos desautomatizar as nossas actividades, então toda a nossa vida se tornará uma meditação. A meditação é uma qualidade; pode-se adaptá-la a tudo. Não se trata de um acto específico - sentar-se virado para Leste, repetir uns mantras, queimar incenso, fazer isto e aquilo numa altura específica, com gestos e rituais específicos. A meditação nada tem a ver com estes ritos que servem, apenas, para a automatizar. A meditação é contra toda e qualquer forma de automatização.
Osho
Osho
...
Enquanto nada se acha, dura a nobre fraternidade.
O pior é quando começa a acumular-se a riqueza!
B. Traven, O Tesouro da Sierra Madre
O pior é quando começa a acumular-se a riqueza!
B. Traven, O Tesouro da Sierra Madre
sábado, 3 de julho de 2010
Hesychia

Como és bela, aldeia, na alvorada! Toda a vida parece estar sobre o poder de um grande feiticeiro que lhe lançou um encanto de torpor. Tudo está adormecido neste instante antes do amanhecer. A orquestra de insectos que durante a noite embala o nosso sonho, neste momento sossega também. Então dá-se algo de maravilhoso. O céu começa a clarear, as estrelas ainda brilham, lá no alto, assim como a lua sorridente e lá ao fundo, no nadir, aparecem os primeiros raios de Sol. A bruma dissipa-se e a vida parece regressar com toda a força criadora. Os pássaros soltam os seus maviosos trinados, o galo canta, ouve-se um burburinho vindo de todas as direcções. O homem, que não é diferente dos outros animais desperta também para retomar os seus afazeres. Vida! Vida por todo o lado! As formas vão aparecendo, os objectos vão tomando os seus lugares e tudo está a postos para participar na grande melodia universal.
São horas de ir para os campos, é o tempo do milho e das batatas. Atrelam-se os cavalos às carroças, prepara-se a alfaia. Os cães estão irrequietos, mordem-se e fazem correrias loucas. Está tudo pronto para um dia de colheita, claro, depois dos estômagos reconfortados! O trabalho de um Verão inteiro dá agora os seus frutos, estamos no tempo de recolhe-los. Seguimos, então, o caminho. O sol ainda se esconde atrás dos montes. Apesar de estarmos em Agosto, o ar da manhã é gélido e no vale a bruma ainda não deslizou completamente para o rio. A brisa é fresca e perfumada. Tudo anuncia um óptimo dia de sol!
Chegados à lavoura a alfaia é descarregada, pois o teu trabalho, cavalinho, ainda não terminou. Agora vais lavrar a terra, tirar das suas entranhas as batatinhas. O avô tira a égua da carroça e coloca-lhe a charrua que irá penetrar a terra. É então que se dá o milagre: a terra revira-se e dela saem inúmeras batatas, grandes e roliças! O trabalho vingou, o trabalhador foi compensado. É um regalo! A mão do semeador saiu a semear e agora o fruto vem reclamar.
Ora et labora!
sexta-feira, 2 de julho de 2010
última esperança
Prestes a começar
Holanda X Brasil
Primeiro foi Portugal
- não podíamos perder
agora
é quem fale português
- como pode isso alguma vez
acontecer?
virá o tempo
em que lutaremos
por quem fale
uma língua latina
não podemos é perder
:
jamais, jamais
em último recurso
- não podemos é perder -
lutaremos por
quem fale
sim por quem simplesmente fale
um dialecto
ou uma língua qualquer
- perder é que
jamais
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