O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Não antropomorfizes o ser humano

Reflexões sobre os princípios e a necessidade de um Partido Pelos Animais - II

O antropocentrismo e especismo dominantes na história da civilização, aliados ao egocentrismo individual e colectivo e acentuados e potenciados no mundo moderno e contemporâneo pelo poder tecnológico, com a exploração desenfreada dos recursos naturais e a instrumentalização dos animais não-humanos para fins alimentares, científicos, de trabalho, vestuário e divertimento, sem qualquer consideração pela sua qualidade de seres vivos e sencientes, têm vindo a causar um grande desequilíbrio ecológico, uma diminuição crescente da biodiversidade e um enorme sofrimento.

Esta situação é inseparável de todas as formas de opressão e exploração do homem pelo homem, mas está longe do reconhecimento, denúncia e combate de que estas felizmente são alvo. Considerar normal infligir sofrimento aos animais é uma situação moral e eticamente inaceitável e que lesa a própria humanidade, a todos os níveis, desde o plano ambiental e económico – os processos implicados na alimentação carnívora são porventura a principal causa do aquecimento global, ao que se juntam os custos da produção intensiva de animais para abate, a poluição e o acelerado esgotamento dos recursos naturais - ao do seu bem-estar e saúde física e mental, pondo mesmo em risco a sua sobrevivência. Perante a interdependência de todas as formas de vida num único ecossistema, as agressões à natureza, ao meio ambiente e aos animais são agressões da humanidade a si mesma.

Por este motivo, e embora não se limite a essa questão, o PPA considera ser central e urgente, por razões éticas e para o bem da própria humanidade, uma mutação profunda da sua relação com a natureza, o meio ambiente e os animais, privilegiando-se a harmonia ecológica, o desenvolvimento sustentado e a diminuição progressiva da exploração, dor, medo e stress a que os animais são hoje sujeitos pelo homem, visando-se a sua total abolição. Defender a natureza, o meio ambiente e os animais não humanos é defender o homem, não fazendo qualquer sentido separar as duas esferas de interesses. A luta contra todas as formas de discriminação, opressão e exploração do homem pelo homem deve ampliar-se à libertação dos animais e à defesa da natureza e do meio ambiente, sem o que perde fundamentação, coerência e valor ético.

A diversidade da inteligência humana, permitindo-lhe uma maior antecipação do futuro e das consequências das suas acções, bem como uma maior distância reflexiva perante as emoções, os impulsos e os instintos vitais de sobrevivência, permite-lhe uma maior liberdade de decidir como agir, uma maior consciência dos resultados dessas decisões e acções para os outros seres sencientes e uma maior sensibilidade e abertura às necessidades e interesses dos membros de outras espécies. Tudo isto torna o ser humano responsável por optar pelo egocentrismo especista, ou por não questionar as suas ideias, comportamentos e hábitos especistas, sacrificando os não-humanos com prazer e indiferença. Ao fazê-lo, aceitando como normal e natural fazer sofrer outros seres sencientes, está a degradar a sua humanidade, reforçando hábitos e tendências que mais facilmente o levarão a agir do mesmo modo em relação aos seres humanos.

O PPA defende uma sociedade onde todos os seres sencientes, humanos e não humanos, possam viver numa harmonia tão ampla quanto possível, com bem-estar e felicidade. Os interesses humanos e animais devem ser igualmente tidos em consideração e procurar-se a solução eticamente mais justa quando pareçam estar em conflito, tendo em conta as suas especificidades. No que respeita às históricas tomadas de consciência moral e ética da humanidade, a recusa do esclavagismo, do racismo e do sexismo deve completar-se com a da discriminação baseada na espécie, pois os preconceitos esclavagistas, racistas, sexistas e especistas têm uma mesma natureza injustificável: presumir-se superior e com direito a maltratar, oprimir e explorar outros seres só por se ter mais poder, um diferente tipo de inteligência ou pertencer a uma raça, sexo ou espécie diferentes.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ser do ente

Dancem macacos, dancem!

Para descontrair,

uma pequena história musicada sobre a evolução, i think... :)

Um abraço na distância.

A política é um mal necessário.

Reflexões sobre os princípios e a necessidade de um Partido Pelos Animais - I

Urge transformar a mentalidade e a sociedade portuguesa e contribuir para a transformação do mundo de acordo com os fundamentais valores éticos e ambientais, tornados ainda mais imperativos no século XXI, quando o desenvolvimento tecnológico da humanidade permite um impacto sem precedentes na biosfera planetária que compromete a qualidade de vida das gerações futuras e a sobrevivência das várias espécies, incluindo a humana, conforme é cientificamente reconhecido.

Pela sua maior capacidade de intervenção sobre a natureza, o meio ambiente e os seres sencientes, bem como pela sua possibilidade de livre arbítrio, memória, previsão e opção ética, o homem é o responsável pela harmonia ecológica e pelo bem-estar dos seres vivos. Assumindo que todos os seres sencientes, humanos e não-humanos, são interdependentes no seio de um mesmo ecossistema e têm um principal interesse comum, o de satisfazerem as suas necessidades vitais, não sofrerem e experimentarem sensações e sentimentos de prazer, segurança, bem-estar e felicidade, há que criar as condições jurídicas e políticas, na sociedade humana, para que esse direito lhes seja reconhecido e isso aconteça o mais possível.

Há que fazer surgir na medíocre e descredibilizada política nacional um novo paradigma mental, ético, cultural e civilizacional, emergente em todo o mundo. O PPA reger-se-á pelo princípio da não-violência, mental, verbal e física, e lutará firmemente pelos seus princípios contra ideias e práticas e nunca contra pessoas. O PPA assume-se como um partido inteiro, que visa promover o bem de todos os seres sencientes, humanos e não-humanos, e não apenas o de uma sua escassa minoria.

puro ocaso


Vagas de luz recobertas de saciedade crestada

No fundo do mar a madrugada recobre-se de coral e melancolia

Não há calmaria sem tempestade adiada

Venha a noite e com ela o mosto de estar vivo sem mais

Incerta é a hora da maturação das esperas

Posto o Sol a claridade é uma vibração desamparada

Da escuridão de haver quem lhe sinta os alvores terminais

Shift - Kapitol



Dark trance da África do Sul. Boom Xiva!!!!!!!

um poema inacabado

na noite escura
os elementos vibram
e conspiram.

enfeitiçam
e enlouquecem
de amor.

sabemos
que são
o nosso feitiço.

iluminamos estrelas
negras
coroamo-las em júbilo.

o ser explode
e rubro
se transforma.

semanário selvagem

- à Segunda, vontade não abunda. O tempo é bruma

- à Terça, talvez ela apareça

- à quarta ainda não à farta

-à quinta, se veio não é distinta

-à sexta só se for acima da cabeça

- sábado e domingo - ela aí está, e o tempo é lindo

O mundo é o orgasmo de Deus.

domingo, 23 de agosto de 2009

jardim

Imaginei-me, por isso nasci.

loucura



Se buscas perdes o que não procuras

Mesmo nas vitórias

Terás vencido sem perdição

A eternidade não tem duração

Nem o coração precisa de sentimentos por medida

As flores não são flores nem na Imaginação

Nem sonhada a imensidade se faz imensa

Verdade por verdade o ser sem Lei

Nem mesmo havendo estradas o caminho será perfeito

Mesmo que afortunado a sorte não se agradece

Nem se pede o que já se tem

Mas até isso é ilusão

Não está vivo o que vive

É sem razão

Observa o nada para lá de todas as coisas.

As palavras são como dedos apontando a Lua. Não confundas o dedo com a Luz que aponta.

Tantra ou do Uno-Todo

"[...] No seu melhor, O Tantra é integralismo. Isto é aludido na própria palavra tantra, que, entre outras coisas, significa "continuum".

Este continuum é o que os adeptos iluminados reconhecem como nirvana e o que os mundanos não iluminados experimentam como samsara. Estes não são realidades distintas, opostas. Elas são absolutamente o mesmo Ser, a mesma essência (samarasa). Essa essência apenas aparece diferente a diferentes pessoas por causa das suas predisposições kármicas, as quais são como véus ou filtros mentais que obscurecem a verdade. Para os mundanos comuns, o Uno permanece completamente escondido. Para os buscadores espirituais, parece um objectivo distante, talvez realizável após muitas vidas. Para os iniciados, é um fiável guia interior. Para os sábios que reconheceram o Si / auto-realizados, é o Único que existe, pois eles tornaram-se o Todo"

- Georg Feuerstein, Tantra. The Path of Ecstasy, Boston/London, Shambhala,1998, p.51.

miosótis

Lembra-vos alguma coisa?


"Trailer for film The Wave by Dennis Gansel. THE WAVE is based on a real event from a Californian high school in 1967 and transposed to Germany today. A cautionary tale about the roots of fascism. (...) Much to their surprise the students find that they like the power of unity and soon this new found discipline spills over to other school activities and newcomers join the group. The Wave gives the kids something to believe in for a change, until they go too far and The Wave spins out of control. "

Petição contra a transmissão de touradas pela televisão pública

Convido-vos a assinarem esta petição contra a transmissão de touradas pela televisão pública – que usa o dinheiro dos contribuintes para divulgar a tortura e não a cultura – , e a favor da sua criminalização.
Pelo bem de todos os seres sencientes, incluindo o de quem, por ignorância, os faz sofrer”

Paulo Borges