segunda-feira, 15 de setembro de 2008
A quem devemos estar mais gratos? A quem nos elogia ou a quem nos critica ou insulta?
Mas havera algo de libertador no insulto? Por detras do seu aspecto desagradavel, nao havera um "koan" que nos obriga a estarmos mais presentes no aqui e agora?
The Boys of Summer (Don Henley)
Daria tudo por tudo para voltar atras e nao mais desperdicar a minha infancia e adolescencia Algarvia da maneira que desperdicei ... Trocando o sol, o mar e a sensualidade do Sul por algo que se revelou nao ser nada mais do que uma balela ...
Mas nunca e tarde demais para se recuperar o "ser-se crianca". Agora, dou tudo por tudo para nunca mais deixar a vida de sol, mar e sensualidade que a Providencia me esta ofertando em terras ainda mais a Sul. Nunca mais voltarei a desdenhar da Providencia, e nunca mais voltarei a acreditar em balelas. Agora e de vez. Nunca mais quero ter vontade de cantar esta cancao de despedida de tudo o que ha de mais belo. Em vez de me despedir, quero dissolver-me nessa beleza.
Bem hajam.
domingo, 14 de setembro de 2008
sábado, 13 de setembro de 2008
Amor-Saudade

«L'amor che move il sole e l’altre stele»
Dante Alighlieri
Boa noite
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
O princípio do despertar...
Portugal está sem destino. (...) [Sócrates e Manuela] falam uma nova (?) «língua de pau», que os portugueses não ouvem ou que não registam. (...) O PS e o PSD são o regime e não podem ou tencionam tocar no regime. A reforma de Portugal, se por absurdo vier, não virá dali."
Vasco Pulido Valente, Público
Quando morres
- Aforismo corrigido de A Cada Instante Estamos a Tempo de Nunca Haver Nascido, Sintra, Zéfiro, 2008, p.118.
Quando há amanhã

Contemplando... entre a luz e a sombra, num espasmo incolor. Sentei-me ao longo deste patamar e deixei para ontem os bancos de jardim. Ao longe, não vi nada... Ninguém me viu contemplar.
VT
A Almada Negreiros

é ela que me arranca da sombra em mim atrelada
sombra de mim
não me segue
finjo que sou eu e vou
não para longe de mim
e sempre,
sempre às portas de mim
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Espelha-te! Espalha-te!
Concordar todo o Ser, integrando a inevitável parte discordante, para ser-se tudo, de-o corpo inteiro, da Terra... do Sol.
Vídeo baseado na obra O Ponto de Mutação de Fritjof Capra, em que é proposta um visão sistêmica, múltipla e relacional da vida.
Vídeo disponibilizado por Laercio Antonio Pilz.
CUIDADO!!!!!
Posso dizer-vos que este filme e um dos mais perigosos que alguma vez foram feitos. Dois meses depois de ver este filme, embarquei num aviao em Brasilia com destino a Berkeley, California, para uma conversa "tete-a-tete" com o proprio Fritjof Capra. Ainda nos correspondemos por E-mail, e espero encontra-lo de novo em breve, possivelmente no proximo Forum Social Mundial em Belem do Para.
Tres anos e meio depois de ver este filme, deixei um emprego prestigioso e bem pago na Comissao Europeia, assim como um belo apartmento, uma vida cultural riquissima e uma muito querida roda de amigos em Bruxelas para cruzar o Atlantico com destino aos EUA, um pais com o qual nunca me identifiquei e sabia que nao me iria identificar, para estudar questoes que a perigosa alquimia provocada pelo encontro entre a vivencia no Brasil e o mergulho no Paradigma Holistico fez surgir na minha cabeca.
Sete anos depois de ver este filme, encontro-me no Brasil a fazer pesquisa em locais marcados pelo sofrimento e pela opressao causada pelo crime organizado, onde encontro pessoas extraordinarias que, no meio do caos, inspiradas por esse paradigma emergente, fazem surgir formas extraordinarias de sociabilidade, producao economica e espiritualidade que muito tem a ensinar ao mundo, especialmente aos "paises desenvolvidos" (entre grandes aspas), que teimam em continuar acomodados a sombra do paradigma Cartesiano, roido pelo caruncho e que ameaca cair a qualquer momento sobre as suas cabecas.
Quem sabe os nossos amigos do CERN nao ajudarao a precipitar essa queda;-)?
BENDITA CRISE?
Bendita crise que sacudiu o mundo e a minha vida.
Bendita crise que sacudiu o mundo e a minha vida.
Bendita crise que está reciclando tudo.
Bendita crise que veio tirar a minha ilusão de permanência.
Bendita crise que vai trazer evolução.
Bendita crise que vai fazer o mundo se reestruturar.
Bendita crise que traz a transformação.
Bendita crise que vai me ensinar o que é verdadeiramente importante.
Bendita crise que é um desafio.
Bendita crise que vai me revelar a minha própria sabedoria.
Bendita crise que dissolve meus apegos.
Bendita crise que vai ampliar minha visão.
Bendita crise que me faz humilde.
Bendita crise que vai abrir meu coração.
Bendita crise que me traz de volta a confiança.
Bendita crise que vai me mostrar outras oportunidades.
Bendita crise que me faz dar mais importância à vida.
Bendita crise que me tirou do marasmo.
Bendita crise que leva a um novo paradigma.
Bendita crise que está me mostrando a Luz.
Bendita crise que me fez voltar a ter fé.
Bendita crise que me traz de volta a aventura de viver.
Bendita crise que é o Ponto de Mutação.
Bendita crise que me traz de volta o amor pela humanidade.
Em honra dos cientistas do CERN que neste preciso momento estao a fazer historia.
Em honra de grandes pensadores que nas ultimas decadas tem contribuido para a emergencia de um novo paradigma de consciencia, pensamento e accao a partir da sistematizacao de alguns dos mais importantes avancos da ciencia no seculo XX, como por exemplo Humberto Maturana, Arne Naess, Fritjof Capra, Hazel Henderson, James Lovelock, Vandana Shiva, Ernst von Weisaecker, Marcos Arruda, Rose Mary Muraro, Jean-Yves Leloup, entre outros.
NOTA IMPORTANTE: Temos a honra de informar os nossos estimados leitores que o proximo numero da revista "Nova Aguia" contara com um artigo do proprio Jean-Yves Leloup e outro da esposa de Arne Naess, Kit-Fai Naess.
Aos amores tristes
E o teu rastro
Ao afundar-se na lonjura tudo apagou
O mar subsumiu-se na terra
A rosa dos ventos secou
O desalento ecoou, incessante
E os meus sonhos por inteiro adormeceste
Perdi todo o meu norte
Tu que eras o meu nordeste
Tesouro inesgotável de vagas de calor e verde e dunas mansas
Deixei crescer as tranças
O corpo cicatrizou
Mas sempre que anoitece sopra uma triste canção
E o sol nascente
Só deixa luzente
O ermo do meu dia
Na tua ida
Apenas ficaram pelo caminho estátuas de cinza
A luz varada de escuro, puro buraco negro, insólita lombriga
Fizeste do tempo um robot néscio e indirigível
Mataste tudo o que é tigre, leopardo e leão
E data venia, mais ainda:
Lançaste em vias de extinção
O meu coração
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Para o Paulo Borges: um comentário ilustrado

Acima dele, a Sensível Existência Humana, tece e retece, toca e retoca a harpa e o coração-arca na mão. A Sensível Existência Humana, presa ao que não esquece e a tece, cria e recria os infindos caminhos do perdão. “Saudade”, dizem os seus lábios imobilizados num rosto ovo-criação. “Ai Saudade!” clama o seu corpo entregue ao ritmo de um grito de invocação. Grito vertido num corpo já convertido, já rendido nos braços da eterna mãe, a Criação.
Mulher sentada, mulher curvada, chegam-nos de ti espasmos e traços de silenciosa compaixão. Que te converte nesta terna e esplêndida composição?
Que te contorce para essa doce, suave e ínclita inclinação?
(…)
Vislumbro no teu centro um berço, perscruto no teu âmago um pranto. E choro o que nenhuma palavra diz e o caminho que com nenhuma palavra condiz. E choro e, em pranto, desfaço o meu limite traçado a giz. Junto a ti deixo o meu tear e a minha harpa. É junto de ti, Saudade, que deixo os instrumentos com que os Amigos resgatam a humanidade, com a sagrada composição e a enlevada inspiração, da veemência dos nomes e entregam as nossas vidas na suave e doce melodia da sua respiração. Ao, Paulo, deixo o tear e a harpa, porque o sei espírito puro desta visão: a Saudade viva a compor uma canção, o poema redenção.
Saudade e Instante
- Eduardo Lourenço, "Tempo e Poesia", in Tempo e Poesia, Lisboa, Relógio d'Água, 1987.
À Rainha Elis em Nós, Mundo Novo... a Redescobrir
E ver, se dessa vez, faço um final feliz
Deixar de lado
Aquelas velhas estórias
O verso usado
O canto antigo
Vou dizer adeus
Fazer de tudo e todos bela lembrança
Deixar de ser só esperança
E por minhas mãos, lutando me superar
Vou traçar no tempo meu próprio caminho
E assim abrir meu peito ao vento
Me libertar
De ser somente aquilo que se espera
Em forma, jeito, luz e cor
E vou
Vou pegar um mundo novo, vida nova
Vou pegar um mundo novo, vida nova.
//
Como se fora
A brincadeira de roda
Memórias!
Jogo do trabalho
Na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos
Na canção da vida
Histórias!
O suor da vida
No calor de irmãos
Magia!
Como um animal
Que sabe da floresta
Memórias!
Redescobrir o sal
Que está na própria pele
Macia!
Redescobrir o doce
No lamber das línguas
Macias!
Redescobrir o gosto
E o sabor da festa
Magia!
Vai o bicho homem
Fruto da semente
Memórias!
Renascer da própria força
Própria luz e fé
Memórias!
Entender que tudo é nosso
Sempre esteve em nós
História!
Somos a semente
Ato, mente e voz
Magia!
Não tenha medo
Meu menino povo
Memórias!
Tudo principia
Na própria pessoa
Beleza!
Vai como a criança
Que não teme o tempo
Mistério!
Amor se fazer
É tão prazer
Que é como fosse dor
Magia!..."
Elis Regina
Composição: Luiz Gonzaga Jr.
A pior das Sedes I

- Hoje não vamos à escola porque houve uma revolução!
Estremunhada pela emoção que lhe sentia na voz, que carregava aquela palavra desconhecida de uma carga mágica, sentei-me na cama e perguntei-lhe:
- O que é uma Revolução, Mãe?
Não fiquei muito entusiasmada com a explicação. Porque haveriam de querer afastar o senhor mais lindo da RTP ( logo a seguir ao Eládio Clímaco, claro está)?
Aprendi muito nos anos que se seguiram mas, aquela não foi a minha Revolução! Contudo, a poesia da música que deu o sinal aos Coronéis de Abril ainda continua a fazer sentido, ecoa profundamente dentro de mim. Ainda choro quando oiço a raça da canção. Desculpem este desabafo; é mais forte do que eu! Lamento também, se vos incomodo mas vou obrigá-los a ouvir as palavras de José Niza, que o Paulo de Carvalho canta, inflamado pela música de José Calvário:
Era uma Saudade extrema que me rasgava, uma ausência sem fundo, como se aquela letra contivesse uma mensagem que me era dirigida pessoalmente, por alguém de quem me havia esquecido. Assim começou a minha demanda, a pior das Sedes: - Perguntar: Quem sou? O que faço aqui? De quem me esqueci?
( continua...)









