O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Árvore



"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi:
não soube que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."

Pablo Neruda

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Guerreiro




"Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda.
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda.
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas."

João da Cruz e Sousa

terça-feira, 30 de junho de 2009

"O humano é o sonho de uma sombra"

"Tu que existes exposto ao que os dias te trazem, o que é ser Alguém ? O que é não ser Ninguém ? O humano é o sonho de uma sombra [skiâs ónar anthrôpos]”

- Píndaro, Odes Píticas, VIII.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Somos um sonho a desvanecer-se sem deixar traços

“[…] Yeah, all which it inherit, shall dissolve, / And, like this insubstantial pageant faded, / Leave not a rack behind. We are such stuff / As dreams are made on; and our little life / Is rounded with a sleep […]"

– William Shakespeare, The Tempest, Acto IV, Cena I, linha 155.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O sonho e a erecção

"De noite, o sinal de que há um sonho é a erecção.
De dia, desde que há erecção, é o sinal de um sonho"

- Pascal Quignard, Le nom sur le bout de la langue, p.76.

sábado, 27 de dezembro de 2008

obrigada


Conhecer-se a si próprio é esquecer-se de si mesmo.
Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado por tudo o que existe no mundo.


Dogen (monge budista japonês do séc. XIII)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O eu é o mestre do eu

Bertrand Russell disse, a propósito da máxima cartesiana, que dela apenas poderíamos inferir que há pensamentos, mas não que há um pensador. Poderíamos afirmar o mesmo acerca do sonho (supondo, para o caso, que a realidade o é)? Que só este existe, mas não um sonhador?

Note-se que não se segue do facto de as nossas inferências serem limitadas a certas conclusões que não existam outras mais à frente, inacessíveis pelo aparelho do humano raciocínio.

Embora eu não seja muito de práticas - mea culpa, preguicite aguda -, creio que o (verdadeiro) conhecimento de algo como a mente só é possível através da introspecção, primeira pessoa, podendo depois ser transformado, se possível, em discurso verbal, provindo no entanto dessa introspecção, tal como o leite provém da vaca e não do supermercado. Quero com isto dizer que só poderá advir mais conhecimento acerca da mente se nela penetrarmos, se sobre ela nos indagarmos, e nunca de outro modo.

Neste sentido, penso que é saudável que adoptemos uma máxima budista que diz que o eu é o mestre do eu, na medida em que o conhecimento de nós mesmos - sim, supondo que existimos, ou que algo existe - só surgirá por indagação de nós sobre nós.