O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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domingo, 16 de agosto de 2009

Objectivos pessoais 2009/10

- Tirar a especialização em Filosofia e Estudos Orientais;
- Meditar e fazer retiros de meditação;
- Catequese e (possivelmente) Baptismo;
- Possivelmente participar num grupo de Estudos Bíblicos;
- Deixar de fumar (hoje, quando acabar este maço);
- Não consumir qualquer tipo de drogas;
- Tornar-me vegetariano;
- Comprar o mínimo possível.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Algo ainda mais intolerável no sofrimento dos animais do que no dos homens

"Para um homem cuja mente seja livre há algo ainda mais intolerável nos sofrimentos dos animais do que nos sofrimentos do homem. Pois com os últimos é pelo menos admitido que o sofrimento é mau e que o homem que o causa é um criminoso. Mas milhares de animais são inutilmente chacinados todos os dias sem uma sombra de remorso. Se alguém se referir a isso, será considerado ridículo. E esse é o crime imperdoável"

- Romain Rolland, Prémio Nobel de Literatura.

sábado, 2 de maio de 2009

Serenidade - Depende de ti

“Se sofres por causa de uma coisa exterior, não é esta coisa que te perturba, é o juízo que fazes sobre ela. Depende de ti fazê-lo desaparecer”

- Marco Aurélio, Pensamentos, VIII, 47.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Sobre o amor e as paixões

Sobre o amor e as paixões. Haverá diferenças? Compreendo o que é uma paixão momentânea, um fogo que se extingue num ápice, ao contrário do amor, que dura e, inclusivamente, nos responsabiliza perante o amado, porquanto assim nos sentimos. Mas não será o amor uma forma de apego?

Julgo que aprendo bastante com o meu cão, que amo profundamente, sentindo, de momento, uma enorme tristeza por não poder estar com ele, mais do que alguma vez senti por alguém. Posso estar a dizer uma enorme heresia, um absurdo, mas amo o meu cão mais do que amo a maioria das pessoas; a questão, que queria focar neste post, é que me sinto bastante apegado a ele, tal como penso que ele, que julgo amar-me, se sente.

Penso que o amor, apaixonado e duradouro, gera um forte apego e sofrimento, porquanto sentimos saudade quando estamos longe do amado. A própria saudade é sinal de apego. Mas, por causar apego e sofrimento, poderemos dizer que o amor é mau? Não, tal seria um absurdo ainda maior do que afirmar que estou apaixonado por um cão, esse ser tão especial. Afinal, é o amor que faz a vida valer a pena. Penso que não há palavras que o descrevam adequadamente.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Um idílio

Considero-me uma mente não iluminada e, falsa e escondidamente, uma mente iluminada. A verdade é que não sou uma mente iluminada. Também, o que é uma mente iluminada? Se o soubesse, seria uma mente iluminada. Tão rapidamente me ilumino como me obscureço e, nestes últimos tempos - oh, esquecida infância! -, mais obscurecido tenho estado do que iluminado. Não conheço, ultima e maioritariamente, iluminação que não a dos sentidos... mas que belas iluminações me têm dado, ao longo da minha parca e pouco importante vida! Tenho-me recordado, não sem me iluminar (a visão, não eu), de uma das mais belas iluminações que tive em toda a minha vida; foi quando estava na Jamaica, terra do Sol, da fertilidade, da madeira e do povo sofredor e corajoso, cujo relaxado lema é "no problem, it's just the situation": como turista papalvo que sou, fui para um resort em Negril, às costas do meu papá... bem, o que interessa é que saímos do dito e fomos andar a cavalo (a minha primeira vez: o mais lindo nas coisas é descobri-las) para umas enormes montanhas hiper-verdejantes no meio do nada, sob o calor abrasador do excelso Sol, ao fundo o mar - estão a ver? Um idílio. Guardo, porquanto existir, esta bela memória, que aqui partilho com o leitor, esperando nele despertar se não a memória, a imaginação que, porventura, poderá iluminar o seu coração, porque não acredito que tudo seja sofrimento mas, também, amor. Pachola, não? Abraços.