
Na minha Religião, estou sentado, em pé, como seja, sozinho, no Deserto, livre, pensando em nada, nada pensando, respirando, sentindo, sentindo o fluxo de emoções que me perpassa, a frescura, chorando o meu choro de emoção, uma estranha tristeza que por iluminadas e raras vezes se sente, sinto, sem Deus ou eu ou outro, sem nada porque nada pensado. De olhos abertos ou fechados, ora abertos ora fechados, um puro êxtase, saída de mim e de tudo, criação e destruição do mundo.
Não é Budismo, não é Hinduísmo, não é Judaísmo, tampouco Cristianismo, mas a Religião da Natureza, da Existência, do sentir, do puro sentir liberto, livre, de todos os preconceitos, conceitos, imposições interiores ou exteriores, se não a imposição do instante, réstia de realidade inexpugnável que instantaneamente se constrói e destrói ao sabor da interioridade que se exterioriza, exterioridade que se interioriza.
Onde se encontram? Lugar, princípio e fim desta Religião. Não dentro, não fora, mas algures no sentimento extático, íntima comunhão com e segregação do mundo, esse sou e não sou eu, casa? Não casa nem não casa, busca da liberdade, busca sem busca, encontro e desencontro, não querer nem não querer, ser e não ser, tudo, nada: Incondicionado.
Escrito ao som de "Desert Rose", de Sting com Cheb Mami, e "Seven Seconds", de Youssou N'Dour e Neneh Cherry.