O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A evidência enganosa


Imagem: Escher, "Charco", 1952


O que eu sei, já o não sei, pois encontrar é voltar a perder; mas o que não sei já, isso aprendo-o bruscamente, na condição de com isso não contar, e de em mim preservar esse estado de "graça" cujo nome verdadeiro é inocência.
O instante é a nossa decepção continuada, mas a intuição é o protesto contínuo da enganosa evidência.

Vladimir Jankélévitch,
Philosophie Première”, P.U.F., Paris, 1954, pág. 160