O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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terça-feira, 25 de agosto de 2009

o ser do ente

a serenidade que sabe é uma passagem para o eterno. a sua porta gira sobre os gonzos que um hábil ferreiro um dia forjou a partir dos enigmas da existência.

...

à última badalada, o silêncio torna-se ainda mais fundo. ele estende-se até àqueles que durante as duas guerras mundiais foram prematuramente sacrificados. o simples tornou-se ainda mais simples. o sempre idêntico supreende e desdobra-se. o apelo do caminho do campo é agora inteiramente claro. é a alma que fala? é o mundo? é deus?

tudo diz o abandono ao mesmo. o abandono não destitui, mas dá. ele dá a inesgotável força do simples. o apelo repatria para uma recôndita origem.