O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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domingo, 5 de abril de 2009

Credo de Sereia*




creio nos anojs que andam pelo mundo
creio na deusa com olhos de diamantes
creio em amores lunares com piano ao fundo
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes

creio no engenho que falta mais fecundo
de armonizar as partes dissonanates
creio que tudo é eterno num segundo
creio num só futuro que houve dantes

creio nos deuses de um astral mais puro
na flor humilde que se encosta ao muro
creio na carne que enfeitiça o além
creio no incrivel, nas coisas assombrosas
na ocupaçao do mundo pelas rosas
creio que o amor tem asas de ouro ...


amen



Poema de Natália Correia
Musica de Jorge Fernando
Voz de Ana Moura

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A minha crença é a de ser sempre Criança

Posso falar a brincar porque sei que falo a sério, posso mostrar que sei porque sei que posso não saber.

Então porque o deixámos de fazer? Deixámos de falar a sério? Deixámos de saber que se pode não saber? Passámos a falar o que não cremos? Porque desensinámos a nossa Criança?

A Criança não precisa de fingir humildade, sabe que a humildade está em querer aprender com tudo o que vive realmente, em se fundir com o mundo - que é.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Em busca do dharma perdido-esquecido

I - Deus e a razão de Deus

Deus: a razão de Deus.
A razão de Deus: inescrutável.

II - Epifanias e Avatares

Ele é vermelho-sangue, pois o seu corpo é Sangue
Fita-nos, através do seu azul-olhar, deitado, aparecido
Adormecido e acordado, assustado (e assustador) e ternurento (e triste)
Repleto de sexualidade e castrado: Animal Racional
Inominável surpresa, desaparecida - outra ilusão? Desilusão
Após a abertura dos portais do tempo, o Ser liberto da morte
Contempla o verdadeiro dharma: Eterno Retorno
O coração pula, intensamente, tudo é finalmente-primeiramente a alegria e o saber
E queremos dizê-lo, levantamo-nos do nosso leito, "Descobri, descobri! Eu sei a verdade, conheço a solução!"
Até que as simples palavras, a simples frase que tínhamos se dissipa
E, então, percebemos que magicamente perdemos-esquecemos a verdade
Que desconhecemos o caminho, e vivemos mundos para voltar a abrir a porta
Cujo nome-visão esquecemos por entre uma espécie de estranha confusão-convulsão.


III - Do mundo ao mundo transcendido - duas notas solares

Silêncio: êxtase do espaço-tempo.
Praia: o lugar da Utopia.