O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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domingo, 30 de agosto de 2009

Areia-Vento

O vento finistérreo acaricia a extática areia fina e nocturna do extenso areal que mergulha no marulhar quente, sob o auspício da crescente lua alaranjada que magicamente se estende sobre o infindo Atlântico. A areia voa ante o rodopiar do vento que profundo evoca nela ao passar o divino brilho da mais recôndita estrela, incandescendo submersa na totipotente coroa da colorida inconsciência que sabe ser o mundo ilusão. O espaço negro envolve-os com a sua misteriosa candura por entre laivos de silenciosa plenitude, como o contorcer-se de uma aura de esgares gemidos, ecoando por toda a eternidade.