Fonte: Google search engineTranspus
(Ai franqui)
Transpus o cume da minha vida
e desço pela outra encosta,
mas sou ainda um aprendiz,
e a alma às vezes ainda sonha.
As minhas mãos nunca estarão cheias;
só a verdade nos mente;
toda a agitação do mundo
não sacode as mãos engelhadas.
Talvez ao fundo daquele vale
aonde desço sempre com a tarde,
conheça melhor a minha solidão.
Sentar-me-ei ainda uma hora
para ver a comparação
do eterno e dos dias quebrados.
Suli-Andriéu Peyre (1890-1961)
in "Antologia da Poesia Provençal Moderna",
selecção e tradução de Louis Bayle e Manuel de Seabra,
Editorial Futura, Lisboa, 1972, pág. 44