O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


Mostrar mensagens com a etiqueta Segredo Coreográfico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Segredo Coreográfico. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

fotografia de Georges Dussaud
"Vilarinho Seco, Serra do Barroso, Trás-os-Montes",
Dezembro de 1983

Sexto segredo
Morder a luz com a presença

Olhar, fazer uma ponte com os olhos, aparecer, iluminar

Riso, brilho das sobrancelhas, electricidade nos olhos, cintilação


Acender com o riso a sua luz

corpo pirilampo

SEGREDO COREOGRÁFICO PARA DANÇAR (AQUI)

A quietude é o corpo demasiado impregnado de movimento
Abra e feche os olhos, pensando que as pestanas são asas de libelinhas.
Feche os olhos e permaneça no escuro como se adormecesse.
Abra os olhos devagar e enfrente a luz.
Feche os olhos, pense numa coisa que lhe faz bem e sinta como esse pensamento chega aos lábios. Abra os olhos devagar e sinta o sorriso em toda a cara.
Escolha uma pessoa com quem possa cruzar o olhar. Fique à espera do que acontece.

In Carta Coreográfica – “O corpo como adivinha, A dança como fábula”
AGEN 2009 - ACÇÃO NACIONAL
TERRITÓRIO ARTES

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Corpo Casulo

Primeiro Segredo
Há esconderijos nas conchas do corpo.

Mão, cancela que abriga e obriga, concha dos olhos

Casa, casar, casulo, centro, local de onde se parte e aonde se chega

A casa sou eu

corpo casulo

Segredo coreográfico para dançar (aqui)


Cada lugar e cada casa têm o seu tempo próprio. Um tempo secreto.
Cada movimento também.
Encontre as conchas do corpo com as mãos.
Viaje com as mãos entre as várias conchas do corpo.
Encontre um segredo numa das imagens.
Esconda esse segredo numa concha do corpo.
Traga agora o segredo à boca para o contar aos dedos.
Entrelace os dedos e deixe as mãos seguirem o caminho dos braços até o corpo se abraçar a si próprio.
Feche os olhos durante cinco segundos e sonhe com casulos.

1. Gérard Castello-Lopes "Bruxelas", 1958
2. Mona Khun "Ton's creation", 1999
3. Alfredo Cunha "Vila Verde", 1997
4. Georges Dussaud "Agrelos, Serra do Barroso, Trás-os-Montes", Agosto 1981
5. João Tabarra, Paulo Muge
6. Camilla Jessel Panufnik "Immediatly After Birth She Can Hear Her Mother's Hearhbeat again"
7. Alfredo Cunha "Benção do gado, Vila Verde", 1991