O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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terça-feira, 7 de junho de 2011

Poema dos amorosos


(Dedicado a Ethel Feldman)


Há na renda do mar

Aquela húmida claridade da boca

O terno olhar das ondas e do esquecimento

Um sismo de violetas nos dedos brancos

Uma revelação de cascatas

No olhar extasiado

Um espanto de terror e de beleza

Quando os navios parados

Ondeiam sombras na brisa iluminada

Uma vontade súbita de ser pássaro

E poisar-te no lábio a esperança

Como um cristal entre os olhos.

E os deuses da água sorriem dentro da boca

Dos novos amorosos.