(Dedicado a Ethel Feldman)
Há na renda do mar
Aquela húmida claridade da boca
O terno olhar das ondas e do esquecimento
Um sismo de violetas nos dedos brancos
Uma revelação de cascatas
No olhar extasiado
Um espanto de terror e de beleza
Quando os navios parados
Ondeiam sombras na brisa iluminada
Uma vontade súbita de ser pássaro
E poisar-te no lábio a esperança
Como um cristal entre os olhos.
E os deuses da água sorriem dentro da boca
Dos novos amorosos.