O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Silêncio da Montanha do Poeta


O que buscas, poeta, na luz que do cimo te projecta em sombra?
Que saudade cresce no lugar do céu e se abre em luz candente
No teu peito de arqueiro do céu? Esculpes na pedra o ouro, e na mente
És a paisagem crescente da montanha tocada de silêncio.

Que chuva de setas prateadas atira o arqueiro da festa do céu
Para a boca do poeta?! O arco do poeta é feito de água de lua
E a sua seta é um desejo vertical de espaço e da lonjura;
A sua imagem é um perfil de píncaros na solidão da montanha.

Para encontrar o poeta, é preciso subir à montanha verde,
Para acertar na cor o pintor renasce poeta; para pintar o céu
O poeta faz-se arqueiro do sonho, senhor da distância, mendigo do ar;
Eco de ser, voz do silêncio que lhe acerta no peito de pássaro
Recortado a negro na vastidão imensa da alma iluminada.