
O poeta bebe com os olhos e vê com a boca.
Ela está virada para o silêncio do céu
E os olhos voltados para a terra.
Este é o poeta! As palavras estão em cima
No céu do seu pensamento
Os olhos são aves de voo rasante
Às coisas que a sua boca prova.
O poeta não tem porquê
E os bichos comem com ele à mesa
O Poeta tem um coração branco
E veste o azul do céu como se fosse
Marinheiro da saudade do que trinca
O poeta tem a cabeça da cor das árvores
E morde o fruto dos céus.
Assim como é, o poeta não tem alto nem baixo
É uma pluralidade de sentidos.
Vê coisas em todo o lado
E às vezes parece bêbado
Mas está sentado no céu sem se desiquibrar
Só porque encontra a cada passo
Uma palavra para os olhos
O poeta parece perdido, mas apenas
segue o seu olhar
Enquanto a sementeira dos céus
semeia astros na sua boca.