O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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sexta-feira, 24 de julho de 2009

"Não fundei a minha causa em Nada"

"Eu sou o proprietário da minha potência e sou-o quando me sei Único. No Único, o possuidor retorna ao Nada criador de onde saiu. Todo o Ser superior a Mim, seja Deus ou o Homem, fraqueja diante do sentimento da minha unicidade e empalidece ao sol desta consciência.
Se fundo a minha causa em Mim, o Único, ela repousa no seu criador efémero e perecível que se devora a si mesmo e posso dizer:
Não fundei a minha causa em Nada"

- Max Stirner, O Único e a sua Propriedade.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sê 'em ti mesmo o teu próprio culminar' (Stirner)


Salvador Dali,"Galatea de las Esferas"(1952)


“Como a nossa época está à procura da palavra que exprima o espírito que a habita, numerosos são os nomes que invadem o proscénio, pretendendo todos serem os melhores. Por todos os lados se manifesta o mais diverso fervilhar de partidos e em torno da herança apodrecida do passado reúnem-se as águias do momento. Os cadáveres políticos, sociais, religiosos, científicos, artísticos, morais e outros, abundam por todo o lado e, enquanto não forem todos consumidos, o ar não se purificará e a respiração dos viventes continuará opressa.
Sem a nossa participação, a nossa época não achará a palavra justa, pelo que todos deveremos trabalhar nesse sentido. Mas, se é certo que esta é a nossa tarefa, poderemos com razão perguntar o que se fez e se conta fazer connosco. Teremos de nos interrogar acerca da educação que nos deverá tornar capazes de sermos os criadores dessa palavra. Procura-se desenvolver conscienciosamente a nossa disposição para nos tornarmos criadores, ou antes, somos tratados como criaturas cuja natureza apenas admite a amestração? Esta questão é tão importante quanto qualquer das nossas questões sociais; na realidade, é mesmo mais importante, visto estas repousarem nesta base decisiva. Sede completos, e assim efectuareis algo de realizado. Sê 'em ti mesmo o teu próprio culminar' e dessa maneira, também a vossa comunidade e a vossa vida social alcançarão a culminância”.

Max Stirner, “O falso princípio da nossa educação”, inTextos Dispersos”, Via Editora, Lisboa, 1979, pág. 63 e seg.