Para o Platero que tão bem sabe cuidar do seu jardim.
Anda um anjo no meu sonho de mim, em puro cobreEnsina-me a dormir e a conhecer os caminhos do vento
Tem as asas forradas de ouro velho e chora, o pobre!
Por ter comigo um pacto que dura mais que o tempo.
O Amor que me tem não tem ouvido o sino e a voz
Anda calado o anjo de cobre e rendas de bordar
Em cima da toalha a rosa secou no deserto a sós
A perseguir, mudo, a flor que mesmo seca há-de brotar
Que areias do deserto, ilhas do sul e cumes de montanha
Não sobrevoamos nós, tristes aves em voos de saudade!
Cinzas que a tarde colhe, pó, jornais, pedaços de lenha
Para o fogo que um dia havemos de habitar. Enfim, nós dois,
O anjo e eu, assim desentendidos trocamos receitas e olhares
Para que a névoa teça em fios finos a luz dos seus colares.