O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Forró do Professô...

Recomeçaram as aulas! Haja Deus!
O que não recomeçou foi o calar de bico dos jararacas jubilados.
Será que não metem férias de asnear, quando passam a pasta e a cadeirinha a outros jericos doutores? Parece que não.
Broncos até ao "fazerem tijolo"!
Vêem como a escola faz mal à saúde?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Oração das mulheres bem resolvidas - Júlio Machado Vaz




Que o mar vire cerveja e os homens aperitivo,

que a fonte nunca seque,

e que a nossa sogra nunca se chame Esperança,

porque Esperança é a última que morre...



Que os nossos homens nunca morram viúvos,

e que os nossos filhos tenham pais ricos e mães gostosas!



Que Deus abençoe os homens bonitos,

e os feios se tiver tempo...

Deus...Eu vos peço sabedoria para entender um homem,

amor para perdoá-lo e paciência pelos seus actos

,porque Deus

,se eu pedir força,eu bato-lhe até matá-lo.



Um brinde...

Aos que temos,aos que tivemos e aos que teremos.



Um brinde também aos namorados que nos conquistaram,

aos trouxas que nos perderam,

e aos sortudos que ainda vão conhecer-nos!


Que sempre sobre,que nunca nos falte,

e que a gente dê conta de todos!

Amén.


P.S.: Os homens são como um bom vinho: todos começam como uvas e é dever da mulher pisá-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia para o jantar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Parábola do professor

imagem google



«Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:


Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...


Pedro interrompeu: Temos que aprender isso de cor?

André disse: Temos que copiá-lo para o caderno?

Tiago perguntou: Vamos ter teste sobre isso?

Filipe lamentou-se: Não trouxe o papiro-diário.

Bartolomeu quis saber: Temos de tirar apontamentos?

João levantou a mão: -- Posso ir à casa de banho?

Judas exclamou: Para que é que serve isto tudo?

Tomé inquietou-se: Há fórmulas, vamos resolver problemas?

Tadeu reclamou: Mas porque é que não nos dás a sebenta e pronto!?

Mateus queixou-se: eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!


Um dos fariseus cretinos, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:


Onde está a tua planificação?

Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta>intervenção didáctica mediatizada?

E a avaliação diagnóstica?

E a avaliação institucional?

Quais são as tuas expectativas de sucesso?

Tendes para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?

Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?

Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?

Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?

Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?

Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?


Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:


Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso.

Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada.

E vê lá se reprovas alguém!

Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.


E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...»

sábado, 15 de março de 2008

Para passar um dia ideal ajuda muito...

Ter dormido muito bem ou muito mal
Ter 28 anos, 2 meses ou morrido durante a noite
Saber ler
Ter esquecido tudo
Poder desobedecer
Não estar deprimido
Ninguém saber de nada
Ninguém contar connosco
Poder contar com toda a gente
Poder ficar acordado até tarde
Tudo ter sido adiado
Encontrar as chaves do carro
Não ser Sexta Feira Santa
Ter tudo o que se quer e ser muito
Pensar que tudo é uma questão de tempo
Ser perdoado
Acreditar que tudo já está decidido por nós
Ainda ser cedo para tudo
Não ter nada a ver com isso
Achar graça àquilo de que não se gosta
Ser a pessoa que mais gosta de uma pessoa
Ter a alegria de não perceber porque é que gostam de nós
Não ser apanhado
Não saber a verdade e não dar por isso
Ter uma saudade diferente todos os dias e ser sempre a mesma
Ser feliz mas estar triste
Enfim
A partir daqui cada um que se amanhe

(MEC)

quarta-feira, 12 de março de 2008

O Incrível e incomparável Nasrudim

Para um galego a apresentação do Mullah Nasrudim é quase inevitável. A figura do parvo-louco-sábio tem muito da nossa Galiza. De facto muitas das suas histórias já as tinha ouvido dos lábios do meu avô mas tendo como protagonista ao inefával e saudoso Pir-i-Lampo, um protótipo de ares celtas e gaitas ao vento. Quiçá a única diferença seja certo quixotismo meigo do nosso Pir, algo ensonhador demais e com certas teimas metafísicas que ele próprio se encarrega de boicotear à beira de um copo de vinho Amandi e uma lareira perdida nas montanhas do Courel. Lá, perto d’O Cebreiro (onde se diz que está escondido ainda o Santo Graal) ouvi as suas sentenças e flechas enquanto encenava para mim umas anedotas vestido à moda dos bobos da corte medievais. Mas, enfim, essa é uma história que algum dia contarei, mas é agora outra história e deve deixar-nos aqui. Vejamos algumas das iluminadas histórias do INCRÍVEL E IMCOMPARÁVEL MULLAH NASRUDIM que segundo me contaram anda pelo Brasil e de lá não quere sair. Enfim, como ele diz: “Desfruta ou tenta aprender, chatearás alguém. Não o faças e chatearás alguém”


Como Nasrudim criou a verdade

"Estas leis não tornam melhores as pessoas", disse Nasrudim ao Rei; "elas devem praticar certas coisas de forma a sintonizarem-se com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente."

O Rei decidiu que poderia fazer que as pessoas observassem a verdade – e o faria. Ele poderia faze-las praticar a autenticidade. O acesso a sua cidade era feito por uma ponte, sobre a qual o Rei ordenou que fosse construída uma forca. Quando os portões foram abertos ao alvorecer do dia seguinte, o Capitão da Guarda estava postado à frente de um pelotão para averiguar todos os que ali entrassem. Um édito foi proclamado: "Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso permitido. Se mentir, será enforcado."

Nasrudim deu um passo à frente.

"Aonde vai?"

"Estou a caminho da forca", respondeu Nasrudim calmamente.

"Não acreditamos em você!"

"Muito bem, se estiver mentindo, enforquem-me!"

"Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!"
"Isso mesmo: agora sabem o que é a verdade: a sua verdade!"


O Tolo que era Sábio

Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque: mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado. Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:

Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.

O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque. Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes, é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e usar fazendo tolices.

"Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!"

Afastando tigres

Certo dia ele estava jogando migalhas de pão em torno de sua casa. Um vizinho que passava perguntou:
Mullah, porque você está fazendo isso?

Ah, eu faço isso para manter os tigres afastados, explicou Nasrudim.

Mas não há tigres nesta região!

Eficaz, não é? Conclui Nasrudim."


Casamento


Nasrudim estava proseando com um conhecido , que lhe indagou:

Mullah, responda-me, você nunca pensou em se casar?

Sim, claro que já. Quando eu era jovem, determinei-me a achar o meu par perfeito. Cruzei o deserto, cheguei em Damasco, e conheci uma mulher belíssima e espiritualmente muito evoluída; mas as coisas triviais, do dia a dia, a atrapalhavam.

Mudei de rumo e lá estava eu, em Isfahan; ali pude conhecer uma mulher com dom para as coisas materiais, da vida caseira, e além disso se mostrou muito espiritualizada. Porém, carecia de beleza física. Pensei: o que fazer?

E resolvi ir ao Cairo. Lá cheguei e logo fui apresentado a uma linda jovem, que também era religiosa, boa cozinheira e conhecedora dos afazeres do lar. Ali estava a minha mulher ideal.

Entretanto você não se casou com ela. Porquê?

- Ah, meu amigo. Entretanto ela buscava o seu homem ideal.




O anúncio

Nasrudim postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:

Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?

Logo juntou-se um grande número de pessoas, com todo mundo gritando:
- Queremos, queremos!

Excelente! Era só para saber. Podem confiar em mim, que lhes contarei tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim.


O sermão de Nasrudim

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudim. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita. Ele concordou. Chegado o tal dia, Nasrudim subiu ao púlpito e falou:

Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?

Não, não sabemos

Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja - disse o Mulla, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.

Desceu do púlpito e foi para casa. Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudim fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração.

Nasrudim começou a pregação com a mesma pergunta de antes. Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:

Sim, sabemos

Neste caso não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora.
E voltou para casa. Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.

Sabem ou não sabem?

A congregação estava preparada.

Alguns sabem, outros não.

Excelente - disse Nasrudim - então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimento para àqueles que não sabem.

E foi para casa.



O barco e o homem letrado

Em dada ocasião, Nasrudim estava em um barco com um homem letrado, quando o Mullá disse algo que contrariava as regras gramaticais:

Você nunca estudou gramática? - perguntou o estudioso.

Não, nunca - respondeu Nasrudim.

Nesse caso, metade de sua vida se perdeu - retrucou outro.

Nasrudim ficou em silêncio durante algum tempo, quando finalmente falou:

Você nunca aprendeu a nadar? - disse o Mullá ao homem letrado.

Não, nunca - este respondeu.

Então, nesse caso, toda a sua vida se perdeu. Estamos afundando.