Que lugar é esse tão próximo que não recordas a morada?
Algures, num ponto misterioso fundeado em ti, sentes augúrios de regresso.
Momentos há em que o sentes perto, tão perto... Sentes-lhe o embriagante pulsar penetrando-te em vagas ardentes que te chamam num cicio familiar e mesmo assim ininteligível; é uma mensagem telegráfica poluída com ruídos difusos, de vozes e sons de mundos onde passaste sem te demorar.
Respiras! O ar alonga-se em cavidades, trilha escadas no poço sem fim.
Ah! No fundo de ti o charco lamacento aquieta-se, a lama acomoda-se num leito espesso; é húmus fértil que as sementes, anteriores à palpabilidade da terra, esperavam para poderem germinar. Largada quase imersa, nessa poça opalina, a corrente pesada, enferrujada, conduz o teu olhar ao grilhão ancestral que jaz ancorado mas arrombado. Ferropeia de boca escancarada grita sem voz o hino ao silêncio, desabrolha campos inteiros de almas transparentes que ascendem como suspiros. O ar rarefaz-se e demora-se em ascendência; exala perfumados cânticos mudos de êxtase, exulta não por ti mas pelas mil glebas, intrinsecamente irmãs, libertas e floridas. Sentes a leveza de ser alígero sem ser alado, incomensurável, infinito e abrangente...
Ah! Aí tudo vibra arrebatado, desdobra-se orgástico e tu és tudo desmascarado de forma, limites, fronteiras e conceitos. A frase incompreensível que desde eras remotas sibilava na tua mente ribomba num clarão refulgente.