O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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sábado, 21 de junho de 2008

Pátria I


Fotografia: Rolfe Horne - Dusk, Izumo, Japan, 2001


Sou alta montanha,
Pequena ilha isolada,
envolta em terra desolada,
tundra despojada,
mar profundo,
que só asas ténues,
sementes vagabundas, podem encontrar.
No cume desta terra,
uma só semente ganhou a batalha,
contra os elementos da terra e do mar.
Germinou de amor por mim,
protegendo-me com mil braços
das chuvas e tempestades,
da voraz erosão do tempo
deste inclemente lugar.
Por vezes sobrevoam-nos
alegres aves selvagens
que esqueceram daqui fazer lar.

Somos só porto de abrigo.
Passagem para outro lugar.