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sexta-feira, 31 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
e agora vou ali, fazer cócegas nos pés dos Budas!
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Joaninha Voa Voa
sexta-feira, 30 de maio de 2008
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domingo, 6 de abril de 2008
«Lembre-se que nada é constante,
só a mudança é constante»
Principe Siddhârta Gautama ou Shâkyamuni, dito Buda.
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Sobre os "Animais Iluminados"
Queridos amigos Luar Azul e outros, com toda a amizade, mas em nome do mais elementar bom senso, não posso em absoluto estar de acordo com o que dizem sobre os "animais iluminados". Claro que concordo com tudo o que dizem sobre a igualdade de todas as espécies perante a natureza fundamental que lhes é comum e, se quisermos chamar Buda a essa natureza, como é o meu caso, é verdade que todos os seres e todos os fenómenos são Buda. Agora - e falo na qualidade de um reles caminhante budista, que tenta estudar os textos de uma tradição com 2600 anos - o Buda histórico e todos os Budas vivos são unânimes em declarar que, de todos os seres possíveis, só os homens e, nalguns casos, certos deuses (com mais dificuldade), podem reconhecer, fruir e manifestar plenamente essa natureza de Buda, para o bem de todos os seres. Claro que o que importa não é dizer que é assim, porque o Buda o disse, o que seria cair no dogmatismo que ele próprio denunciou. Mas o que acontece é que para mim essa declaração é conforme à mais elementar e evidente observação da realidade. Olhemos para a vida animal à nossa volta ou para aqueles belíssimos e terríveis documentários televisivos sobre ela... Aí temos a "comunhão" profunda de que fala o Luar Azul: o albatroz a devorar o peixe, o gato a abocanhar o pássaro ou a matar o rato com requintes de brincadeira cruel, o leão a lançar garras e presas à garganta da zebra, a águia a agarrar o coelho e a arrancar-lhe os olhos e as vísceras à bicada adunca... Porquê ? Porque vêem neles o Buda e são o Buda, claro... Que maravilha de instinto, amor e visão iluminados ! E as suas vítimas, que mística volúpia devem sentir ao verem-se devoradas vivas por Budas vivos ! Sim, pois aqueles esgares de terror e angústia, aquelas convulsões dos corpos a contorcerem-se, são meras ilusões de óptica da nossa percepção humana, demasiado humana, do nosso antropocentrismo... Eles na verdade estão é a gozar imenso ! E nós, humanos, devemos então prosternar-nos diante desses "animais iluminados" e implorar-lhes que nos ensinem como chegar a esse estado de profunda comunhão amorosa, espiritual e mística... Sim, porque procurar exemplos e ensinamentos em Buda, Cristo, Ghandi, Madre Teresa, Dalai Lama, se temos ao nosso dispor o nosso cão ou gato e, lá fora, toda a fauna dos nossos irmãos predadores na sua actividade devoradora, digo, comungadora, uns dos outros !?...
Bom, não havendo iluminação, haja pelo menos bom senso !... Claro que os homens fazem o mesmo e muitíssimo pior. Mas têm pelo menos a possibilidade de o não fazer e constata-se que alguns, embora infelizmente raros, renunciam a toda a dualidade, a todo o egoísmo e instinto agressivo e dominador, e vivem apenas para o bem de todos os seres... Os sábios e santos, em todas as religiões ou fora delas... Esses manifestam plenamente a insuperável singularidade do homem: ser o único ser que tem a potencialidade de abdicar plenamente do amor-próprio, dos condicionamentos da sua espécie e colocar-se ao serviço do bem universal, transcendendo todo o especismo e todas as formas de ser. Nessa perspectiva, pode falar-se da "superioridade" do sábio e do santo, a qual reside precisamente em não se sentir superior e antes o mais humilde servidor de todos os seres... Como na cultura portuguesa o viram Antero de Quental, Sampaio Bruno, Pascoaes, Agostinho da Silva... Na mesma perspectiva, deve falar-se da inferioridade do homem gregário e comum, que, podendo tornar-se sábio e santo e colocar-se ao serviço da libertação universal, nada faz para tal e antes se converte no mais feroz predador de si e dos outros, humanos e não humanos... Esse vive, em termos éticos e de consciência, e por mais que a sua natureza seja a de Buda, abaixo ainda do animal...
Quanto ao Buda, segundo a tradição budista, não é propriamente um "ser" nem vê nada como um "ser", pois transcendeu esse conceito. Quando vê tudo como Buda, experimenta a "vacuidade" (shunyata) e portanto nada vê como Buda (nem a si próprio), já não vê seres, como é claro no "Sutra do Diamante". O que não exclui, todavia, que Budas e Bodhisattvas amem todos os seres ilusórios e se possam efectivamente manifestar como animais, homens ou outros seres aparentes, para ajudar animais, homens e os demais seres. Mas estamos a falar então de emanações como animais ("tulkus", em tibetano, ou corpos ilusórios), que não são propriamente animais, com todo o seu cego instinto de sobrevivência, vivendo no sofrimento constante de ter de devorar e de fugir de ser devorados.
Por outro lado, creio que, ao falar da vida animal e de "animais iluminados", convém ter em conta não apenas os animais domésticos e fofinhos (embora baste olhar para esses, com outra perspectiva que não a da gratificação dos nossos sentidos e da satisfação das nossas carências afectivas), mas também todos os outros, de que geralmente temos tanta repulsa: lombrigas, lêndeas, osgas, lesmas, baratas, aranhas, melgas, pulgas, piolhos, ratazanas, serpentes, hienas, George Bush, Bin Laden, etc... E amá-los igualmente a todos, ou seja, tratá-los bem, ver neles o Buda ou o divino, mas ao mesmo tempo oferecer a nossa prática espiritual para que de uma vez por todas se libertem deste absurdo e terrível circo de ilusão e dor que é o círculo vicioso da vida, da morte e da transmigração, movido pela mente dualista, pelo apego e pela aversão. Sem isso, ficamos numa alternativa falsa e ridícula ao antropocentrismo e nos idílios ilusórios das visões cor-de-rosa da existência tão próprios deste novo obscurantismo chamado "New Age" que, em nome do "tudo está bem", somos todos Buda, Deus, etc., nos distrai desta preciosa e rara oportunidade de libertação que é uma existência humana, enquanto a doença, a velhice e a morte a passos largos se aproximam e a cada momento podem surgir...
Lamento estar em tão profundo desacordo convosco, caros Amigos, e espero que a vossa amizade resista à minha sinceridade, mas seja como for dêem-me o desconto pois mais não sou do que um obscuro animal não iluminado...
Bom, não havendo iluminação, haja pelo menos bom senso !... Claro que os homens fazem o mesmo e muitíssimo pior. Mas têm pelo menos a possibilidade de o não fazer e constata-se que alguns, embora infelizmente raros, renunciam a toda a dualidade, a todo o egoísmo e instinto agressivo e dominador, e vivem apenas para o bem de todos os seres... Os sábios e santos, em todas as religiões ou fora delas... Esses manifestam plenamente a insuperável singularidade do homem: ser o único ser que tem a potencialidade de abdicar plenamente do amor-próprio, dos condicionamentos da sua espécie e colocar-se ao serviço do bem universal, transcendendo todo o especismo e todas as formas de ser. Nessa perspectiva, pode falar-se da "superioridade" do sábio e do santo, a qual reside precisamente em não se sentir superior e antes o mais humilde servidor de todos os seres... Como na cultura portuguesa o viram Antero de Quental, Sampaio Bruno, Pascoaes, Agostinho da Silva... Na mesma perspectiva, deve falar-se da inferioridade do homem gregário e comum, que, podendo tornar-se sábio e santo e colocar-se ao serviço da libertação universal, nada faz para tal e antes se converte no mais feroz predador de si e dos outros, humanos e não humanos... Esse vive, em termos éticos e de consciência, e por mais que a sua natureza seja a de Buda, abaixo ainda do animal...
Quanto ao Buda, segundo a tradição budista, não é propriamente um "ser" nem vê nada como um "ser", pois transcendeu esse conceito. Quando vê tudo como Buda, experimenta a "vacuidade" (shunyata) e portanto nada vê como Buda (nem a si próprio), já não vê seres, como é claro no "Sutra do Diamante". O que não exclui, todavia, que Budas e Bodhisattvas amem todos os seres ilusórios e se possam efectivamente manifestar como animais, homens ou outros seres aparentes, para ajudar animais, homens e os demais seres. Mas estamos a falar então de emanações como animais ("tulkus", em tibetano, ou corpos ilusórios), que não são propriamente animais, com todo o seu cego instinto de sobrevivência, vivendo no sofrimento constante de ter de devorar e de fugir de ser devorados.
Por outro lado, creio que, ao falar da vida animal e de "animais iluminados", convém ter em conta não apenas os animais domésticos e fofinhos (embora baste olhar para esses, com outra perspectiva que não a da gratificação dos nossos sentidos e da satisfação das nossas carências afectivas), mas também todos os outros, de que geralmente temos tanta repulsa: lombrigas, lêndeas, osgas, lesmas, baratas, aranhas, melgas, pulgas, piolhos, ratazanas, serpentes, hienas, George Bush, Bin Laden, etc... E amá-los igualmente a todos, ou seja, tratá-los bem, ver neles o Buda ou o divino, mas ao mesmo tempo oferecer a nossa prática espiritual para que de uma vez por todas se libertem deste absurdo e terrível circo de ilusão e dor que é o círculo vicioso da vida, da morte e da transmigração, movido pela mente dualista, pelo apego e pela aversão. Sem isso, ficamos numa alternativa falsa e ridícula ao antropocentrismo e nos idílios ilusórios das visões cor-de-rosa da existência tão próprios deste novo obscurantismo chamado "New Age" que, em nome do "tudo está bem", somos todos Buda, Deus, etc., nos distrai desta preciosa e rara oportunidade de libertação que é uma existência humana, enquanto a doença, a velhice e a morte a passos largos se aproximam e a cada momento podem surgir...
Lamento estar em tão profundo desacordo convosco, caros Amigos, e espero que a vossa amizade resista à minha sinceridade, mas seja como for dêem-me o desconto pois mais não sou do que um obscuro animal não iluminado...
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